Negócios
Balanços Empresariais: Contabilização de arrendamentos no fechamento

Começa, com o ano novo, a temporada de fechamento de balanços, na qual as empresas, independentemente de seu porte ou nível de governança, devem apurar seus resultados e prestar contas aos acionistas, órgãos reguladores, autoridades fiscais, bancos, colaboradores e outros interessados em suas demonstrações financeiras. As de capital aberto e as sociedades anônimas as tornarão públicas e as demais cumprirão suas regras estatutárias e legais, inclusive quanto à necessidade de auditorias independentes.
Quando lermos as demonstrações financeiras do exercício encerrado em 31 de dezembro de 2019, veremos algo significativamente novo. Com a primeira adoção do CPC06 (R2), versão brasileira da IFRS16, conforme regras de contabilidade internacional, que trata sobre a contabilização de arrendamentos, esta será a primeira vez em que os contratos de arrendamento, leasing ou locação, como são usualmente conhecidos, serão registrados de modo consistente nas demonstrações financeiras das empresas.
Sir David Tweedie, ex-presidente do IASB, sigla para o International Accounting Standards Board, órgão internacional responsável pelo desenvolvimento das Normas Internacionais de Contabilidade (IFRSs), que representam a base dos Pronunciamentos Contábeis CPCs que temos no Brasil, costumava dizer em suas palestras que “sonhava com o dia em que poderia voar em um avião que estivesse registrado nas demonstrações financeiras daquela companhia aérea”. Isso era uma forma descontraída de chamar a atenção da sociedade de que as práticas contábeis não estavam suficientemente desenvolvidas para capturar a essência das transações de arrendamento e que muitos contratos definidos como arrendamentos operacionais eram reconhecidos apenas quando suas parcelas de aluguéis eram pagas como despesa e o ativo principal ou direito de uso e sua correspondente obrigação não eram reconhecidos nas demonstrações financeiras, muitas vezes considerando um viés tributário por esta forma de contabilização. Sem dúvida, o tema foi um dos principais assuntos que estiveram na pauta de 2019 dos contadores, diretores financeiros e auditores independentes.
No entanto, os temas contábeis relevantes de 2019 foram mais amplos. Dentro das principais pautas de discussão do ano, tivemos os critérios de reconhecimento dos processos de ICMS na base de cálculo de PIS e COFINS, pelos quais muitas empresas tiveram seus processos transitados em julgado, mesmo sem a definição da forma de modulação pelo Supremo Tribunal Federal. Mas, podemos acrescentar alguns temas importantes nessa lista. Ainda como reflexo da desaceleração da economia dos anos anteriores, com muitas discussões sobre a necessidade de testes de recuperabilidade de ativos, os chamados testes de impairment, e como mensurar os riscos de crédito das carteiras de clientes para as conhecidas provisões para devedores duvidosos.

Preparar demonstrações financeiras fidedignas, atendendo a todos os aspectos das Normas Contábeis Brasileiras e Internacionais, bem como com as regras tributárias, sempre foi e será um grande desafio para os administradores, seus contadores e auditores independentes. Existe uma vasta oferta de materiais técnicos disponíveis que podem auxiliar neste processo. No próprio site do CPC — Comitê de Pronunciamentos Contábeis (www.cpc.org.br), podemos encontrar versões completas de todos os pronunciamentos, interpretações e orientação; no site da CVM — Comissão de Valores Mobiliários (www.cvm.gov.br), há instruções para as companhias abertas, com seu tradicional ofício de encerramento, que também apresenta rico conteúdo e interpretações de temas relevantes que podem ser usados como benchmark para as companhias não registradas, além de inúmeras normas, resoluções e instruções que podem ser consultadas nos websites do CFC — Conselho Federal de Contabilidade (www.cfc.org.br) e do CRC – Conselho Regional de Contabilidade (www.crcsp.org.br). Informação não falta!
DICA EXTRA DO JORNAL CONTÁBIL : MEI saiba tudo o que é preciso para gerenciar seu próprio negócio. Se você buscar iniciar como MEI de maneira correta, estar legalizado e em dia com o governo, além de fazer tudo o que é necessário para o desenvolvimento da sua empresa, nós podemos ajudar. Já imaginou economizar de R$ 50 a R$ 300 todos os meses com contador e ainda ter a certeza que está fazendo suas declarações e obrigações de forma correta. E o melhor é que você pode aprender tudo isso em apenas um final de semana. Uma alternativa rápida e eficaz é o curso MEI na prática. Trata-se de um curso rápido, porém completo e detalhado com tudo que um MEI precisa saber para ser autônomo e nunca mais passar por dificuldades ao gerir o seu negócio. Quer saber mais? Clique aqui e mantenha sua empresa MEI em dia!
*Jean Paraskevopoulos Neto é sócio-líder de Auditoria da KPMG Campinas.
A KPMG é uma rede global de firmas independentes que prestam serviços profissionais de Audit, Tax e Advisory.
CLT4 dias agoNovas regras do crédito consignado CLT entram em vigor
Contabilidade3 dias agoJustiça suspende aumento de imposto para empresas do Lucro Presumido
Reforma Tributária3 dias agoReforma Tributária e notas fiscais: mudanças a partir de agosto
Imposto de Renda4 dias agoReceita abre consulta ao 1º lote da restituição automática do IR; veja quem recebe
CLT4 dias agoCalendário do PIS/Pasep 2026 está definido. Veja quando cai o abono
MEI2 dias agoGoverno libera R$ 2 bilhões em garantias de crédito para MEIs e caminhoneiros comprarem veículos
MEI4 dias agoDesenrola MEI começa nesta segunda com desconto de até 70%
Reforma Tributária3 dias agoRegra de validação do IBS e da CBS entra em testes no ambiente de homologação da SVRS
































Receba nossas notícias pelo WhatsApp em primeira mão.