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Somente a vacinação não eliminará o câncer do colo do útero
O diretor-geral da Organização Pan-americana da Saúde, da Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS), Jarbas Barbosa, enfatizou que a eliminação do câncer do colo do útero nas Américas é uma das suas principais prioridades na entidade. No entanto, ele ressaltou os desafios que ainda persistem. Com uma taxa de incidência quase três vezes maior que a meta de eliminação de quatro em cada 100 mil mulheres, a América Latina e o Caribe estão distantes de alcançar esse objetivo.
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Durante sua participação em um evento sobre a prevenção e os desafios da vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV), o rastreamento organizado, diagnóstico e tratamento do câncer do colo do útero, Barbosa destacou que o câncer de útero é o terceiro mais comum entre as mulheres na região, com aproximadamente 60 mil diagnósticos anuais. Ele apontou essa alta taxa como uma falha nos sistemas de saúde e ressaltou a necessidade de ações conjuntas entre governos, sociedade civil, universidades, setor privado e comunidades para enfrentar esse desafio.
O diretor da OPAS/OMS também abordou os impactos da pandemia da covid-19 na vacinação e tratamento contra o HPV, indicando que houve interrupções nos sistemas de saúde, resultando em uma diminuição na cobertura vacinal contra o HPV. Barbosa ressaltou a importância de implantar estratégias para recuperar e melhorar a cobertura vacinal, especialmente considerando as ferramentas disponíveis para prevenir o câncer do colo do útero.
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Ele reconheceu que, apesar de os testes moleculares de HPV e o tratamento ablativo estarem disponíveis há mais de 15 anos, o desafio é garantir que essas ferramentas sejam acessíveis de forma equitativa, especialmente entre as populações mais vulneráveis. A OPAS está colaborando com os países para desenvolver estratégias que melhorem a cobertura, coordenando campanhas de imunização, planejamento estratégico e alianças com o setor educacional.
Apesar dos desafios, Jarbas Barbosa destacou avanços, observando melhorias nos programas contra o câncer de útero, com a introdução da vacina contra o HPV em 47 países e territórios nas Américas, cobrindo 92% da região. Ele também mencionou que 27 países vacinaram meninos contra o HPV no ano passado, representando mais da metade dos países que já introduziram a vacina contra o HPV.
Dose única
Uma medida que pode acelerar a cobertura vacinal contra o HPV é a aplicação da dose única, que recebeu apoio da OMS e é vista como uma oportunidade para atingir uma cobertura mais ampla. O diretor-geral da OPAS/OMS, Jarbas Barbosa, elogiou os esforços do Ministério da Saúde do Brasil para adotar o esquema de dose única e iniciar a recuperação após o impacto negativo da pandemia.
Antes da pandemia, o Brasil alcançava cerca de 67% de cobertura vacinal completa contra o HPV, mas no ano passado registrou uma cobertura de 58%. Barbosa expressou confiança de que o país se recuperará e superará as taxas de cobertura pré-pandemia, atingindo a meta de vacinação de 90% até 2030, graças ao comprometimento do governo federal, do Ministério da Saúde e dos governos estaduais e municipais.
Apesar da importância da vacinação, o diretor alertou que ela sozinha não eliminará o câncer do colo do útero, sendo essenciais também o rastreamento e o tratamento. Ele destacou as deficiências nos programas de rastreamento baseados em citologia, que estão em vigor na maioria dos países há mais de 40 anos, devido a problemas nas estruturas laboratoriais, na formação de pessoal e em equipamentos, além de desafios logísticos.
Barbosa enfatizou a necessidade de mudar para abordagens mais simples com testes mais eficazes de HPV e tratamento ablativo. A OPAS oferece testes de HPV e dispositivos de tratamentos ablativos por meio do Fundo Estratégico, que facilita o acesso a preços acessíveis para os países, independentemente do tamanho de sua população. Ele encorajou a participação nesse mecanismo para aumentar o acesso e a disponibilidade de tecnologias de rastreamento organizado e tratamento de lesões precursoras.
Países-membros
Como explicou, a OPAS está colaborando estreitamente com os países-membros para implementar o teste de HPV nos serviços de atenção primária à saúde, com três países já tendo programas nacionais de rastreamento baseados nesses testes moleculares. Ele parabenizou o Ministério da Saúde do Brasil pelo reconhecimento e trabalho realizado no estado de Pernambuco na introdução do teste de HPV como política pública.
Barbosa elogiou também o Ministério da Saúde brasileiro pelo lançamento da campanha de eliminação do câncer do colo de útero pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), demonstrando preocupação em alcançar as populações mais vulneráveis. Ele destacou positivamente o desenvolvimento do teste de HPV no Brasil, mostrando o compromisso das partes interessadas em abordar de maneira sustentável a estratégia de eliminação da doença no país.
O diretor expressou confiança de que, com o alto comprometimento e a forte vontade política no Brasil, o país alcançará as metas estabelecidas para vacinação, testes de HPV e tratamento. Ele enfatizou a importância do momento para trabalhar ainda mais arduamente com a OPAS e o Ministério da Saúde do Brasil para avançar na eliminação do câncer cérvico-uterino na região das Américas.
A secretária de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Ethel Leonor Noia Maciel, que representou a ministra Nísia Trindade no encontro, reforçou que a vacinação contra o HPV e outras doenças é uma prioridade da pasta. Ela destacou a nova metodologia de microplanejamento lançada em parceria com a OPAS, que permitiu superar barreiras específicas em cada local do país. A secretária ressaltou o financiamento repassado para estados e municípios, enfatizando a importância de ultrapassar barreiras para garantir que a vacina alcance toda a população brasileira.
Ethel mencionou as mudanças significativas no Programa Nacional de Imunizações, incluindo a disponibilização da vacina contra o HPV para vítimas de violência sexual. Ela destacou o combate a informações falsas sobre a vacina e a importância de colaboração contínua para transformar a saúde da população brasileira.
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