Economia
Economia: Fazenda diminui previsão oficial de crescimento do PIB

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou para baixo suas projeções econômicas, reduzindo a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2023 de 3,2% para 3%. Essa revisão foi impulsionada pela previsão de estagnação no PIB no terceiro trimestre, em comparação com a projeção anterior de uma expansão de 0,1%. Além disso, o setor de serviços apresentou projeções menos otimistas para o restante do ano. Para 2024, a estimativa de crescimento econômico também foi reduzida de 2,3% para 2,2%.
Apesar desses ajustes para baixo, a perspectiva ainda é de aceleração na atividade econômica no quarto trimestre. Isso se deve ao crescimento de alguns subsetores menos sensíveis ao ciclo econômico e à manutenção do consumo das famílias, impulsionado pelo aumento da massa de renda real do trabalho e por melhores condições de acesso ao crédito.
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As projeções de crescimento variam entre os setores. Para o setor agropecuário, a projeção permanece em 14%, enquanto para a indústria, a estimativa subiu de 1,5% para 1,9%. No entanto, para os serviços, a projeção foi reduzida de 2,5% para 2,2%.
Guilherme Mello, secretário de Política Econômica, destacou a melhora significativa no mercado de crédito após a redução das taxas de juros. Ele observou que tanto a concessão de crédito para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas está mostrando recuperação. Mello também ressaltou a emissão de debêntures no mercado de capitais, indicando uma tendência de crescimento que se aproxima das curvas observadas em 2021 e 2022.
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Inflação
A projeção de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi revisada para baixo, passando de 4,85% para 4,66%. Essa estimativa encontra-se ligeiramente abaixo da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o ano, que é de 3,25%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que o limite inferior é de 1,75%, e o superior é de 4,75%. Para o ano de 2024, a projeção da inflação avançou de 3,4% para 3,55%.
De acordo com a Secretaria de Política Econômica (SPE), o processo de desinflação ocorreu mais rapidamente do que inicialmente previsto, especialmente nos componentes subjacentes (que desconsideram energia e alimentos), levando a inflação para dentro do intervalo proposto pelo regime de metas já em 2023.
Quanto ao ano de 2024, a projeção para a inflação oficial foi elevada devido ao reajuste do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pelos estados das regiões Sul e Sudeste, além de pequenas alterações nas perspectivas para o dólar e os preços das commodities. A SPE também considera os efeitos do fenômeno climático El Niño nos preços de alimentos, energia e etanol.
A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado para determinar o valor do salário mínimo e corrigir aposentadorias, é de uma variação de 4,04% para este ano, em comparação com a previsão anterior de 4,36% divulgada em setembro. Já a projeção para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que engloba o setor atacadista, o custo da construção civil e o consumidor final, foi ajustada de uma deflação de 3% para uma deflação de 3,3% em 2023, levando em conta a expressiva queda nos preços de alguns alimentos.
Médio prazo
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda atribui a revisão para baixo do crescimento do PIB em 2024, de 2,3% para 2,2%, principalmente ao cenário internacional. O documento destaca que essa mudança reflete o aumento das incertezas no ambiente global devido a conflitos geopolíticos, riscos relacionados à desaceleração do crescimento chinês e a perspectiva de manutenção das taxas de juros nos Estados Unidos em patamares elevados por um período mais prolongado.
No contexto doméstico, a equipe econômica reconhece a desaceleração do setor agropecuário após o desempenho recorde deste ano. O Boletim Macrofiscal ressalta também a perspectiva menos favorável para a safra do próximo ano, conforme indicado pelos prognósticos para 2024. Contudo, a SPE destaca que o aumento da produção e do consumo, impulsionados pela redução das taxas de juros, contribuirá para o crescimento econômico brasileiro em 2024. Nesse cenário, a absorção doméstica (gastos internos) terá um peso maior no PIB em comparação a 2023.
Os dados do Boletim Macrofiscal são utilizados no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, que será divulgado amanhã (22). Esse relatório, publicado bimestralmente, apresenta previsões para a execução do Orçamento com base no desempenho das receitas, previsão de gastos do governo, PIB e inflação. Com base no cumprimento da meta de déficit primário e no limite de gastos do novo arcabouço fiscal, o governo realiza contingenciamentos (bloqueios) em alguns gastos não obrigatórios.
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