As empresas brasileiras têm enfrentado um panorama difícil em 2020, em especial após o início da quarentena, no mês de março.

A atual retomada das atividades econômicas, mesmo que gradualmente, tem caráter de alívio para muitos empreendedores de pequenos negócios, mas também traz incertezas e dúvidas. Como fica o futuro da pequena empresa? Como trabalhar com o caixa, muitas vezes negativo, nos próximos meses?

O momento atual deixou claro a todos os portes de empresas e a todos os segmentos de atividade que estrutura e planejamento financeiros são fundamentais para a gestão empresarial. E, especialmente para os negócios que não tinham, até agora, a cultura de planejamento financeiro.

Para organizar o setor financeiro da empresa, o dever de casa deve ser feito, ou seja, a organização precisa começar pelo básico.

Em primeiro lugar, aposte em estruturação financeira. É preciso conhecer os números da tesouraria, como contas a pagar, a receber e o fluxo de caixa. Isso pode parecer óbvio, mas nem sempre é praticado pelos empresários.

Muitas empresas ainda guiam seus negócios pelo saldo bancário, o que dificulta a alocação correta dos recursos da empresa, fator fundamental neste momento.

A capacidade de condução financeira da empresa será o diferencial nestes meses que seguirão com baixo fluxo de negócios.

Separar os orçamentos pessoais dos empresariais também é fundamental. Ainda é bastante comum alguns empresários de pequenos negócios tratem a empresa como extensão de sua conta corrente.

Sem a efetiva separação entre orçamentos pessoais e da empresa, os compromissos pessoais acabam sendo suportados pelo caixa da empresa, de forma desestruturada, o que inviabiliza o planejamento financeiro.

Visualizar e conhecer os principais números da empresa também ajuda na formação de preços. Sem os alicerces básicos dos dois tópicos anteriores, formar preço pode ser uma tarefa bastante complicada, o que pode ter grande impacto na retomada.

Aqui também temos um erro bastante comum da pequena empresa, que pode optar por formar preços de acordo com a concorrência. Isso pode conduzir o negócio a margens baixas ou lucro nulo.

O empresário deve ainda projetar e acompanhar o seu fluxo futuro de receitas e despesas. Com este acompanhamento em mãos, conseguirá se antecipar em eventuais problemas, com uma boa programação de fluxo de caixa e abrindo a possibilidade de negociação de prazos e condições junto a fornecedores.

O passo seguinte, tão importante quanto os demais, deve ser a parceria com o prestador de serviços em contabilidade. Com a organização financeira da empresa, que deve ser feita com o apoio da contabilidade, é possível visualizar os caminhos mais adequados para cada tipo de negócio.

Nesta etapa, o contador é essencial para dar suporte no desenvolvimento do planejamento financeiro e nas diretrizes para os próximos meses de operação. A atuação do contador deve ir muito além da geração de guias e holerites de funcionários.

É necessário que o empresário tenha consciência de que este fluxo, se ainda não tiver sido implementado, deve ser feito com urgência.

Ele deve cobrar do contador uma participação proativa no apoio à gestão, fornecendo os dados necessários e promovendo os ajustes para tanto.

Em tese, este não seria o momento mais adequado para estruturar uma empresa, mas somente com o foco e a organização da área financeira será possível dar continuidade a alguns negócios.

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Por Edmilson Ataide é diretor do Grupo Atai