Série Pessoas Famosas Formadas em Contabilidade – James Dashner

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O best seller americano James Dashner, de 42 anos, se considera “bom com números”. E prevenido. Conhecido pela saga “Maze runner”, espécie de candidato a próximo “Jogos vorazes”, ele é formado em contabilidade e trabalhou no mercado financeiro até os 30. Depois, largou tudo e passou a se dedicar ao hobby (livros). “Basicamente, esperei até que juntasse dinheiro o suficiente para sustentar minha família”, diz em entrevista por telefone ao G1, em recente passagem por São Paulo.

Dashner deixou os quatro filhos e a mulher em casa, nos Estados Unidos, e veio divulgar sua obra. É uma obra vasta: desde 2003, saíram 14 livros, divididos em cinco “sagas”. A mais famosa é justamente “Maze runner” (quatro volumes, e contando…). Faz 85 semanas que o capítulo inicial está na lista de infanto-juvenis mais vendidos do “New York Times” (atualmente é o 3º). Ele virou filme, está previsto para entrar em cartaz em setembro.

Ao todo, a série “Maze runner” já vendeu ao todo 3 milhões de cópias no mundo. Ela conta conta a história de Thomas, adolescente que acorda, desmemoriado, num lugar estranho chamado Clareira. Tudo é cercado por muros. Lá, há outros jovens, e ninguém sabe escapar. Dashner acha que os leitores gostam dessa desorientação toda: “Acho que eles se conectam com o personagem principal, que é bem perdido, quer descobrir onde ele está e como resolver a situação. É bem simbólico”. Leia, a seguir, os principais trechos da conversa.

Você se formou em contabilidade e trabalhou com finanças antes de virar escritor. Quando e por que decidiu mudar de área?
James Dasher –
Bem, contabilidade eram mais uma coisa temporária. Sempre quis ser escritor, desde criança. Escrevi histórias enquanto crescia e, na faculdade, escrevi meu primeiro romance. Então, basicamente, esperei até que juntasse dinheiro o suficiente para sustentar minha família – foi quando larguei aquele trabalho. Levou oito anos, depois da formatura, para isso acontecer.

 Quantos anos você tinha, na época?
James Dashner –
Uns 30.

 Você já tinha filhos?
James Dashner –
Sim. Tínhamos dois filhos – hoje, temos quatro. São três meninos e uma menina. O mais velho tem 14 anos de idade, meu segundo garoto tem 11, minha menina tem nove e o mais novo tem sete. Mas a menina é muito durona – controla muito bem os garotos (risos).

Você diz que sempre quis ser escritor. Mas quando foi que, depois de ler uma história, pensou que poderia escrever as suas próprias?
James Dashner –
Eu era muito novo, acho que tinha uns oito anos. Li um livro chamado “James e o pêssego gigante” [de Roald Dahl]. Tinha muita imaginação nele, aquilo realmente me pegou. Nessa época comecei a escrever histórias, comecei a sonhar em ser escritor.

 No seu site, você diz que suas histórias na época eram ‘terríveis’. Sobre que assuntos o pequeno James gostava de escrever?
James Dashner –
Escrevia histórias pequenas tentando criar circunstâncias perigosas. Não é muito assustador, se você ler elas apenas vão parecer ridículas (risos). Também escrevia histórias sobre esportes, sobre times fracos, formados por vira-latas, que não eram muito bons, mas acabavam ganhando o campeonato. As histórias eram mesmo horríveis (risos). Mas eu adorava escrevê-las.

Acho que sou um escritor realmente rápido. Meus livros são terrivelmente longos, mas sou realmente apaixonado por isso, é meu hobby. A cada ano, posso escrever dois livros.”

 O que mais você gostava de fazer, além de escrever histórias terríveis?
James Dashner –
Acho que minha maior paixão sempre foram os filmes – eu absolutamente amava filmes, assistia muito. Claro que eu lia muitos livros e amava esportes. Meu esporte favorito é basquete.

Quais eram os seus filmes favoritos?
James Dashner –
Quando eu era criança, “E.T. – O extraterrestre”, “De volta para o futuro”, claro que “Guerra nas estrelas”, “Indiana Jones”, “Os Goonies” – amo “Os Goonies”. Dos mais recentes, gostei bastante de “Matrix”, “O senhor dos anéis”, “A origem”… Poderia falar o dia todo falando sobre os filmes.

