Direito
Com vigência adiada, NR-1 exige olhar crítico sobre saúde mental no trabalho
“Cada organização precisa construir planos de ação personalizados, envolvendo gestores e áreas estratégicas”

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) anunciou o adiamento da vigência da nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), com destaque para os fatores psicossociais relacionados à saúde mental no ambiente de trabalho.
A medida oficializada pela Portaria nº 1.419/2024, amplia o prazo de adequação para 26 de maio de 2026, o que permite que as empresas passem por um período educativo e orientativo para adaptação às novas exigências.
A decisão atende a pedidos de empregadores e trabalhadores, que apontaram insegurança técnica e jurídica sobre a aplicação da norma. O governo também anunciou ações complementares, como a criação de um grupo de trabalho tripartite, publicação de guia técnico e lançamento de manuais para apoiar a implementação da NR-1.
Para a advogada Naiara Insauriaga, especialista em Direito do Trabalho, do escritório Barcelos Tucunduva Advogados, o adiamento representa uma oportunidade estratégica para as empresas. “Os principais fatores de risco psicossociais que devem ser mapeados incluem sobrecarga de trabalho, qualidade das relações interpessoais, comportamento das lideranças e impacto de metas sobre os colaboradores. É essencial que as empresas façam uma análise crítica e aprofundada da sua operação”, afirma.
Ela ressalta que não há uma solução única para mitigar esses riscos. “Cada organização precisa construir planos de ação personalizados, envolvendo gestores e áreas estratégicas. A eficácia está na integração dessas medidas à rotina da empresa, garantindo adesão e resultados reais”, explica.
Fiscalização começa em 2026: empresas devem se preparar desde já
A partir de maio de 2026, a Inspeção do Trabalho passará a autuar empresas que não cumprirem as exigências da NR-1. A advogada alerta que a preparação deve começar com um diagnóstico criterioso do impacto da operação sobre a saúde mental dos empregados. “Com base nesse levantamento, será possível elaborar um PGR realista, com medidas sustentáveis e juridicamente seguras”, orienta.
Ela também destaca que o prazo adicional não deve ser visto como simples prorrogação. “É uma chance de evitar documentos genéricos e ineficazes. Um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) meramente formal pode evitar autuações, mas não promoverá um ambiente saudável. A prevenção eficaz beneficia tanto os trabalhadores quanto a reputação e sustentabilidade da empresa”, conclui.
Contexto legal: o que muda com a Portaria nº 1.419/2024
A nova redação da NR-1, aprovada pela Portaria nº 1.419/2024, estabelece que o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) deve incluir fatores psicossociais como estresse ocupacional crônico, burnout, assédio moral, carga mental excessiva, isolamento e hiperconectividade. Esses elementos passam a ser reconhecidos como riscos ocupacionais, exigindo identificação, registro, monitoramento e ações preventivas.
A norma também reforça a interligação entre o PGR e a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT), incluindo transtornos mentais como depressão e ansiedade. A responsabilidade das empresas se amplia, exigindo mudanças na cultura organizacional e na gestão de pessoas.
Fonte: Naiara Insauriaga, advogada da Área Trabalhista do Barcelos Tucunduva Advogados, é pós-graduada em Direito Processual Civil.
Leia também:
- Por que o suporte da Trade24Seven pode fazer diferença na experiência do usuário
- INSS começa a pagar pensão para filhos de vítimas de feminicídio
- Mudança na CNH entra em vigor em junho e afeta novos motoristas
- MEI pode ganhar nova regra de transição para quem ultrapassar o teto de faturamento
- Câmara aprova PEC que amplia isenção fiscal para igrejas.
📲Junte-se ao nosso canal no WhatsApp. Clique e siga agora!
Contabilidade4 dias agoReceita reduz pela metade prazo para empresas confirmarem notas fiscais
Fique Sabendo4 dias agoGoverno libera saldo residual do FGTS para 10,5 milhões de trabalhadores
Contabilidade3 dias agoSistema Domínio lança módulo para automação de convenções coletivas
INSS3 dias agoÉ possível se aposentar aos 55 anos e com 15 anos de contribuição?
CLT3 dias agoQuando cai o quinto dia útil de junho de 2026?
MEI3 dias agoIR 2026: Como o autônomo e o MEI devem prestar contas à Receita
Imposto de Renda5 dias agoReta final do IR 2026: quase 10 milhões ainda não declararam
MEI4 dias agoMEI precisa ter certificado digital?
































Receba nossas notícias pelo WhatsApp em primeira mão.