Recuperação de Empresas: Quais as melhores medidas para negociar dívidas e empréstimos

0

Devido ao ocorrido no mundo por efeito do novo coronavírus (Covid-19), muitas empresas tiveram suas atividades afetadas, ou mesmo tiveram que suspender ou mesmo encerrar suas atividades.

Assim, os empresários devem analisar o impacto com uma projeção futura.

Porém, os empresários têm se perguntado o que fazer neste momento, qual a melhor saída? Não há outra forma, senão RENEGOCIAR suas dívidas e, caso pense em recorrer a um empréstimo, que seja feito de forma planejada.

Primeiro ponto é o empresário conhecer bem seu negócio, cortando despesas e custos supérfluos e dispensáveis, a fim de se adequar à nova realidade.

Com isso, poderá começar a decisão do que priorizar nas negociações, dependendo de cada atividade.

Neste momento vimos muitas empresas reduzirem seu quadro de funcionários e mesmo assim ter uma melhor produção, mas as demissões devem ser tomadas com cautela, pois podem ter um alto custo.

Os aluguéis devem ser renegociados, buscando uma redução, isenção ou mesmo adiamento do pagamento.

Vale até mesmo analisar a possibilidade de devolução do imóvel com a adoção de home office, que inclusive virou tendência mundial com aceitação por cerca de 80% (oitenta por cento) dos gestores.

Deve-se, também, dar prioridade a renegociação com os fornecedores e prestadores de serviços, que muitas vezes são indispensáveis para a manutenção da atividade empresarial.

Não podemos deixar de destacar cuidado especial em dívidas que ultrapassem 40 (quarenta) salários-mínimos, pois há possibilidade de ser requerida a falência do devedor.

Não mais importante, e provavelmente a mais difícil, é a negociação com os bancos, que muitas vezes são inflexíveis.

Inclusive muitas vezes é aconselhado a contrair uma dívida com outro banco para quitar a dívida atual, desde que a nova dívida seja mais barata e com melhores condições.

A portabilidade de operações de créditos é uma opção caso o seu banco lhe apresente uma renegociação que não lhe traga vantagens.

A portabilidade nada mais é que a possibilidade de transferir de forma não onerosa suas dívidas de um banco para o outro.

O governo, por sua vez, preparou um pacote emergencial, com diversas medidas visando uma redução do impacto dos impostos, publicando diversas portarias, onde prorrogou o pagamento de impostos, de parcelamentos ativos, bem como suspendeu a exclusão dos parcelamentos existentes.

Neste interim, muito tem se falado de Recuperação Judicial, seria este o melhor caminho para as empresas neste momento? A resposta é: depende.

Sim, vai depender de cada situação, pois é comum empresários com débitos fiscais, em especial, procurarem especialistas no intuito de uma Recuperação Judicial, mas não tem conhecimento que os débitos fiscais não estão passiveis da Recuperação Judicial. 

Também, é necessário o empresário ter em mente que para uma Recuperação Judicial é preciso ser apresentado um plano de recuperação, onde demonstrará a possibilidade da empresa se recuperar financeiramente e neste momento muitas empresas não têm, sequer, qualquer perspectiva de recebimento, o que inviabilizaria uma aprovação do Plano de Recuperação.

Sem uma vacina efetiva, nossa economia ainda está vulnerável, a incerteza ainda paira sobre todos os empresários.

Estudos já apontaram que a economia mundial sofrerá anos para se recuperar, restando aos empresários uma adaptação à nova realidade dando preferência ao que realmente é indispensável a sua atividade, a fim de minimizar os impactos e prejuízos em seus negócios. 

Por Francisco Arrighi, Presidente da Fradema Consultores Tributários