O que vai mudar na Gestão Empresarial? Os CEOs respondem

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O futuro dos negócios após a crise causada pela pandemia do novo coronavírus será baseado mais em uma redefinição do trabalho do que o reinício das atividades.

Esta é uma opinião compartilhada por 14 dos 500 principais CEOs do mundo listados em uma pesquisa realizadas pela revista Fortune.

Isso porque durante a quarentena novas convicções foram criadas na mente dos executivos, assim como uma opinião compartilhada de certas atividades cairão em desuso.

Entre as certezas estão as de que: o supply chain do varejo passará por mudanças profundas, home office funciona, viagem empresarial de negócios é coisa do passado e como e porque você irá adquirir novos produtos e serviços ganhará uma novo significado.

Além disso, a pesquisa aponta para outras questões, como a volta da atividade econômica ao nível pré pandemia, e o retorno da força de trabalho quando houver o controle total dos casos de transmissão do coronavírus.

O desafio dos CEOs

Para os CEOs o maior desafio na gestão empresarial é continuar a fazer a ‘máquina funcionar’ com mínimo possível da perda de força de trabalho nas organizações.

Portanto, o desafio imposto na pandemia é esse, até quando os líderes podem funcionar – e como -, tendo que seguir uma série de protocolos de segurança que por vezes inviabilizam as suas operações?

Embora a curva de contaminação esteja começando a achatar em termos globais, a história mostra que a maior parte dos infectados pela gripe espanhola, que assolou o mundo no início do século passado entre os anos de 1910 e 1920 matou mais pessoas em sua segunda onda de transmissão.

O que leva ao paradigma enfrentado: agora que a pressão econômica pela reabertura das atividades comerciais está posta, como garantir a segurança de todos os colaboradores? Tendo os exemplos da história para seguir, todos eles pregam a cautela e cuidado, mas acima de tudo uma oportunidade para ressurgir de um momento tão delicado quanto o atual.

“No meio de uma crise desta dimensão, as prioridades da empresa se tornam bastante claras e bem rápido.

Essas prioridades são cuidar dos seus clientes e cuidar dos seus funcionários e continuar a prover os serviços básicos que fazem tudo valer a pena.”

“Você também passa a pensar sobre o futuro, sobre o que irá acontecer no fim da crise, os diferentes cenários que podem acontecer no longo prazo, como os resultados financeiros, como o preço das apólices de seguro das suas operações, no que envolve seus clientes e seus funcionários.

Estamos enfrentando apenas os estágios iniciais desse evento.

Por isso, vamos nos manter fiéis às nossas prioridades básicas”, disse Lynn Good, CEO da Duke Energy.

Geração de empregos

Na pesquisa, a Fortune perguntou: em janeiro de 2021 o quanto você espera que sua empresa tenha de empregabilidade se comparado ao mesmo período de 2020?

Apenas 3.6% dos entrevistados respondeu ‘muito mais’, e a maioria, 53.6% respondeu ‘um pouco menos’.

Em outra questão correlata, foi perguntando: quando ao menos 90% de sua força de trabalho retorna aos seus postos de trabalho?

Para 20.2% dos entrevistados, em janeiro de 2021, mas para a maioria 26.2% esse retorno nunca ocorrerá.

Ainda sobre a questão do emprego, na pergunta: você teve de demitir ou manter trabalhadores em resposta a crise do coronavírus? A maioria dos CEOs entrevistados, 48.9% não demitiu nenhum funcionário, ao passo que 22.6% dos entrevistados afirmam que foram obrigados a enxugar sua estrutura e demitir mais de 10% do quadro de funcionários, 8.3% demitiram entre 5% e 10% de funcionários.

Apenas 7.1% dos funcionários responderam que contrataram pessoas durante a crise.

Custos e pagamentos

A demissão ou desligamento temporário é apenas uma das formas encontradas para manter a empresa viva e funcionando durante a crise.

Os funcionários mantidos com seus empregos tiveram de entrar em acordo com seus ganhos junto dos CEOs, isso inclui o salário dos próprios executivos.

