Estudo da plataforma de comparação de software Capterra investigou como empresas e trabalhadores se adaptaram ao teletrabalho devido à pandemia: softwares desatualizados, falta de planos de cibersegurança e problemas de comunicação estão entre os principais desafios.     

Seis em cada dez pequenas e médias empresas em todo o mundo adotaram o trabalho remoto devido à crise dos coronavírus, mesmo número de empresas que têm ou terão de fornecer aos seus trabalhadores novos softwares para permitir o trabalho à distância.

No Brasil, 77% das PMEs faziam home office no início de abril, época em que o confinamento atingiu altos índices no país, quando 72% dos brasileiros afirmavam seguir as orientações de ficar em casa, de acordo com o Datafolha. A grande maioria (42%) diz que não costumava praticar o teletrabalho antes da crise.

As conclusões fazem parte de um novo estudo global divulgado pelo Capterra, que investiga a forma como as PMEs estão conduzindo sua transição para o trabalho à distância devido à crise da COVID-19. 

Capterra entrevistou 4.600 trabalhadores de pequenas e médias empresas da Austrália, Brasil, Espanha, França, Alemanha, Itália, México, Holanda e Reino Unido, que estão trabalhando remotamente como resposta à COVID-19. As entrevistas foram realizadas entre 4 e 14 de abril.

O estudo também sugere que a crise pode representar uma mudança nas políticas de trabalho remoto nas PMEs, com um terço dos entrevistados afirmando que gostaria de mudar para um regime de trabalho 100% remoto após o fim da crise e 55% acreditando que a sua empresa poderia funcionar permanentemente nesse novo formato.

A aprovação do teletrabalho é quase unânime: 74% disseram gostar ou gostar muito de trabalhar em casa.

“Com esse estudo global, notamos que o Brasil seguiu uma tendência global de adaptação rápida ao trabalho remoto. De modo geral, os trabalhadores querem seguir com essa possibilidade, e as empresas terão de acostumar-se e preparar-se para isso”, comenta um dos analistas do Capterra responsáveis pela pesquisa. 

cibersegurança

Solidão e problemas de comunicação

A maioria das empresas reagiu rapidamente à crise. De acordo com a pesquisa, 70% delas conseguiu adaptar parte ou a totalidade das suas ofertas para que pudessem ser entregues de maneira virtual. 

Internamente, o estudo revela uma falta de cuidado com áreas importantes, como a comunicação, apontada como o principal desafio durante este período pelos trabalhadores. Apenas 37% das empresas forneceram orientações sobre comunicação e reuniões de equipe. Além disso, 32% apontam a solidão como a sua principal preocupação, o segundo maior desafio entre os trabalhadores a nível mundial.    

Senhas fracas evidenciam falhas de cibersegurança 

Capterra também investigou a forma como as empresas estão lidando com a cibersegurança. Os números mostram uma mão de obra global despreparada e exposta a ataques. 

De acordo com o estudo, apenas 36% dos entrevistados têm senhas fortes, com letras, números e caracteres aleatórios, e 39% de todos os empregados têm um software antivírus instalado. O número de trabalhadores que dizem utilizar firewalls (29%), VPN (28%) e softwares de segurança de e-mail (22%) é ainda inferior.

A importância das medidas de segurança torna-se mais clara quando observamos que 50% dos trabalhadores que recentemente sofreram ataques de phishing afirmam que estes aconteceram durante o trabalho remoto.

Também preocupante é o número de trabalhadores que dizem utilizar apenas os seus dispositivos pessoais para trabalhar em casa (40%), o que compromete a segurança e aumenta as probabilidades de um ataque virtual.

A rapidez e a dimensão da crise da COVID-19 pode também ter tido um impacto na forma como as empresas prepararam os seus trabalhadores para essa nova realidade: apenas 19% dizem ter recebido formação em segurança informática para ajudar a garantir um ambiente de trabalho seguro no trabalho à distância.