Desde o começo da pandemia provocada pelo novo coronavírus, setores como o de e-commerce registraram alta no mercado nacional, especialmente nas vendas de produtos efetuadas por meio de smartphones. 

Segundo o Instituto Locomotiva, as compras feitas com o uso de aplicativos cresceram 30% no Brasil somente no primeiro mês da quarentena.

O aumento foi significativo entre pessoas com mais de 50 anos, que geralmente tinham mais resistência às compras pela internet, e também entre clientes das classes C, D e E, que, somados, representam mais da metade dos consumidores brasileiros.

A tendência, inclusive, é de que comprar via apps não seja uma moda passageira, mas se torne rotina mesmo com o fim da pandemia.

Segundo o Instituto Locomotiva, quase metade das pessoas ouvidas (49%) declarou que pretende ampliar a prática para depois do isolamento social. 

Além disso, cerca de um terço (32%) pontuou que planeja reduzir as idas às lojas físicas.

Ao que parece, a comodidade e a praticidade de adquirir produtos sem sair de casa, utilizando apenas um aparelho celular, vieram para ficar. 

Falta de profissionais e oportunidades de emprego

Antes mesmo da pandemia, o Brasil já era apontado como o segundo mercado de aplicativos que mais cresce no mundo, atrás apenas da Indonésia, de acordo com levantamento do Adjust, empresa de análise e prevenção de fraudes do setor. 

É um cenário promissor, baseado nas melhores expectativas, mas que esbarra na falta de mão de obra qualificada.

Como se trata de um segmento que está em plena expansão, é comum haver mais vagas disponíveis do que profissionais capacitados para ocupá-las. 

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), a cada ano são demandados mais de 70 mil especialistas em tecnologia.

Em contrapartida, apenas 46 mil se formam na área. 

O salário deste perfil profissional pode ultrapassar os R$ 12 mil, dependendo da cidade, empresa e tipo de serviço prestado.

“O mercado de desenvolvimento mobile está muito aquecido, de modo que as empresas, cada vez mais, estão se transformando digitalmente e buscando soluções mobile para si. Esse aquecimento se deve ao fato de a grande maioria das pessoas do mundo já possuírem smartphones, sendo um dos principais meios de conectividade atuais”, explica Daniel Gunna, Tech Lead na Área de Android, e professor de Android na Code Dojo.

O segredo para quem pretende aproveitar o horizonte positivo para entrar ou galgar novas posições no ramo da tecnologia é buscar qualificação inicial e aprimoramento constante dos conhecimentos. 

Um curso de desenvolvimento mobile, por exemplo, pode fazer diferença no currículo, sendo decisivo para uma boa colocação no mercado.

“Ter um site não é suficiente para muitas empresas, havendo a necessidade de criar aplicativos específicos para os dispositivos móveis”, pontua Gunna.

A forte demanda pelos aplicativos também exige que os profissionais do segmento tenham capacidade de trabalhar tanto com desenvolvimento IOS quanto com desenvolvimento Android, que são os sistemas operacionais mais comuns para celulares.

O boom das startups e o impacto da pandemia no consumo via internet e na necessidade das empresas se adequarem às novas demandas digitais sinalizam que não deve faltar desafios para a área de tecnologia.

Cabe a cada profissional adquirir as competências adequadas para atuar em projetos dos mais diversos tipos de negócios e aproveitar da melhor maneira possível as oportunidades deste mercado, que tendem a ser consideráveis.