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Reforma Tributária

Como a Reforma Tributária pode evitar propina e corrupção no Brasil

Autor: Rodrigo Campos

Publicado em

R$ 1 bilhão em propina o esquema que prendeu donos de gigantes. A Reforma Tributária poderá evitar casos assim.

O mundo empresarial brasileiro acordou em choque nesta semana com a notícia da prisão de Sidney Oliveira, o rosto amplamente conhecido por trás da gigante farmacêutica Ultrafarma, e de Mario Otávio Gomes, diretor da renomada varejista Fast Shop. A operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) não mirou baixo e abalou as estruturas do setor.

A investigação revelou um suposto esquema de corrupção de proporções astronômicas, que teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão em propinas desde 2021. O cérebro por trás de tudo, segundo o MP, era um auditor fiscal de alto escalão da Secretaria da Fazenda de São Paulo, Artur Gomes da Silva Neto, que também foi preso. A fraude girava em torno de algo que afeta milhares de empresas no Brasil: os créditos de ICMS.

Mas o que diabos é esse tal de crédito de ICMS? E como um esquema tão gigantesco pôde operar debaixo do nariz do governo por tanto tempo, envolvendo nomes tão conhecidos? A raiz do problema, segundo especialistas, está em um sistema tributário complexo e lento, e a solução, ironicamente, pode já estar a caminho com a tão falada Reforma Tributária.

O “dinheiro de volta” do imposto: entendendo o crédito de ICMS

De forma simples, o crédito de ICMS é um mecanismo para evitar que as empresas paguem imposto sobre imposto. Imagine uma fábrica de sapatos: ela compra couro e paga ICMS nessa compra. Para não ter que pagar o imposto novamente sobre o valor do couro quando vender o sapato pronto, a empresa ganha um “crédito” referente ao que já pagou.

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Em alguns casos, especialmente para empresas que exportam muito ou que trabalham com diferentes alíquotas de imposto entre estados, acontece um acúmulo. A empresa acaba com mais créditos do que débitos, gerando um saldo positivo que ela tem o direito de receber de volta do Estado. E é aí que o problema começa.

Veja mais: Holding Familiar: o novo custo ‘silencioso’ da Reforma Tributária

A burocracia que abre a porta para a corrupção

Receber esse dinheiro de volta do governo é um processo extremamente lento e burocrático. Segundo tributaristas ouvidos pelo g1, a análise de um pedido de devolução de crédito de ICMS pode levar até 2 anos. Essa morosidade cria um cenário caótico, com uma estimativa de R$ 10 bilhões em créditos parados, esperando para serem pagos só no estado de São Paulo.

É nessa lentidão que a corrupção floresce. Para uma empresa, ter milhões de reais parados por anos é um péssimo negócio. O esquema investigado pelo MP aponta que o auditor fiscal se aproveitava exatamente disso: ele oferecia um “fast track” para as empresas. Em troca de propina, ele supostamente manipulava os processos, acelerava a aprovação e garantia que o dinheiro fosse liberado em tempo recorde – às vezes, até em valores maiores que o devido.

Veja mais: Caso Ultrafarma: como funcionava o esquema e quem são os envolvidos

Como a reforma tributária promete fechar essa torneira

A boa notícia é que a Reforma Tributária, que encerra seu período de transição em 2033, foi desenhada para atacar exatamente esse tipo de problema. Especialistas apontam que a nova legislação vai coibir fraudes como essa de várias maneiras:

  • Unificação dos Impostos: O ICMS será extinto e substituído pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), com regras unificadas para todo o país. Isso acaba com a complexa guerra de alíquotas entre estados.
  • Prazos Definidos: A nova lei estabelece um prazo máximo para a devolução dos créditos, que varia de 60 a 180 dias. O fim da espera de anos diminui o incentivo para pagar propina.
  • Automatização: Com sistemas como o “split payment”, o imposto será retido e repassado ao Fisco automaticamente na hora da transação, diminuindo drasticamente a chance de manipulação humana.
  • Comitê Gestor: O dinheiro será administrado por um órgão central, desvinculado da necessidade de caixa dos governos estaduais, o que deve agilizar as devoluções.

O escândalo da Ultrafarma e da Fast Shop, portanto, expõe uma ferida profunda no sistema atual, mas também serve como um exemplo perfeito do porquê a modernização do nosso sistema tributário é tão urgente e necessária.

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