O que é contabilidade mental e como ela afeta sua empresa


Se você nunca tinha ouvido falar em contabilidade mental, é provável que a expressão tenha se juntado ao seu vocabulário nos últimos dias. Ela é fruto de uma pesquisa na área de economia comportamental que levou o Prêmio Nobel de 2017, entregue ao americano Richard Thaler em 9 de outubro. O curioso, como veremos neste artigo, é a forma como se aplica às suas decisões financeiras.

Contabilidade mental: o que significa?

Até a pesquisa de Thaler, as principais linhas de estudos econômicos apontavam para um comportamento racional do ser humano em suas decisões de compra. Não que não agissem por impulso, mas as escolhas sobre gastos, na maioria das vezes, estariam pautadas sobre aspectos lógicos.

Trazendo para o mundo empresarial, significaria dizer, por exemplo, que entre investir em treinamentos da equipe ou em um novo maquinário, sua escolha seria pela despesa o mais racional possível. Parece justo, certo? Afinal, há uma série de fatores que você costuma pesar antes de abrir o caixa.

Mas ao defender a hipótese de contabilidade mental, Richard Thaler foi em direção oposta. Para ele, é equivocada a ideia de que homens são seres racionais e que, por isso, tomam decisões com base em custos e benefícios.

Indo além, ele defende, inclusive, que somos propensos a optar pela pior alternativa quando diante de duas possibilidades distintas. Como no exemplo que apresentamos antes, sobre no que investir na empresa. Segundo Thaler, é muito provável que você faria a escolha errada nessa situação.

E uma das razões para o equívoco tem tudo a ver com a rotina de um dono de negócio: a falta de tempo para refletir sobre a questão e o próprio hábito de não fazer isso.

O mais grave dentro do conceito de contabilidade mental é que, sem haver um foco específico nas decisões, elas são tomadas de maneira limitada e simplificada, sem observar seu efeito geral. Dessa forma, não se considera todas as alternativas e nem mesmo as suas consequências.

É como define Thaler: estabelecemos uma forma de divisão do dinheiro com base em uma contabilidade própria e irracional. Mas como isso tudo afeta o seu negócio? Vamos entender melhor.

Efeitos práticos no dia a dia da empresa

A pesquisa que rendeu o Nobel de Economia a Thaler é genérica, ou seja, não específica sobre o comportamento de empresas e de donos de negócios. Ainda assim, revela contribuições interessantes para entender o modo de agir à frente delas e, a partir daí, rever condutas.

Vamos, por exemplo, analisar uma de suas frases mais marcantes nesse processo: “Nas grandes decisões, há pouco espaço para a aprendizagem.” No que tal sentença pode nos inspirar?

A economia tradicional sempre defendeu que a prática levava à perfeição. Ou seja, conforme um processo era repetido, a decisão sobre ele era qualificada. Para Thaler, o problema disso é que nem sempre há tempo para tal aprendizado.

Na gestão de uma empresa, por vezes, as decisões a tomar envolvem algo grande, com o qual não se está acostumado por não haver experiência anterior. Ter que decidir por buscar um empréstimo, por abrir uma filial ou mesmo por encerrar o negócio não tem o mesmo peso de racionalidade aplicada à compra de insumos, por exemplo.

Você pode não ser um hábil negociador e cometer falhas na reposição de estoque, mas qualquer irracionalidade nesse tipo de gasto tende a ser sanada no longo prazo. É o tão famoso aprendizado que a experiência proporciona.

Mas para as grandes decisões, como destaca Thaler, você olha para o passado e não encontra parâmetros. E se acabar se dedicando menos tempo e com menos afinco à questão, não raro irá mesmo pelo pior caminho, como o economista sugere em sua pesquisa.

Nunca são apenas números

Este é outro ponto de destaque na economia comportamental, que não se limita aos números ao englobar aspectos da psicologia para entendimento de nossas ações e reações.

Diferentemente de Thaler, a maioria dos estudiosos sempre tratou matemática e economia como elas pareciam ser: ciências exatas e frias. Na prática, a busca pela racionalidade consideraria apenas aquilo que se vê, ou seja, os números e a sua análise. Por um lado, isso é ótimo para a empresa. Por outro, é um fator limitante.

 

Não dá para negar como olhar para os resultados do negócio ajuda a entender a sua realidade financeira, a capacidade de pagar suas contas em dia, além de projetar o futuro que vem por aí. Contra eles, difícil argumentar.

Mas sempre houve – e sempre haverá – algo comum aos donos de negócios, que diz respeito à sua intuição. Especialmente diante das tais grandes decisões, que podem mudar bastante os rumos da empresa, não há como restringir a análise apenas à frieza dos dados do seu fluxo de caixa, por exemplo.

Por mais que eles indiquem que determinado projeto é seguro, há outras variáveis envolvidas, algumas bem mais difíceis de mensurar. Como podemos ver, a análise pode ser bem mais empírica do que científica e racional. E não há exatamente um erro nisso.

Arquitetura da escolha

Richard Thaler é coautor do best seller mundial Nudge: o Empurrão para a Escolha Certa. No livro, ele argumenta, por exemplo, que existe uma espécie de “arquitetura da escolha” a estabelecer. Seriam parâmetros para facilitar o reconhecimento das melhores opções.

O mais interessante disso é que o conceito no meio empresarial não se limita às próprias decisões acerca do negócio, mas também àquelas que envolvem seus clientes.

Ou seja, donos de negócios que conseguirem fazer uso dos principais achados da economia comportamental, poderiam ter melhores resultados ao atrair clientes para comprarem seus produtos e serviços. Na prática, teriam um maior conhecimento sobre aquilo que seu público prioriza na decisão de compra. O que tem pouco de racional, como vimos.

Menos cálculos, mais reflexão

Neste artigo, falamos sobre a escolha de Richard Thaler e sua teoria da contabilidade mental como Nobel de Economia em 2017. Vimos que suas contribuições são muito interessantes para entender as próprias decisões à frente de uma empresa, assim como aquelas tomadas pelos clientes.

Como dica final, não se recomenda que abandone os números e a frieza matemática por eles gerada. A ciência exata continua sendo de grande utilidade para a gestão do negócio. No entanto, permita-se dedicar mais a pensar sobre a empresa. Decisões mais assertivas podem estar à sua espera a partir da adoção de novos hábitos.

Via ContaAzul

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