E quem é o seu escritor favorito?
James Dashner –
Definitivamente, Stephen King. Acho que é um escritor brilhante, criou personagens fantásticos, que fazem você se sentir dentro da história. Claro que gosto de coisas assustadoras – adoro filmes de terror e adoro livros que assustam. Ele é muito, muito admirado nos Estados Unidos. Não só pela popularidade, mas porque é mesmo considerado um mestre.

Você estreou na literatura cerca de dez anos atrás, com o primeiro livro da série ‘Jimmy Fincher’. Desde então, publicou outras quatro sagas e várias outras obras. Na média, dá mais de um livro por ano. Como consegue ser tão produtivo?
James Dashner –
Acho que sou um escritor realmente rápido. Meus livros são terrivelmente longos, mas sou realmente apaixonado por isso, é meu hobby. A cada ano, posso escrever dois livros.

No começo da minha carreira, eu escrevia bastante mesmo, para tentar ser publicado… Com o passar do tempo, diminuí um pouquinho o ritmo, tentando focar mais em cada livro, para tentar me assegurar que meus fãs ficariam felizes com o produto final.

Os leitores se conectam com o personagem principal, que é bem perdido e desorientado, quer descobrir onde está e como resolver a situação. É bem simbólico. Por sorte, as pessoas parecem se ligar a esses personagens, não importa a língua que falam ou o país de que vêm.”
James Dashner, escritor best seller

Quantas horas você trabalha por dia?
James Dashner –
Varia bastante. Eu diria que entre duas e quatro horas. E no resto do tempo trabalho com negócios, mídias sociais, respondendo e-mails, editando, coisas assim…

 E sendo pai.
James Dashner –
(Risos) E sendo pai, sim! Muito frequentemente.

 Nunca travou no meio de um texto ou se arrependeu de ter trocado as finanças pela literatura?
James Dashner –
Eu poderia dizer honestamente que nunca pensei nisso – nem uma única vez. Tem dias difíceis, às vezes editando, às vezes os eventos são muito longos e cansativos. Mas nunca, nunca mesmo, sequer uma vez, me arrependi. Porque eu absolutamente amo fazer o que faço.

Segue algum esquema nos seus livros?
James Dashner –
Não sigo uma fórmula. Meu grande segredo, acho, é que tento pensar como se eu fosse leitor: o que eu gostaria de ler, o que eu acharia legal? Acho que apenas sigo meus instintos. Para minha sorte, parece que funciona.

 E por que funciona?
James Dashner –
Acho que “Maze runner” foi meu primeiro livro que me fez pensar assim: “Este tem um grande potencial, independente das culturas ou da língua”. E meus editores nos Estados Unidos amaram tanto, que me fizeram acreditar nisso. Nos últimos anos, os livros realmente explodiram em popularidade, e foi divertido assistir a isso.

Acho que os leitores se conectam com o personagem principal, que é bem perdido e desorientado, quer descobrir onde ele está e como resolver a situação. É bem simbólico. Os personagens são sempre a parte principal da história. Por sorte, as pessoas parecem se ligar a esses personagens, não importa a língua que falam ou o país de que vêm.

Largaria a literatura e voltaria para as finanças se não fosse best-seller? Ou continuaria escrevendo?
James Dashner –
Não. Antes de tudo, é um hobby. Amo fazer isso, e o fato de poder fazer isso como meu trabalho é bônus gigante(risos).

Qual a sensação de ver ‘Maze runner’ virando um filme?
James Dashner –
É indescritível. Como falei, amo filmes. Ver isso se tornar verdade está além de palavras. É a coisa mais incrível da minha carreira, difícil de acreditar às vezes, mas estou muito, muito orgulhoso. Acho que meus leitores, vão ficar extremamente felizes como filme.

Vi a maior parte das filmagens. É inacreditável como se encaixa na minha visão, e como é fiel ao livro. Posso dizer que me emocionei bastante, porque significa o mundo para mim. Sou muito sortudo.

Sugeriu alguma mudança para o filme?
James Dashner –
Tenho uma crença muito forte de que o cinema é um jeito diferente de contar a história. Então, conversamos bastante sobre pequenas coisas que tínhamos de mudar, coisas simples, como alterar o nome dos vilões, não usar telepatia – isso está no livro, mas no filme ficaria meio bobo. Mas, no geral, todos os personagens estão no filme, todas as cenas centrais também, começa pelo fim, como no livro… Então, é uma das adaptações mais fiéis que já vi. (Redação do JC e G1)

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