Operação “Tokusatsu” investiga contadores no interior de São Paulo

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A Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz/SP) deflagrou nesta terça-feira (1°), em Rio Claro, a operação “Tokusatsu” contra a sonegação de R$ 37 milhões em um esquema formado por uma organização criminosa que reúne pessoas físicas e contadores.

Nesta manhã, são cumpridos oito mandados de busca e apreensão, sendo cinco em residências e três em escritórios de contabilidade.

A ação conjunta com o Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Contra o Crime Organizado (Gaeco), visa combater a fraude tributária estruturada milionária envolvendo o ICMS.

As operações geradas pelas empresas de fachada possibilitaram o aproveitamento de crédito de ICMS por empresas cerâmicas e de alimentos, localizadas na região de Rio Claro.

Fraude contadores

Investigação

Segundo o Fisco paulista, a investigação originada em 2019 identificou 44 empresas fictícias. Elas foram criadas especificamente para transferir créditos de ICMS, em operações simuladas que superaram a cifra de R$ 232 milhões, com sonegação estimada de R$ 37 milhões.

Durante a operação Tokusatsu, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em cinco residências e três escritórios de contabilidade, por agentes fiscais de rendas da Sefaz/SP e promotores de Justiça, com apoio da Polícia Militar, em uma força-tarefa conjunta.

O objetivo dos mandados foi recolher mais provas sobre a fraude, que serão aproveitadas em procedimentos tributários e penais.

Fraude fiscal

Fisco paulista e MP deflagram operação em Rio Claro — Foto: Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo/Divulgação

Thiago Martins, delegado tributário da DRT-15 (Delegacia Regional Tributária) de Araraquara, destacou que na fraude fiscal foram identificadas empresas criadas, inclusive, em terrenos baldios.

“Essas empresas de fachada emitiam notas fiscais com destaque do ICMS, obviamente esses impostos não eram pagos e, sequer, declarados. Entretanto, essas notas eram escrituradas como insumos por um outro grupo de empresas que de fato existem”, explicou.

Com este mecanismo, o segundo grupo de empresas reduzia significativamente o ICMS devido, causando um prejuízo milionário à sociedade do Estado de São Paulo.

“Vale ressaltar, ainda, que o grupo criminoso ocasiona um desequilíbrio na concorrência entre as empresas que cumprem com suas obrigações conforme determina a lei, podendo ocasionar o fechamento delas e de postos de trabalho”, disse o delegado tributário.

Nome da operação

Tokusatsu é nome de um gênero amplo de produções japonesas que envolvem efeitos especiais.

O nome foi escolhido para batizar a operação em virtude de um dos líderes do esquema ter apelido que remete ao gênero.

Redação Jornal Contábil e EPTV