Quais os cuidados que os pequenos e médios empresários devem ter ao investir na Bolsa de Valores

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Prezados leitores, antes de qualquer introdução sobre bolsa de valores, a nossa missão preambular é desmistificar o investimento em ações. Se você está lendo este artigo, provavelmente deseja entender mais sobre o tema. Existe vasta literatura sobre o assunto. Com tanta informação, é difícil distinguir o que é útil e mais importante, do que é dispensável. Isso só aumenta a sensação de que investir em ações é uma ciência complexa, restrita aos profissionais com extensa formação na área. Não é bem assim. A história de grandes investidores pessoas físicas na bolsa e a cultura americana de investimentos (65% da população americana investe na bolsa), sinalizam justamente ao contrário. Investir na bolsa não é para gênios, e sim, é acessível a qualquer pequeno investidor. Esqueça os jargões em inglês do mercado e o economês. Vamos lá…

Nestes últimos anos, assistimos o número de investidores na bolsa aumentar, chegamos a mais de 2,4 milhões de investidores, representando um aumento anual de 125,4% do número de investidores pessoa física. Com a taxa de juros baixa, muitos investidores migraram parte dos seus investimentos para a bolsa de valores. Para os investidores que não precisam resgatar o dinheiro tão cedo e não são conservadores, investir em ações pode ser uma boa opção. Investimento que reúne risco e possibilidade de altos retornos.

Neste momento, muitos me perguntam: diante desta crise do coronavírus, é um bom momento para investir em ações? Para responder a esta pergunta não pedirei ajuda aos universitários e sim, a história econômica. E também não esquecerei de um dos principais mandamentos da bolsa: compre na baixa e venda na alta. Princípio fácil de entender, mas muito difícil de aplicar.

A atual crise apresentou uma característica marcante. A velocidade da queda de preço dos ativos financeiros. Na crise de 1929, a grande depressão americana, os mercados demoraram 4 meses para entrar no “Bear Market”(mercado de baixa, quando a bolsa cai mais de 20% do topo de preços alcançado). Em 2008, foram pelo menos 6 meses. No entanto, na atual crise foram necessários apenas 16 dias para chegarmos ao Bear Market. Esta crise não é financeira e sim proveniente de uma pandemia. Isso faz com que até os menos chegados em investimentos e economia, sintam-se parte integrante desta crise e experimentem fortemente os seus efeitos.

Porém, um dado histórico é inegável. Em toda crise econômica moderna, a queda de preço dos ativos financeiros, foi seguida de recuperação de preços. Mesmo diante de diferentes causas, toda crise econômica até então, terminou em um novo ciclo de alta (teoria dos ciclos econômicos). Em média, os mercados voltaram aos preços anteriores as grandes quedas entre 18 a 24 meses. Desta vez será diferente? Não sei. A história indica que não. Ressalta-se que a crise de 1929 devido ao período de lenta recuperação, contrariou esta tese de breve recuperação. Em suma, para aqueles que acreditam na recuperação econômica, parece que estamos diante da máxima: COMPRE NA BAIXA E VENDA NA ALTA.

Como em qualquer atividade, performances acima da média, exigem dedicação, empenho e muito treino. Com a bolsa de valores não será diferente. Os mais vibrantes e aplicados, terão os melhores resultados. Uma boa estratégia é construir um sistema, um conjunto de mandamentos, regras e princípios que possam nortear a sua atuação como investidor. Você pode e deve utilizar-se dos ensinamentos e experiências de investidores de sucesso, muita leitura e prática (é possível usar simuladores de investimentos em ações antes de começar a investir seu dinheiro). A seguir, destaco alguns mandamentos ou princípios, aprendidos ao longo do tempo da minha atuação profissional no mercado financeiro. Alguns princípios refletem experiência própria, outros provenientes de livros, manuais e outros tantos refletem ensinamentos de grandes investidores.

MANDAMENTOS

1-Invista uma parte pequena do seu patrimônio em ações

2-Invista através de um fundo de ações (um gestor profissional escolhe as ações para você)

3-Invista diretamente na bolsa, caso deseje desenvolver-se como investidor

4-Invista pensando no longo prazo

5-Priorize investimentos em algo que você conheça bem

6- Invista em negócios simples e de fácil entendimento

7- Priorize empresas com histórico operacional consistente

8-Dedique-se a ler e aprender sobre o mercado financeiro

9-Mais finanças comportamentais e menos matemática

10-Ao acordar, todo dia refaça a mesma pergunta? Por que comprei estas ações? Se os motivos da compra permanecem, ótimo. Se não, venda.

IVO BRANDÃO (ESPECIALISTA EM FINANÇAS E INVESTIMENTOS): especialista em finanças e Investimentos, sócio da Capitale Privato. Possui MBA em Finanças pelo IBMEC-RJ, MBA em Mercado Financeiro pela Anbima, certificação CFP (certified financial planner), é professor do MBA Mercado de Capitais da Universidade Castelo Branco.