Marcelo Chiavassa de Mello

O avanço das novas tecnologias vem moldando (e mudando) de forma veloz o comportamento humano. Os espaços públicos de debates (“ágora”) não existem mais, sendo substituída pelas redes sociais. O telefone fixo é uma das vítimas mais recentes dessas mudanças.

As pessoas não usam mais o telefone para telefonar (contraditório, sim). Usam para mandar mensagens, áudios, vídeos, emoticons e, agora,stickers. Mais rápido, mais ágil e praticamente instantâneo, os chats (apps de mensagens instantâneas) dominam a comunicação na sociedade atual.

A troca de informação sensível também segue o mesmo caminho. Os encontros em ambientes fechados ainda são bastante comuns, porém logisticamente mais difíceis que uma simples ligação ou mensagem.

O aprimoramento dos apps de mensagens instantâneas – que agora vendem a ideia da segurança através da criptografia – fez com que as pessoas passassem a acreditar estarem navegando em algo sempre seguro e protegido, onde poderiam falar o que quiser, sem riscos de exposição. Isso, entretanto, não é verdade.

Além dos riscos oferecidos pelos próprios aplicativos, o fato é que nós (humanos) somos alvo fáceis de outros humanos, que nos enganam com a mesma facilidade com a qual enganamos cachorros ao fingir que jogamos uma bolinha na praça.

Por mais seguro que seja o aplicativo (mas não infalíveis), boa parte dos problemas nascem de más práticas diárias dos próprios usuários. O mundo digital é seguro?

Tanto quanto o mundo analógico: é seguro se soubermos onde andar, quais caminhos seguir, a quem dar ouvidos e não compartilharmos segredos com qualquer pessoa.

Marcelo Chiavassa de Mello Paula Lima é Prof. Direito Civil e Direito Digital e Direito da Inovação da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Está disponível para entrevistas.

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