Série Pessoas Famosas Formadas em Contabilidade – Tonico Pereira

Divulgação Rede Globo

O ator Tonico Pereira afirma não fazer a menor ideia se o personagem que interpreta em “A Regra do Jogo”, de repente, de mordomo mau-caráter vai virar um assassino frio. “São segredos que eu não sei”, avisa, lembrando que a novela das nove da noite da Globo é uma obra aberta.

“A pessoa que menos pode falar sobre isso sou eu. Não sei o futuro do meu personagem, como também não sei o futuro do Tonico Pereira (risos). Agora, o Ascânio tem perspectivas. Começa pelo seguinte: acho que o Ascânio pode ser o Pai; e pode ser também o pai do Romero (risos)”, despista.

Será? E ele responde mais uma vez: “Eu tenho até um final na cabeça, mas é só uma ideia, como todo mundo deve ter algum palpite”, diz o ator, descomprometendo-se.

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Tonico Pereira nasceu na maior cidade do interior do Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, em 1948. Estudou em colégio católico na infância e, na adolescência, fez curso técnico de contabilidade. O encontro com as artes se deu em 1968, em Niterói (RJ), ao ingressar no Grupo Laboratório do Instituto de Letras da Universidade Federal Fluminense (UFF). Iniciou-se aí a bela trajetória de um ator brechtiano, popular e sincero.

E esse lance de laboratório, por exemplo, não existe mais para ele. “Eu tenho como prática não fazer laboratório nenhum”, explica. “Acho que o meu laboratório é a vida, ou seja, eu sou um ser humano capaz de ser tudo o que um ser humano pode ser; pleno”.

Tipos memoráveis
O fato é que o vigarista Ascânio entrou direto para a galeria de personagens memoráveis da tevê, aqueles com os quais atores versáteis e tarimbados como Pereira costumam fazer um estrago, batendo aquela bola com o texto, com o companheiro de cena e a câmera.

Tonico é afeito a esses personagens – tipos bem definidos, geralmente cômicos. Em 2014, despediu-se de outra figura ilustre do panteão teledramatúrgico, o chefe de repartição safadinho, o Mendonça, no seriado “A Grande Família”, da Globo.

Na mesma emissora, deu vida, durante quase uma década, entre 1977 e 1986, ao simpático e generoso camponês do “Sítio do Picapau Amarelo”, o Zé Carneiro.

Com o fim de “A Grande Família”, Tonico Pereira ainda encarou, este ano, o malandro do Mendonça, como participação no seriado “Chapa Quente”. Mas estava afastado de telenovela desde “Desejos de Mulher”, de 2002.
E Ascânio seria, então, uma oportunidade de reciclagem, de exercício? Ele diz que não, que não se pauta “como ator”.

“Eu acho que é uma oportunidade, sim, mas eu me pauto mais como ser humano. Mostro aquilo que vivi na vida. Na verdade, a minha escola é essa: a vida, os 67 anos”.

Então você já começa a aplaudir porque aí vem coisa. É um ator com macetes e cheio de engenhosidade, tipo olhar para a câmera ou buscar o olhar do parceiro em cena (vide as piscadelas entre Tonico e Giovanna Antonelli, a Atena).

“Eu sou muito motivado em teatro pelo entrar em cena, e na televisão e no cinema pelo ‘ação’. Até então, eu não tinha pensado em nada antes. Começo a brotar conforme vou fazendo, não tenho nada premeditado”, explica ele.

Diz que “sendo profissional”, tem de “estar pronto para o que der e vier”. “Eu sou chamado e, sempre que posso, aceito”, afirma. “Não tenho pretensões de fazer ou não tal personagem. Eu quero é trabalhar. Acho que o trabalho é o que dignifica o ser humano. É isso que eu procuro na minha vida”.

“Acho que o Ascânio é um personagem com possibilidades diversas. Se ele é um ser humano, tem todas as possibilidades tanto de ser bom, quanto de ser mau. O ser humano é isso”.

E as tatuagens? Enquanto o produtor de efeitos especiais faz o serviço, ele diz que aproveita para descansar. “Elas levam cerca de uma hora e meia para serem feitas”, entrega. (O Dia e Redação JC)

 

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