Várias são as características necessárias a um bom contador. Ter visão sistêmica do negócio, estar por dentro das novidades e em constante processo de formação são algumas delas.

E se há algum tempo o contador confeccionava as demonstrações contábeis apenas para atender às obrigações acessórias do fisco, hoje estas demonstrações têm ganhado um papel cada vez mais estratégico junto à administração e ao contador.

Assim, trouxemos este artigo para apresentar, de forma simples, a importância da DRE na contabilidade.

Definição de Demonstração de Resultados do Exercício (DRE)

Manual de Contabilidade Societária define a Demonstração de Resultados do Exercício (DRE) como “uma apresentação resumida das operações realizadas pela empresa durante o exercício social, de forma a destacar o lucro líquido do período“. A DRE deve ser uma representação do desempenho da entidade em um determinado período, demonstrando suas receitas e despesas, incluindo perdas e ganhos.

Apesar de ser obrigatória, a DRE já foi uma peça contábil subvalorizada pelas pequenas e médias empresas. Era prática comum confeccioná-la somente uma vez por ano apenas para atender às obrigações fiscais. Hoje, porém, a exemplo das grandes companhias, estas mesmas empresas veem na elaboração mensal da DRE uma grande ajuda para avaliar quesitos importantes como faturamento, custos e rentabilidade de suas operações.

A elaboração da DRE pode variar de uma empresa para outra, a fim de atender às necessidades gerenciais que podem mudar dependendo da atividade e do porte da empresa. No entanto, deve-se sempre observar as regras para sua confecção especificadas pela Lei nº. 6.404/76.

DRE e o padrão internacional de reporte

As novas normas de contabilidade definidas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) tem por objetivo harmonizar as normas e padrões contábeis brasileiros com aquelas definidas internacionalmente pelo International Financial Reporting Standards (IFRS). Este padrão de demonstrações contábeis é utilizado quando o objetivo é fornecer informações que sejam úteis aos usuários em geral em lugar de atender apenas às necessidades de grupos específicos de usuários.

Com isto, para que a DRE atenda ao padrão internacional de reporte, é necessário observar os seguintes pronunciamentos emitidos pelo CPC:

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  • CPC 00 (R1) – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro: estabelece os conceitos que fundamentam a elaboração e a apresentação de demonstrações contábeis destinadas a usuários externos;
  • CPC 36 – Demonstrações Consolidadas: deve ser aplicado na elaboração e apresentação de demonstrações contábeis consolidadas de grupo econômico de entidades sob o controle de uma mesma empresa controladora;
  • CPC 35 – Demonstrações separadas: deve ser aplicado na contabilização de investimentos em controladas, em coligadas e em empreendimentos controlados em conjunto, sempre quando a entidade investidora eleger, ou for requerida pela legislação local, a apresentar demonstrações separadas.

Empresas de menor porte, porém, não precisam observar os pronunciamentos acima, já que apresentam estruturas e operações mais simples. Para estas, o CPC emitiu um pronunciamento exclusivo: O CPC PME – Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas.

Principais itens da DRE na contabilidade

Uma vez que a legislação não estabelece um modelo padrão único para a DRE, cada contabilista deve observar as normas vigentes para elaborar um formato que melhor atenda às necessidades gerenciais e fiscais da empresa. Todavia, trazemos um modelo sintético bastante comum para a demonstração de resultados:

Faturamento Bruto

(-) Deduções e Impostos sobre as vendas

(=) Receita Líquida

(-) Custos dos Produtos Vendidos / Serviços Prestados

(=) Lucro Bruto

(Despesas)  / Receitas Operacionais

(-) Despesas com vendas

(-) Despesas administrativas

(-) Despesas tributárias

(-) Despesas gerais

(-) Outras despesas operacionais

(+) Outras receitas operacionais

(=) Resultado antes de despesas e receitas financeiras

(-) Despesas financeiras

(+) Receitas financeiras

(=) Resultado antes do imposto de renda e contribuição social

(-) Imposto de Renda

(-) Contribuição Social

(Despesas)  / Receitas não operacionais

(-) Despesas não operacionais

(+) Receitas não operacionais

(=) Resultado Líquido

Análise da DRE

As duas formas mais comuns de se analisar a DRE são: utilizar a análise vertical e a análise horizontal.

1. Análise Vertical

Na análise vertical, calcula-se o percentual de cada rubrica da DRE em relação ao Faturamento Bruto. Assim, é possível analisar quais despesas foram responsáveis por diminuir ou aumentar a margem de lucro da empresa em um determinado período.

2. Análise Horizontal

Ao contrário da primeira, o objetivo da análise horizontal é acompanhar a variação em uma mesma rubrica de receitas ou despesas ao longo de dois ou mais períodos.

Estas duas análises são complementares e devem ser utilizadas em conjunto. É possível ainda somar a estas análises o uso de indicadores de resultados.

Análise de indicadores de resultado

Os indicadores de resultado são uma ferramenta importante para os gestores de empresas de todos os portes. Eles permitem decisões mais assertivas sobre os rumos do negócio e podem também servir como base para a elaboração de planos de metas.

Os principais indicadores obtidos a partir da DRE são:

  • Margem de lucro líquida: é o valor percentual obtido pela divisão do Resultado Líquido (Lucro Líquido) pela Receita Líquida. Quanto maior for o índice encontrado, melhor;
  • Margem operacional: representa a porcentagem de cada real de venda que restou após a dedução das despesas operacionais (despesas com vendas, administrativas e tributárias);
  • EBITDA: expressão em inglês para o Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (LAJIDA). É bastante utilizado por ser o indicador que melhor expressa a relação entre o resultado e o retorno de dinheiro em caixa decorrente das atividades da empresa no período.

Informações adicionais sobre a DRE

A DRE na contabilidade não funciona sozinha. Ela faz parte de um conjunto de demonstrações que também é composto pelo balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado Abrangente, Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido e Demonstração dos Fluxos de caixa, Demonstração do Valor Adicionado e Notas Explicativas.

Estar familiarizado com estas demonstrações é fundamental para uma boa gestão financeira, mesmo que você não seja um contador.

BLB Brasil

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