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Pesquisa aponta que vendas de carros 0 KM cresceram 11% em junho
Impulsionadas pelo programa de descontos do Governo Federal, as vendas de carros zero km no Brasil cresceram 11,41% em junho, quando comparadas com o mês anterior. É o que mostra um levantamento do Instituto AAV, criado pela plataforma de gestão de estoque e de vendas de veículos usados AutoAvaliar para extrair, avaliar e gerar insights relevantes de negócios. Foram considerados o total de emplacamentos feitos no período. Ao todo, foram 142.017 veículos novos, 14.539 unidades a mais do que em maio, que havia registrado um total de 127.478. Na comparação anual, entre junho de 2022 e junho de 2023, o crescimento foi de 9,48%.
J. R. Caporal, presidente do Instituto AAV, reforça que o crescimento das vendas está relacionado ao impacto da medida do Governo Federal, que destinou cerca de R$ 1,8 bilhão em incentivos para que montadoras dessem descontos em veículos novos. “Algumas questões estruturais não foram consideradas com a devida profundidade no desenvolvimento do projeto do governo, o que provocou no início um represamento das vendas, tanto de novos quanto de usados. Por isso, cresceram tanto no mês seguinte”, explica.
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Mas enquanto o mercado de veículos 0 km cresceu, os seminovos e usados foram impactados negativamente pelo programa de governo, registrando queda de 7,31% entre maio e junho. “O programa foi muito prejudicial para este segmento. Os consumidores de carros usados e concessionários passaram a buscar novas referências na avaliação dos ativos por conta dos descontos dados aos veículos zero”, explica.
Ele acredita que outras ações como o Desenrola Brasil, programa para renegociação de dívidas, e a proposta de Reforma Tributária podem aquecer ainda mais o mercado no médio prazo. “Em geral, o carro zero no Brasil nunca foi barato, e os preços aumentaram ainda mais o surgimento de cada vez mais itens obrigatórios. Além disso, os impostos correspondem entre 40% e 50% do valor do veículo”, lembra. Caporal lembra que o país conta com cerca de 70 milhões de pessoas com o nome negativado, que não conseguem obter crédito. “Se conseguirmos trazer de volta essa parcela para o consumo, possibilitando financiamentos para compra de carros, por exemplo, será de extrema importância para o mercado automotivo”, afirma.

Ranking de vendas
No ranking dos modelos mais vendidos, quem liderou o mês de junho foi o Volkswagem Polo, com 9.949 emplacamentos, crescimento de 30,29% em relação a maio, quando também ocupou a primeira posição. O movimento evidencia sua popularidade entre os consumidores. Já o Chevrolet Onix, com 8.261 emplacamentos, manteve a segunda posição e registrou um aumento de 18,91% na comparação com o mês anterior. Em terceiro lugar ficou o Volkswagem T-Cross (7.264); seguido pelo Fiat Mobi (6.895) e Fiat Argo (6.747), que completam o Top 5.
A GM conta com três modelos no Top10 de vendas pelos 2 meses consecutivos, o que demonstra a popularidade da marca entre os brasileiros. O levantamento ainda destaca que três modelos da marca Fiat aparecem no Top10. Além do Mobi e Argo, na nona posição encontra-se o Cronos.
Outra curiosidade é que o Mobi não estava no Top 10 de maio. A mudança de preferência dos consumidores pode estar relacionada aos descontos maiores dados neste modelo, que ficaram pouco acima de R$ 7 mil no período. O mesmo aconteceu com o Renault Kwid, que também passou a integrar a lista dos 10 mais vendidos. Em junho, o veículo chegou a ser vendido com desconto acima de R$ 10 mil, segundo outro levantamento do Instituto AAV. Deixaram de figurar na lista dos top 10 mais vendidos o Jeep Compass e o Honda HR-V.
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O modelo Volkswagem Gol se manteve na primeira colocação na venda de usados, chegando a 60.935 emplacamentos no mês passado e se consolidando como o favorito, apesar da queda de vendas de 7,27% na comparação mensal. Em segundo lugar, está o Fiat Palio e em terceiro o Fiat Uno, com retração de 7,19% e 5,93%, respectivamente.
A pesquisa chama a atenção ainda para o modelo HB20, que caiu da nona posição para a décima entre os modelos usados mais vendidos. No período, a demanda recuou 11,13%, o que pode indicar uma redução do interesse dos brasileiros. Além disso, os modelos mais antigos continuam a dominar o mercado de usados, possivelmente por conta do preço mais baixo e custos de manutenção menores.
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