Quer prestar concurso público? Veja super dicas

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Bem-vinda ao grupo das concurseiras — pessoas que estão tentando passar em um concurso público e que estudam pra valer em busca do sonho. E este ano promete. O Ministério do Planejamento anunciou, no fim de 2017, que voltará a lançar editais este ano. Os números do governo mostram que, até 2027, quase 40% dos servidores públicos do Executivo Federal, cerca de 216 mil pessoas, deverão se aposentar. Isso sem falar nas possibilidades de vagas nos níveis municipais e estaduais. Por isso, se anda pensando em dar novos rumos à sua vida profissional, pode ser o momento para iniciar esse projeto, muitas vezes de longo prazo.

Isso é para mim?

Tornar-se um servidor público é um caminho para quem quer estabilidade. “No mercado privado, a demissão pode acontecer a qualquer momento; já no funcionalismo público, é preciso prestar um mau serviço ou ter cometido uma infração grave contra o Estado”, explica Marco Antônio Araújo Júnior, presidente da Anpac (Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos). E os ganhos, é claro, são muito atraentes. “São cerca de 20 a 25% a mais de salário do que o da iniciativa privada em cargos similares”, afirma. Além disso, a maior parte dos servidores fica fora das mudanças da reforma trabalhista, que entrou em vigor em novembro do ano passado. É que ela afeta apenas os servidores contratados pela CLT, os concursados de empresas públicas como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Os servidores públicos federais, estaduais ou municipais têm um regime próprio de leis e ficam fora da reforma.

Porém, decidir prestar um concurso está longe de ser sinônimo de emprego imediato. Enquanto na carreira privada você entra na empresa e vai trabalhando para subir os degraus, aos poucos, de acordo com seu desempenho e as oportunidades, na carreira pública você só começa a trabalhar quando a sua avaliação (no caso, a prova) diz que você atingiu um patamar para aquilo. Até lá, você fica no zero a zero mesmo. E chegar a esse nível requer meses ou, em muitos casos, anos de investimento. “Você não sabe por quanto tempo terá de se preparar até ser aprovada e também não sabe se o edital do cargo que busca vai abrir este ano, no ano que vem ou no seguinte”, diz o psicólogo Fernando Elias José, de Porto Alegre, que trabalha com psicologia para provas e concursos há 20 anos. “Encarar para valer um concurso, portanto, requer um nível de resiliência, de saber lidar com frustração e seguir em frente”, afirma. Além disso, tem o fato de voltar a ser estudante — vai ter que ler muito, fazer resumos, exercícios, revisões e simulados. A depender do cargo que almeja, pode ser que tenha de mudar de cidade ou estado, o que significa deixar família e amigos para trás.

Você disse es-tu-dar?

Já encare esse desafio sabendo: embora não haja dados formais sobre o tempo necessário de preparação para ser aprovado em cada concurso, os especialistas estimam o prazo de seis meses a um ano de estudo para os concursos de nível médio e mais de um ano para os de nível superior. Quem está há muito tempo longe da sala de aula vai chegar a esse universo boiando. Nesse estágio inicial, os cursinhos preparatórios são bons porque oferecem um material de estudo “mastigado”, baseado no que costuma ser cobrado pelas bancas examinadoras. Você otimiza seu tempo e foca no que é importante. “Não passa na prova quem sabe mais, mas quem acerta mais”, fala o escritor e servidor público Fernando Mesquita, autor do ebook Ciclo Eara — O Processo da Aprovação.

Há cursos presenciais e online. Os primeiros são indicados para quem tem problema de organização e acha que não vai se comprometer devidamente, a não ser que tenha um horário marcado para sair de casa todos os dias. Melhor optar pelo presencial. “A desvantagem dessa modalidade é que, como há muitas pessoas dentro da sala de aula, com diferentes níveis de conhecimento, o professor tem de nivelar por baixo o conteúdo para que todos compreendam. E isso pode ser desestimulante para alguns”, explica Mesquita. Já os online são os preferidos de quem quer fazer o próprio horário. Os materiais costumam ser em PDF ou em videoaulas e você pode pular conteúdos que já compreendeu ou voltar àquilo em que teve mais dificuldade. Em geral, oferecem suporte de um professor para tirar dúvidas.

O ideal é começar a estudar antes de o edital sair, baseada no anterior e nas cinco últimas provas aplicadas pela banca examinadora, de preferência para o mesmo cargo. “Ter de se preparar para um ou outro conteúdo inesperado no curto prazo entre a publicação do edital [geralmente, de dois a três meses] é bem mais simples do que vencer todas as disciplinas”, diz Gabriel Granjeiro, presidente do Gran Cursos Online. A indicação é estudar mais de uma matéria por dia, revezando conteúdos, para ficar menos cansativo. E, como ler não é estudar, é preciso anotar tudo o que está sendo visto. Assim, ao fim de cada aula, terá um resumo pronto, que ajudará na revisão. “Você deve dividir o tempo de estudo em ciclos de X horas, conforme o período de que efetivamente dispõe. A ideia é que defina as horas que dedicará a cada disciplina do ciclo”, fala Granjeiro. Ao fim de cada estudo de uma disciplina, será preciso aplicar aquele conteúdo, ou seja, dá-lhe exercícios! Fazer simulados e até prestar concursos fora da sua área é importante para ver quanto demora para terminar a prova e controlar a ansiedade. “Tem pessoas querendo passar em concursos concorridos com uma ou duas horas de estudo por dia. Mas, por um tempo, o concurso precisa se tornar o projeto mais importante da vida. Se não tem essas horas disponíveis, talvez precise rever a rotina ou as metas”, diz Mesquita. E aí, vai encarar?

 

Como escolher o concurso ideal?

  • Identifique em qual área quer trabalhar: bancária, educação, administrativa, segurança pública, saúde, auditoria e fiscal são algumas delas. A partir daí, você escolhe o cargo, considerando a rotina que vai encarar. “Você precisa saber se terá condições de desempenhar aquelas funções para conseguir progredir na carreira”, diz Gabriel Granjeiro. Mas muita gente escolhe levando em consideração o salário, os benefícios e as horas semanais de trabalho. Aí, vai depender de como você encara o trabalho na sua vida.

 

  • Pense na sua pretensão salarial. Há os concursos de nível médio, que exigem apenas a conclusão do ensino médio mas têm salário menor do que os de nível superior, que são aqueles para quem tem uma graduação. Ambos são difíceis de passar. “Muita gente com formação superior presta concurso para nível médio e usa o cargo como trampolim para conseguir outro”, diz o presidente da Anpac. Ou seja, com uma garantia mensal, continuam estudando para prestar outra prova. Para ter uma ideia, o concurso de 2016 para o INSS, no nível médio, teve mais de 1 milhão de candidatos para preencher 800 vagas de técnico. Já para analista, que é de nível superior, foram cerca de 43 mil para 150 vagas.

 

  • Descubra o que essas pessoas fazem: procure em editais de concursos antigos as atribuições para os mais diferentes cargos, mas também vale conversar com alguém da área para descobrir detalhes da rotina.

 

  • As provas dos concursos e avaliações são feitas por diferentes entidades, as chamadas bancas examinadoras. E cada uma tem um estilo, que também deve fazer parte da sua escolha. O Cespe (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos), da Universidade de Brasília, por exemplo, é uma das mais temidas por elaborar questões que misturam vários temas, que não são de múltipla escolha — é certo ou errado.

Via Nova Cosmopolitan

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