Serviços bancários digitais: Confira as mudanças que trouxe ao setor financeiro

0

Temos visto uma profunda transformação digital nos negócios.

Todos os setores da economia foram e serão ainda mais impactados pelas novas tecnologias, como blockchains, machine learning, aplicativos com microsserviços em nuvem e uma imensa variedade de dispositivos que interligam tudo isso.

No setor financeiro, uma revolução está para ocorrer com a regulamentação do Open Bank, que possibilitará a pulverização do mercado de crédito, ao permitir a entrada de novas fintechs no mercado, que possuem uma abordagem 100% digital e proveem APIs (protocolos de comunicação aberto, usando REST) para que os ecossistemas se conectem a esses serviços.

Tradicionalmente, temos um padrão de formatação para troca de arquivos em lote entre sistemas, regulamentado pela Febraban e complementado com especificidades de cada um dos bancos que seguem esse padrão.

Open Bank traz uma camada de tecnologia padronizada, permitindo maior concorrência na oferta de serviços financeiros.

Além disso, possibilita transações online, ao invés dos lotes defasados da formatação CNAB, o que faz com que boletos sejam registrados no banco, com uma simples chamada de API, e o link para impressão e distribuição do PDF do boleto por SMS ou e-mail.

Na Inglaterra, com a regulamentação da padronização dos serviços financeiros, ocorreu um boom no número de fintechs e “startups unicórnios”.

O Reino Unido, agora, é alvo de interesse de grandes investidores.

Uma recente pesquisa, feita pela Technation, mostra que a abertura e padronização atraiu um número maior de investidores no Reino Unido e tornou o país uma potência em fintechs.

No site openbanking.org.uk, por exemplo, já é possível se conectar a diversas fintechs pelo App Store, com serviços de transações online e gateways de pagamento.

Vários setores ligados também foram positivamente impactados, o chamado ecossistema financeiro, que é uma grande teia de sistemas conectados.

Por outro lado, os bancos tradicionais têm aumentado os investimentos em inteligência artificial, além de oferecer um leque cada vez maior de serviços digitais e integração em tempo real, ao invés do tradicional, já defasado, processamento em batch, via arquivo CNAB no padrão Febraban.

A criação do protocolo de segurança usa livros razão descentralizados, sem a intermediação de um órgão central, mais conhecido como blockchain, e resolve antigos problemas da humanidade, como escrituração de terras, contratos, uso como moeda e representação de um ativo físico.

Essa inquebrável cadeia de blocos exige uma grande rede de autenticadores, que empregam uma bruta carga de processamento, para resolver a complexidade do algoritmo de validação do blockchain e são remunerados por isso.

Agora, surge o novo modelo de negócios blockchain-as-a-service, que encurta a distância no uso dessa tecnologia integrado a outros sistemas. 

No varejo, a acirrada guerra das “maquininhas” trouxe competitividade ao setor, balançou grandes players, que navegavam em um céu azul e os levou a se reinventarem.

Nesse mercado, que já virou commodity, levar um serviço mais especializado para a ponta com inovações frequentes é o que vai perpetuar o negócio.

Se toda essa batalha não bastasse, vemos, agora, com a pandemia da COVID-19, o valor de mercado de bancos e fintechs despencar, e junto com isso vem à tona uma nuvem cinzenta de incertezas.

O fato é que, com a demanda imposta pelo isolamento, a economia e a sociedade foram transformadas.

Os meios digitais e virtuais passaram, mais do que nunca, a ser demandados.

As “maquininhas” já não são mais tão necessárias.

A guerra dos checkouts eletrônicos, pagamentos online e emissão de cartões virtuais traz novas formas interativas, que vão desde a criação da conta digital, emissão de cartões até as cobranças, com o envio de checkouts online (links de pagamento) ou emissão de boletos.

Serviços bancários digitais

Nos próximos anos, devemos enfrentar uma pressão maior de oferta de crédito vindo de diversas fontes, assim que o Open Bank for regulamentado pelo Banco Central.

Isso deve acirrar o leilão na concessão de microcrédito nas plataformas digitais e permitir a entrada de novos players no mercado.

Se o business principal da sua empresa não é financeiro, pode passar a ser, por meio de um mercado mais aberto aqui no Brasil.

O mercado de softwares empresariais não ficou de fora dessa mesma evolução, em termos de inovações, que o mercado financeiro trouxe.

A SAP inovou em tecnologia e processos para trazer um ERP inteligente ao mercado, que já é amplamente utilizado e traz ganhos visíveis de produtividade, perante o antecessor SAP ECC.

A robusta suíte de aplicações SAP permite que equipes de TI customizem seus sistemas, para que possam integrá-los a novos serviços financeiros.

Isso até funciona bem, se não fossem todas as complicações que um sistema próprio possui.

Adicionar novos serviços bancários, se ajustar às novas regulamentações e se manter atualizado exige um grande esforço de testes, validação e customização do sistema.

Demanda, também, investimentos em projetos de TI que, muitas vezes, geram uma saída de caixa inesperada.

É um pesadelo pensar na reconciliação de cartão de crédito, boletos, transferências e demais movimentações das contas bancárias.

Além disso, demanda dezenas de pessoas para manter a contabilidade empresarial conciliada com as transações e saldos das contas nas instituições financeiras.

As últimas pesquisas, que mostram o direcionamento do mercado de TI e o que os clientes pretendem comprar de software, revela uma ascendente adoção do mercado à subscrição de serviços na nuvem (SaaS).

Em uma eminente situação de negócios, o pensamento cloud-first pode encurtar o tempo de implantação em até 70%.

Com esse pensamento, sempre que surgem novas demandas das áreas de negócios, soluções cloud que fazem a especialização, por meio de plugins ou addons com o ERP, devem ser as primeiras a serem avaliadas.

Tanto pelo fato de trazerem um retorno mais rápido quanto por permitirem o teste de novos modelos de negócios, e, se não der certo a iniciativa, esse é um erro passageiro e com baixo impacto financeiro.

Também existe o aspecto de atualizações de formatos e regulamentações, que são realizadas automaticamente, de forma transparente para o cliente.

Por fim, há também uma grande vantagem financeira em ter o desembolso, com base no consumo, e não precisar provisionar recursos e contratar serviços que, muitas vezes, inviabilizariam o negócio.

Com sorte, teremos um mercado mais aberto.

Sigamos o exemplo do Reino Unido, a fim de propiciar um ecossistema financeiro diversificado e inteiramente conectado, para que as transações aconteçam da forma mais rápida e segura possível.

Por Rodrigo Glauser, Delivery Manager na FH, empresa de tecnologia especializada em processos de negócios e software. 

Sobre a FH – Ao completar 20 anos de atuação de mercado, a FH, empresa de tecnologia especializada em processos de negócios e software, passou a integrar o Grupo itelligence.