Planejamento Financeiro: Dívida de alavancagem x dívida de consumo

Planejador financeiro CFP® explica a diferença entre os dois tipos de dívida

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O empréstimo é visto como tábua de salvação para muitos brasileiros.

Com crédito acessível, muitas vezes liberado automaticamente via aplicativos, o risco do alívio se transformar em pesadelo é alto – sobretudo se a pessoa não tiver controle para quitar a dívida em dia.

Porém, é preciso dar um passo atrás antes de buscar recursos com terceiros e avaliar a finalidade da contratação.

“Se o dinheiro for utilizado para satisfazer desejos de consumo, cuidado”, alerta Fabio Louzada, membro da comissão de educação financeira da Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros.

Louzada, planejador financeiro CFP® (certificação internacional de distinção), explica que existem dois tipos de dívidas: a dívida de alavancagem e a dívida de consumo.

A dívida de consumo é muitas vezes gerada a partir do desejo de possuir um bem supérfluo, como roupas, calçados e artigos eletrônicos, ou para sustentar um estilo de vida incompatível com a realidade financeira do indivíduo.

“A dívida de consumo tem relação direta com aspectos emocionais, é muito utilizada no ímpeto de saciar um desejo ou compensar frustrações. O problema é colocar a saúde financeira em risco por não saber lidar com créditos, não ter capacidade de pagamento e acabar com o nome sujo na praça”, pontua Fabio Louzada.

A dívida de alavancagem tem mais a ver com propósito do que com aquisição de bens que elevem o status quo social.

Designed by @pressfoto / freepik
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São empréstimos realizados com a finalidade de investir nos estudos, em experiências que agreguem conhecimento ou para aumentar o retorno potencial de um investimento.

“Posso usar um exemplo pessoal para ilustrar a dívida de alavancagem. Anos atrás eu não tinha dinheiro para custear o exame da certificação CFP®. A solução que encontrei foi buscar crédito no banco para alcançar o meu objetivo. O resultado valeu a pena e a certificação abriu portas na minha carreira. Isso mostra que investir na própria formação via empréstimo é uma dívida positiva. É provável que a pessoa seja promovida ou mude de emprego em curto ou médio prazo, aumente o seu salário e quite o empréstimo mais rápido do que imagina”, relata o planejador financeiro.

Brasil tem mais de R$ 85 milhões de endividados

Segundo o Relatório de Economia Bancária do Banco Central, divulgado em junho pela Agência Brasil, em dezembro de 2019 a população com dívidas ativas passava de 85 milhões.

Destes, 4,6 milhões de brasileiros estavam em situação de dívida de risco, ou seja, não tinham condições de pagamento.

Cerca de 6,5% tinham renda entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, 5,7% ganhavam até R$ 1 mil, 4,7% tinham renda entre R$ 1 mil e R$ 2 mil, 4,7% pertenciam a faixa de renda entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, e 4,74% tinham rendimentos mensais acima de R$ 10 mil.

A pesquisa contabilizou dívidas ativas em diferentes modalidades de crédito: cheque especial, crédito pessoal sem consignação e crédito rotativo.