Você sabia que utilizar suas mãos da forma errada ao longo da vida pode provocar lesões irreversíveis e até a aposentadoria precoce por invalidez?

Atividades corriqueiras como abrir um pote de vidro, erguer uma panela e esforços repetitivos e inadequados ao computador estão por trás de inúmeras ocorrências de dor e lesão.

Se de um lado o médico ortopedista é o mais indicado para o diagnóstico e tratamento imediato, o terapeuta ocupacional analisa as atividades do dia a dia que podem estar por trás dos incômodos.

Também está habilitado a selecionar recursos terapêuticos adequados para a  reabilitação de cada caso.

As patologias e lesões mais comuns incluem artrite do punho e mão, deformidades pós-traumáticas, deformidades congênitas, fraturas e compressões nervosas, paralisias, lesões esportivas, tenossinovite e tumores.

Com relação ao esforço repetitivo, são mais comuns os danos ao Túnel do Carpo, ao Canal de Guyon e de Quervain.

As lesões no Canal de Guyon costumam ser chamadas de “síndrome do massagista”, por afetar profissionais que trabalham muito inclinados e com esforço das mãos, cotovelo e ombro.

Já a síndrome de Quervain acomete com frequência dentistas e manicures, ou seja, atividades que exigem inclinação e aplicação de força nos braços e mãos.

Já problemas com o Túnel do Carpo podem ser decorrentes de uma situação hormonal ou do esforço repetitivo com mal uso dos punhos.

Por isso, essas ocorrências já foram chamadas de “síndrome do bancário”, pois esses profissionais eram aqueles que mais usavam o computador décadas atrás.

Aqui destaco a importância de fazer uso dos equipamentos de proteção como o mouse pad com gel e o apoio para punhos na digitação, bem como outros utensílios que colaborem para a ergonomia no local de trabalho. Não se trata de algo supérfluo, e sim um cuidado que pode evitar anos de tratamento e dor.

Quando o terapeuta ocupacional investiga as atividades do dia a dia de um paciente, percebe em qual delas ele está esforçando demais suas mãos e punhos – e pior: com movimentos errados. Então é possível tratar e reeducar a postura e a execução de ações corriqueiras.

Fica aqui um importante alerta: a lesão também pode ser resultante de uma queda, e essas podem ser evitadas, tomando-se todos os cuidados necessários dentro e fora de casa.

Tapetes que escorregam, quinas de móveis ou mesmo um simples cobertor no sofá em que a pessoa pode tropeçar ao se levantar. Não duvide: uma queda “boba” pode trazer danos gravíssimos aos ossos e músculos.

Fazer exercícios regulares e consultar o médico com frequência são maneiras de se proteger. Pense nisso antes de começar a sentir dores que podem ser irreversíveis.

Por Syomara Cristina Szmidziuk atua há 30 anos como terapeuta ocupacional, tem experiência no tratamento e reabilitação dos membros superiores em pacientes neuromotores.