Os 5 piores erros de um ‘freelance’

0
342




O freelance, enquanto empreendedor que trabalha por conta própria, deve tomar os mesmos cuidados com a carreira que um empresário tradicional. É preciso conquistar uma carteira fiel de clientes, aprender a administrar o volume de projetos que assumiu, saber dizer “não” para trabalhos que fogem do escopo do negócio.

Aprenda com os cinco erros de profissionais autônomos que quase colocaram tudo a perder.


1. Não misture alhos com bugalhos
Pablo Nuñez é um programador especialista em html5, uma linguagem de programação impronunciável que apenas os membros de sua espécie são capazes de entender, escrever e transformar em virtuosos sites. Um dia, pediram a Nuñez uma série de animações em Flash, outro código reservado a uns poucos versados em zeros e uns. “Nunca havia programado com essa linguagem, nem me importei em aprendê-la um dia porque já estava obsoleta, mas o cliente insistiu que eu usasse Flash”, lembra. Na época apenas um iniciante na vida de freelance, não se viu em condições de recusar o trabalho. “Então aceitei, porque os prazos de entrega iniciais davam margem para conseguir entregar. O fato é que os prazos de entrega nunca são confiáveis e começaram a me pressionar para terminar o trabalho antes. Estava tão atrasado e tão perdido, que encomendei essas mesmas animações para uma agência, que acabou me cobrando mais do que eu recebi”.

2. Você não é o Super-Homem
Mikel López, psicólogo, diz que por seu divã passaram vários freelances, especialmente após a crise. “Chamo diariamente a ansiedade de ‘e se…’. Muitos dos meus pacientes que trabalham por conta própria têm pavor de não saber se receberão no mês seguinte. Alguns aparecem com casos graves, apneias noturnas, durante as quais levantam no meio da noite sem poder respirar”, afirma. Segundo o especialista, o quadro é agravado porque, devido à incerteza de receita no futuro, os freelances aceitam mais trabalho do que uma pessoa normal poderia realizar. “Têm pavor de dizer ‘não’ e perder oportunidades”, complementa.

Pensava que me contratavam por meu valor, mas depois me percebi que era, simplesmente, porque sempre estava disposta a dizer sim
Andrea Larraz, ‘ex-freelance’
Mas a ansiedade não é a única consequência de acumular trabalho demais. Quanto menos tempo você tiver para realizar cada tarefa, pior será a qualidade do resultado. “Trabalhava para uma agência gigante e saí porque as horas trabalhadas não estavam em linha com meu salário. Pensei que sozinha ganharia mais, trabalhando menos tempo. Em meus primeiros anos de freelance não rejeitava absolutamente nada”, diz Andrea Larraz, que era designer autônoma e atualmente é responsável pela comunicação de uma empresa. “De repente, as horas do dia não eram suficientes e faltavam dias no ano, não dava conta. Pensei que me contratavam pelo meu valor, mas depois percebi que era, simplesmente, porque estava sempre do outro lado da linha, disposta a dizer sim”, relata.

Larraz parou de ser chamada porque seus trabalhos estavam cada vez mais medíocres. “Era muito boa, mas deixei meu talento de lado e apenas pensei no dinheiro. Resumindo, não estava entregando o que estavam pedindo, e custa muito dizer a um cliente que você vai deixá-lo na mão porque está trabalhando em outro projeto que, aliás, muitas vezes é da concorrência.”

3. A vida dá voltas
O grande sonho de um profissional autônomo é que um cliente lhe pague bem e, acima de tudo, regularmente. Por isso, quando você encontra algo assim, é tentador se acomodar nessa situação e recusar trabalhos que considera mais chatos. Cuidado: nessa época de instabilidade econômica, qualquer um pode te dar um pontapé da noite para o dia. Esse qualquer um pode ser o próprio cliente.

S.V., especialista em redes sociais, passou por isso recentemente. “Optei por ser freelance de uma só empresa, pois o salário era bom. Mas quando meu cliente começou a ir mal, ele quis revisar as condições de pagamento e, com isso, não conseguia mais pagar o aluguel. Decidi sair e procurar meus antigos clientes. Todos já estavam em outra e eu fiquei sem trabalho”, afirma.

4. Considere os custos na negociação do pagamento
Geralmente o freelance novato peca pelo excessivo rigor. E isso não se aplica só ao trabalho, mas também à sua administração como autônomo. T.G. confirma: “Acontecia especialmente com aqueles que vinham de contratos indefinidos e haviam acabado de abrir seu próprio negócio. Muitos repassavam para a empresa os mínimos gastos. Tive que gerenciar nas contas da empresa 0,18 euros (77 centavos de real) do celular de um freelance que teve de ligar para um número de informações. Sejamos sérios. É justo pedir o que é devido, mas o freelance deve assumir que o preço combinado é um serviço completo e fechado, a menos que o trabalho tenha exigido um gasto excessivo. Nesse caso, deve ser combinado com o cliente de antemão”.

Quando uma empresa vai mal, seus colaboradores costumam ser os grandes prejudicados
T. G., empresário
Da mesma forma, não se deve relaxar sobre o que realmente lhe corresponde por direito. Por exemplo, o pagamento da fatura. Ser freelance significa ser cobrador de dívidas, ficar atrás e não deixar que seja o cliente que se lembre de pagar. Muitos sofrem de um esquecimento crônico grave inesperado nesses casos e, se o freelance não for atrás, podem acabar com um tipo de Alzheimer.

5. Cuidado, a Receita Federal sempre sabe
Cuidado com as investidas da Receita Federal. Não pagar a tributação correspondente aos serviços prestados enquanto autônomo ou o imposto de renda devido pode acabar arruinando a carreira de um freelance. O caso de R. S., jornalista, é da Espanha, mas serve de alerta porque ela aprendeu a lição às duras penas. “Não tinha de pagar o IVA [imposto europeu] por meus artigos, então decidi que também não ia pagar como autônomo. Um dia recebi uma carta arrepiante com o logotipo de um ministério que me cobrava. Naquela revisão veio tudo à tona e com juros. Tive de pagar quase tudo o que tinha ganhado em dois anos”, lamenta. (Com Jornal El Pais)

[useful_banner_manager banners=21 count=1]