Para a pergunta: Você concorda em um corte de ganhos para compensar os resultados da empresa durante a crise? A maioria dos CEO’s, 50% concordaram em cortes de seus ganhos, contra 48.8% que não chegaram a um acordo sobre o corte dos próprios salários e benefícios.

Além de custos como energia, aluguel e melhorias na infraestrutura das empresas teve de ser revisto.

Na pergunta: quando esperar que o investimento de capital na própria empresa alcance os mesmos níveis de 2019? Para 35.7% dos CEOs esse investimento se dará já em 2021, 27.4% em 2022, 13.1% ainda em 2020 e 13.1% respondeu que só investirá capital em 2023.

Houve ainda os que responderam que nunca mais iriam repetir o mesmo nível de gastos no patamar de 2019, cerca de 4.8%.

Isso porque muitas empresas encontraram novas maneiras de trabalhar, sendo o home office a principal delas.

Para a pergunta: essa crise terá que efeito no ritmo de aceleração tecnológica de sua empresa? A maioria, 75% disse que a crise acelerou, contra somente 19% que informou não ter havido qualquer transformação.

“É incrível a rapidez com que nossa organização se adaptou a um novo ambiente de trabalho.

Parte disso é que já tínhamos sido instrumentados para poder fazer algo assim.

Eu acho que se tivéssemos [quase todo mundo trabalhando remotamente] 10 anos atrás, o setor teria desmoronado”, disse Steve Mollenkopf, CEO da Qualcomm.

Ou seja, a ideia de um prédio com dezenas ou centenas de pessoas trabalhando juntas em frente ao computador e todo o gasto estrutural que isso acarreta já não faz mais sentido para essas empresas, principalmente as ligadas com tecnologia e a Industria 4.0.

Viagens de negócios

Se está tudo se encaminhando bem para as empresas de tecnologia, o mesmo não se pode dizer das empresas aéreas, de hotelaria e turismo.

Viajar em um avião tornou-se um risco, além de visitar países que são tradicionalmente pontos turísticos conhecidos e enfrentar uma aglomeração de pessoas é impensável no momento.

A única saída para a empresas aéreas, de hotelaria e turismo é a espera por um controle maciço no número de contágios, além de uma vacina para a covid-19.

No que diz respeito a viagens de negócios geralmente feita por vendedores, representantes comerciais e executivos a fim de fechar novas parcerias, esta deve se tornar uma atividade cada vez mais rara no mundo pós pandemia. 

Isso porque plataformas como o meeting do Google e o Zoom, que são ferramentas de videoconferência envolvendo múltiplas pessoas tornou-se uma realidade, o que torna uma viagem para outro estado ou país algo obsoleto.

Na pergunta: Quando as viagens de negócios em sua empresa voltarão aos níveis da pré pandemia?

Mais da metade dos CEOs entrevistados, 51.1% informou que nunca, 25% disse que apenas em 2022 e 14.3% disse que já em 2021 elas retornarão ao normal.

“Temos que reconstruir e incutir confiança no público em viagem de que é seguro viajar novamente.

Estamos implementando todas as medidas de distanciamento social que você pode tomar.

Mudamos todo o processo de embarque – não é seguro que as pessoas na frente passem por eles, então agora estamos embarcando na parte de trás do avião.

Home Office

Não embarcaremos em um avião que esteja mais de 60% cheio na cabine principal ou 50% cheio na 1ª classe”, disse Ed Bastian, CEO da Delta Airlines, gigante do setor aéreo.

“Não vamos necessariamente reconstruir o que tínhamos.

Estamos economizando dinheiro para passar um inverno difícil e talvez dois anos de dificuldade.

Vamos ver isso preservando nossa flexibilidade financeira”, disse Ed Bastian, CEO da Delta Airlines, gigante do setor aéreo”, continuou.

“O maior obstáculo que estou vendo é a tensão entre o desejo de voltar às nossas rotinas antigas e a preocupação com a propagação contínua do vírus.

A melhor maneira de resolver isso é criar confiança de que os consumidores podem se movimentar com segurança, oferecendo testes robustos e dobrando a contenção.

