Poupança ou Tesouro Direto, qual é o investimento mais seguro?

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Quando se fala em segurança no investimento, a primeira aplicação que vem à mente de muito investidor é a poupança. Mas será que a poupança é realmente o investimento mais seguro que existe?

Não existe investimento sem risco, afirmam Alexandre Cabral, professor de Finanças da FIA (Fundação Instituto de Administração); Clodoir Vieira, professor de Finanças do Centro Universitário Senac; Eric Trevisani, planejador financeiro da Trevisani Adviser e Mauro Calil, especialista em investimentos do Banco Ourinvest.

“A poupança tem garantias privadas, enquanto o Tesouro tem garantias públicas”, afirma Calil. “Sendo assim, o Tesouro é mais seguro que a poupança, pois o governo tem a capacidade de aplicar impostos para cobrir suas despesas, enquanto o setor privado não pode se financiar desse modo”, diz.

Tesouro tem garantia do governo
A poupança é garantida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), uma entidade privada, sem fins lucrativos, que administra um mecanismo de proteção aos correntistas, poupadores e investidores. Ele permite recuperar os depósitos num banco em caso de quebra.

Essa garantia é de até R$ 250 mil por CPF, por banco. Esse valor inclui tudo: conta-corrente, poupança, CDBs, LCIs etc.

Assim, se alguém concentra todas as suas aplicações em um único banco, e ele quebra, só se consegue recuperar os R$ 250 mil. Se tiver mais que isso, é vantajoso separar os investimentos em outros bancos. Aí é esse limite por banco. Clique aqui para ver mais informações sobre o FGC.

Mauro Calil explica que, mesmo que o banco for público, a garantia também é privada. “E se um banco público quebrar, nada garante que o governo vai resolver, pois não há lei ou regulamentação que preveja tal situação de socorro”, diz.

A garantia dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto é o Tesouro Nacional, ou seja, o governo. “É mais provável uma instituição privada quebrar que o governo. Além disso, se o governo quebrar, isso também vai afetar as instituições privadas”, diz Trevisani.

Ele explica que se uma crise econômica depreciar todo o patrimônio público, nem a poupança nem o Tesouro estarão 100% seguros. “Ao comparar os investimentos não estamos falando sobre a qualidade da garantia, mas sim sobre o seu tamanho. Na poupança, a garantia é limitada a R$ 250 mil. No Tesouro, é sem limite”, diz.

Poupança é simples e rápida
Comparando a poupança com o Tesouro Direto nos quesitos rentabilidade, liquidez (facilidade de transformar o investimento em dinheiro), simplicidade e incidência de taxas e impostos, a poupança se sai melhor em todos, menos na rentabilidade.

Quando se investe na poupança, é possível sacar o dinheiro no mesmo dia. No Tesouro Direto, o dinheiro é depositado no dia seguinte.

Quem investe na poupança também precisa ficar se lembrando de reinvestir o dinheiro. Uma vez depositado na caderneta, ele irá render sempre. “A poupança é imbatível quando se fala em liquidez e simplicidade”, afirma Clodoir Vieira.

O mesmo não acontece no Tesouro Direto. “O Tesouro é complicado, na verdade ele não é direto, é indireto”, diz Mauro Calil. Ao optar por esse investimento, é preciso procurar um banco ou corretora, escolher o tipo de título que quer investir, o prazo de vencimento, e também é preciso fazer novas compras quando o título vence.

“Não é que o Tesouro seja difícil, mas a poupança é que já está na cabeça das pessoas desde que elas usam fraldas”, afirma Cabral.

Matéria: Uol