A empresa International Meal Company, IMC, dona das redes Viena, Frango Assado e Brunella, manipulou a contabilidade para melhorar o desempenho nas demonstrações financeiras do grupo enviadas à Comissão de Valores Mobiliários. A reportagem da CBN teve acesso a documentos, e-mails e planilhas internas que demonstram a manipulação.

Todas as empresas com capital aberto, como a IMC, são obrigadas a informar à Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, os demonstrativos de cada trimestre. É uma forma de ser transparente com investidores e credores.

Os balancetes têm que incluir a chamada provisão de valores para o pagamento de ações trabalhistas na Justiça. É o cálculo de quanto a empresa vai pagar em eventuais indenizações. Foi esse item que a empresa maquiou.

Além dos restaurantes, o conglomerado opera em quatro países e também é dono da RA Catering, uma das maiores distribuidoras de refeições em aeroportos brasileiros.

A IMC é comandada pelo fundo americano Advent, o maior acionista, com mais de 40% da participação no conglomerado. O Advent investe em 310 empresas, em 40 países.

As empresas do conglomerado têm contratos com escritórios de advocacias, que a cada trimestre enviam uma planilha com informações e os valores provisionados de cada ação. A IMC pegava esses valores e, de forma intencional, os diminuia.

Em um dos casos, a empresa foi condenada a pagar R$ 155 mil a um ex-funcionário do Frango Assado, mas o valor provisionado foi de apenas R$ 30 mil. Em outro caso, envolvendo o mesmo restaurante, o valor informado pelos advogados externos foi de R$ 320 mil reais, e a IMC diminui para R$ 32 mil.

A soma dos valores de todas as ações ficava, em média, em um terço do valor real. Entre 2012 e 2016, a empresa sempre declarou menos de R$ 7 milhões, quando o montante real chegava a quase R$ 20 milhões.

Em julho de 2016, uma ex-gerente da empresa descobriu a manipulação e avisou a cúpula da empresa. Ela acabou sendo demitida dias depois. A partir daí, a empresa parou de manipular os valores, e o valor provisionado subiu para mais de R$ 20 milhões, patamar que permanece até hoje.

Pelas regras da CVM, divulgar uma informação falsa sobre a contabilidade da empresa é um crime financeiro.

Sem falar do caso em questão, o gestor de investimentos Marcelo Lopez, da L2, empresa especializada em serviços financeiros, diz que esse tipo de fraude é dificil de ser constatado.

 

“É uma irregularidade que está sendo cometida se a empresa sabe de números e não os reporta, ou reporta números diferentes do que deveria. Agora, o grande problema é como você vai provar isso. Porque grande parte da análise, tanto de um lado, no caso de peritos, quanto de empresa, é uma análise subjetiva. Então pode ter uma questão aí por anos sobre o que pode acontecer.”

A manipulação fazia com que os resultados parecessem melhores do que realmente eram. Tanto é que, entre janeiro e setembro do ano passado, enquanto a maquiagem ainda acontecia, o prejuízo acumulado era de R$ 11 milhões. Só que no balanço final de 2016, já com o fim da adulteração, o prejuízo chegou a R$ 76 milhões de reais, seis vezes mais.

A manipulação foi denunciada à CVM na última quinta-feira. No fim de outubro, o Advent anunciou a venda de toda sua participação na IMC. As 55 milhões de ações do fundo começam a ser vendidas nesta segunda-feira.

Outro lado

A reportagem da CBN não conseguiu localizar os representantes da IMC para comentar o assunto. O telefone informado no site só dá ocupado.

A reportagem conversou por telefone com o advogado que defende a empresa neste caso, mas ele afirmou que não estava autorizado a comentar o assunto. O escritório de advocacia Mattos Filho, que defende a empresa, também não quis se manifestar sobre o caso. Com Informações da CBN

Comente

Comentários

Deixe uma resposta