À medida que obtemos uma compreensão maior daqueles que são mais vulneráveis, precisamos fazer tudo o que pudermos para protegê-los”, informou Christopher Nassetta, CEO da rede de hotéis Hilton.

O supply chain do futuro

Não é exagero dizer que o modelo de funcionamento de muitos negócios foi afetado durante a crise.

A inflação no preço de certos gêneros alimentícios é reflexo da oferta e demanda por eles.

Não apenas alimentos, a pandemia do novo coronavírus deixou a lição que é preciso rever a cadeia logística de supply chain management de matéria prima, de insumos para produtos hospitalares, eletroeletrônicos e do dia a dia. 

A maioria dos CEOs entrevistados concorda que uma onda nacionalista está tomando corpo.

Além de implicações xenófobas nocivas, isso também acena que os países irão buscar soluções de fomento da indústria nacional de uma série de produtos em detrimento de uma cadeia global de supply chain como nos acostumamos a ver na era da globalização nos últimos anos.

“O mundo nunca voltou ao normal após 11 de setembro de 2001 e não voltaremos ao antigo normal agora.

Estamos repensando nossa cadeia de suprimentos. Não vamos nos permitir escassez de luvas, máscaras ou desinfetante para as mãos.

Teremos uma ampla e diversificada cadeia de suprimentos para reforços de imunidade, como vitamina D e vitamina C.

Também conquistamos participação de mercado em supermercados e, geralmente, quando você ganha participação de mercado, a mantém”, disse Heyward Donigan, CEO da Rite Aid.

“Neste novo mundo, todos têm responsabilidade um com o outro e nós temos a responsabilidade de fornecer um ambiente de varejo seguro.

O trabalho do governo é advogar por isso e permitir isso”, disse Sonia Syngal, CEO da GAP.

“Quanto às tendências de vendas? A casualidade de como os americanos estão se vestindo e o foco no vestuário ativo se aceleraram na crise da covid-19.

Na última vez que verifiquei, as pessoas vestiam roupas todas as manhãs. É uma necessidade”, continuou a CEO.

A mira no varejo online

Como era de se esperar, as grandes marcas que atuam no comércio estão com os olhos virados para lojas virtuais de varejo online.

Na impossibilidade de estar presente na loja física, os consumidores devem ter uma experiência agradável ao visitar os sites de compras na internet.

As vendas pela internet foi algo que não passou despercebido pelos CEOs de grandes varejos populares e mais elitizados como a londrina Herrods e a novaiorquina Macy’s.

O que deve se seguir daqui para frente é num forte investimento em canais omnichannel de atendimento ao cliente, aprimoramento de presença nas redes sociais e na estrutura de segurança de sites de e-commerce para garantir compras com cartão de crédito, satisfação e confiabilidade do consumidor final.

Muitos deles que, que outrora nunca haviam pensado em adquirir bens na internet.

“Vimos uma aceleração significativa em nossos negócios online.

Para nós, a oportunidade desta crise está usando nossos recursos omnichannel para ajudar as equipes de loja a se prepararem rapidamente para abrir ao público, além de gerenciar o inventário em relação à demanda online”, comentou Syngal, da GAP.

“Estamos cortando nossos gastos quando olhamos para 2020 e 2021. Mas posso dizer o que vamos ampliar: o digital.

Ainda assim, ainda há um papel importante para as lojas. Quando sairmos disso, as pessoas ainda vão querer ir às lojas”, disse o CEO da Macy’s Jeffrey Gennette.

“Os clientes querem melhores experiências e melhores marcas. Essa é a mesma ordem de oportunidade que o digital.

Nós seremos menores e seremos mais alavancados. Mas temos um caminho a seguir”, concluiu.

Lições

Em resumo muitas lições foram tiradas da crise e a partir delas serão formulados os caminhos para o futuro.

Esse futuro não será o mesmo para diversos segmentos de negócios. Isso é um fato.

Mas de certezas, para os CEOs o que ficou mais marcado foi o verdadeiro significado da palavra ‘essencial’ na vida de seus clientes e funcionários.

Por fim, a certeza de que os valores de uma boa liderança sempre importam, mas ganham um contorno ainda maior durante uma crise.

Fonte: Fox Manager

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