A pandemia tem sido um fator importante para a transformação de inúmeros modelos de negócios, impondo uma agilidade de transformações que “força” empresas a mudarem se quiserem continuar no mercado.

Surgem com esse problema de saúde pública mundial, novas tecnologias, um novo olhar sobre o trabalho home office e equipes mais ágeis do que nunca.

Segundo estudo realizado pela Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) em parceria com as demais Associações Nacionais de Anunciantes da América Latina, 81% das empresas creem que esse momento caótico é ideal para que se repense as estratégias de marketing.

Fizeram parte da pesquisa 100 entrevistados, dentre eles, 30 empresas brasileiras.

Já em pesquisa realizada pela agência The Heart e pela consultoria Bistrô Estratégia, foi mostrado que 50% dos anunciantes que possuem contratos fixos mensais de trabalho com agências de publicidade, tendem a estabelecer mudanças nessa relação no pós-pandemia.

Dentre os 35 diretores de marketing, de empresas como Pepsico, Unilever, P&G e Alpargatas, entre outras, 26% afirmaram a necessidade da entrega de um melhor custo-benefício e 19% afirmaram que irão escolher empresas que estejam preparadas para novos desafios e que apresentem maior capacidade de adaptação.

A criatividade e estratégia digital foram os “pilares” mais mencionados dentre os participantes da pesquisa.

Anatomia da transformação nas agências de publicidade

A Plano Consultoria em sua ampla experiência em transformação organizacional vem atuando, inclusive, no processo de transformação em algumas das grandes agências de publicidade como Africa, Tracy-Locke e Bferraz, traz alguma reflexões sobre quais mudanças são tão necessárias hoje dentre as agências de publicidade.

Em entrevista concedida em 2019 ao veículo Meio & Mensagem, o sócio-diretor da Plano, José Carlos Torquato falou sobre a atuação da Plano transformando negócios de maneira ágil e colaborativa, ou seja, de uma vivência dentro de cada empresa e de suas particularidades, atuando em todas as etapas com o objetivo da transformação.

Se as empresas não são iguais, logo, as soluções também são diferentes para cada ambiente organizacional.

Cada empresa, segundo Torquato, é compreendida como um grande “fluxo de agregação de valor” e até mesmo aquilo que em primeiro momento pode demonstrar desimportante na entrega proposta, precisa ser questionado e repensado.

Transformação ágil é essencial

Uma gestão baseada na transformação ágil é de extrema importância e necessidade, ainda mais quando são vivenciados contextos complexos como é o caso dessa crise por conta da Covid-19.

O que é mencionado no mundo VUCA, regido por volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, tem sido experimentado agora “à força” por muitos negócios, inclusive, pelas agências de publicidade.

No mundo ágil, vale a máxima do “fail fast and learn fast” (falhe rápido e aprenda rápido), ou seja, não há muito tempo para a elaboração de novas estratégias, e o modelo de transformação ágil lida diretamente com os pilares da incerteza e da criatividade.

Nas agências de publicidade, dentre os principais benefícios desse modelo de gestão ágil estão a melhoria da qualidade do produto, resultado de uma melhor comunicação interna e o aumento de eficiência operacional, resultado da diminuição nos índices de refação de Jobs e diminuição do time-to-market.

O que muitas agências têm vivenciado, ainda mais em fase de pandemia é essa necessidade de apresentar soluções específicas para cada cliente, sem uma “fórmula genérica”, o mesmo que propõe o modelo de gestão baseado na transformação ágil.

Agências de publicidade

Variações de modelo de trabalho entre as agências de publicidade

Algumas empresas hoje também optam por um time diversificado, como é o caso da Ambev, que adotou um modelo de “estúdio de conteúdo próprio” (Draftline), criado em julho de 2018, que conta com um time de profissionais formado por três agências diferentes.

Aliás, esse modelo da Ambev leva a uma reflexão sobre trabalho colaborativo, em que empresas distintas assumem um mesmo projeto de comunicação e precisam alinhar as suas estratégias em prol do alcance de objetivos em comum, sem aquela visão tradicionalista e retrógrada de “rivalidade” ou de exclusividade.

Se a comunicação é plural, tende a ser compreendido como perfeitamente natural que se adotem várias estratégias concomitantes para o alcance de objetivos em uma campanha.

Modelo In House

Outra tendência vivenciada por grandes empresas, como é o caso da Hypera Pharma, considerada a 2ª maior anunciante do Brasil, englobando 50 marcas de produtos farmacêuticos, dentre elas: Benegrip, Doril, Engov e Gelol, é o modelo de agência interna, conhecida como “in house”.

A empresa britânica Oliver, com 40 operações espalhadas pelo mundo e no Brasil desde 2017, é uma das responsáveis por esse modelo de montar agências dentro de clientes.

Confira o vídeo do CEO da Oliver na América Latina, Raffael Mastrocola, contando sobre os principais obstáculos das agências in house em tempos de Covid-19 e sobre o desafio de oferecer um modelo de agência adaptável aos clientes, diferente do tradicional, que propõe o oposto:

Demanda por maior por eficiência

Muitas agências de publicidade têm atuado no mercado como “consultoras de comunicação”, procurando auxiliar os seus clientes na resolução de problemas pontuais com eficiência.

Para isso, é necessário reorganizar e transformar os processos de trabalho, aplicando metodologias internas da melhor maneira.

Tem sido cada vez mais comum encontrar agências com “catálogos” de serviços, que de acordo com as necessidades dos clientes, poderão ser executados.

Principais mudanças operacionais nas agências de publicidade

Um dos principais obstáculos para a transformação das agências de publicidade além da cultura é a resistência por parte das lideranças, que entendem que é “preciso controlar tudo”, sendo que um dos grandes obstáculos para mudanças é essa crença de que tudo precisa estar sob o controle da gestão.

O fundamental é que todos participem do processo de decisão do negócio, de maneira colaborativa e desconcentrada.

Torquato, no encerramento da entrevista, falava sobre as mudanças no mercado atendido pelas agências de publicidade e que um dos principais desafios seria tornar relevante a mensagem de seus clientes em meio a uma enxurrada de informações, tanto nos canais tradicionais, como nos digitais.

As agências hoje demandam estruturas ágeis, que lidem com essa velocidade de transformações.

Se não houver essa receptividade e atitudes para a mudança, literalmente a tendência é que esse segmento seja engolido por novos modelos mais dinâmicos e flexíveis às necessidades dos clientes, que estão emergindo e se consolidando.