Os impactos causados pelo novo coronavírus (Covid-19) em todo o mundo obrigaram governos a adotarem medidas de contenção que garantam o funcionamento de serviços básicos para a população, como é o caso do fornecimento de energia elétrica.

No Brasil, consumidores de baixa renda foram isentos do pagamento das contas de energia, o corte e multas por inadimplência estão suspensos durante a pandemia.

Isso porque muitos trabalhadores ficaram desempregados ou impedidos de saírem às ruas para buscarem seu sustento, amargando graves dificuldades econômicas nesse momento de isolamento social.

Da mesma maneira, empresas e indústrias tiveram atividades diminuídas e até paralisadas, afetando a demanda das concessionárias.

Para dar suporte às distribuidoras em um momento de comprometimento de receitas e sustentar a geração e a entrega ininterrupta de energia elétrica, o governo tem feito a alocação de verbas para o setor.

No entanto, os custos desse processo devem retornar para os consumidores em um futuro próximo.

Entenda o que isso tem a ver com a sua empresa e como se organizar para evitar prejuízos.

Quando a conta de energia chega

A Abrace (Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres) e outras 50 entidades empresariais estimam um aumento de 20% nas tarifas de residências e empresas para os próximos anos.

O dispêndio será consequência do pacote de ajuda do Governo Federal ao setor elétrico por causa do coronavírus.

Uma linha de crédito bilionária foi liberada para cobrir despesas das distribuidoras, com parcelamento a ser pago pelos próximos sete anos.

As distribuidoras utilizarão o socorro para bancarem as deficiências financeiras do período e, assim, manterem suas atividades e as da sua cadeia de operação.

No entanto, assim como ocorreu anteriormente com a antiga Conta-ACR, os custos dos empréstimos tendem a se refletir como encargo tarifário nas contas dos consumidores residenciais e das empresas.

O efeito indireto esperado a partir desse cenário é uma sobrecarga para o comércio e a indústria, que têm sua atuação diretamente dependente do consumo de energia.

Energia alternativa e economia

Com a previsão de aumento de custos para os próximos anos, é importante buscar maneiras de economizar, considerando um planejamento que evite prejuízos a curto prazo.

Uma das alternativas viáveis e já facilmente encontrada no mercado é a locação de geradores de energia – equipamentos capazes de garantir autonomia produtiva para as empresas.

As empresas enquadradas na tarifação horo-sazonal azul, com consumo de alta tensão podem substituir a energia da concessionária por energia alternativa no horário de pico (entre 17h e 22h) contribuindo para diminuição drástica dos custos.

Isso porque o preço da energia neste horário pode ser 10 vezes mais caro do que em outros horários do dia.

Essas empresas com a tarifa na faixa de bandeira vermelha podem aproveitar ainda mais os benefícios, já que durante o período em que a bandeira vermelha é acionada, o preço da energia fica ainda mais alto. Logo, o acúmulo de bandeira cara e horário de pico são sinônimos de gastos elevados.

É importante ressaltar que, por causa da pandemia, o sistema de bandeiras tarifarias da Aneel, que define mensalmente os valores a serem cobrados nas contas de energia, foi suspenso até dezembro.

Nesse período, a tarifa fixada é a da bandeira verde, econômica, que não tem acréscimo de valor. Diferente das outras duas, a amarela e a vermelha, que adicionam custos extras para os consumidores.

Essa é outra questão estruturante que só deve ser definida em 2021 e, por isso, também incentiva a busca de soluções inovadoras por parte das empresas.

Há ainda outras possibilidades interessantes de serem pesquisadas como a realização de estudos personalizados para readequação energética das empresas e otimização sistêmica do consumo de energia.

Por Tecnogera