A necessidade trazida pelo fisco eletrônico de tratar as informações contábeis, fiscais e trabalhistas diretamente na fonte, e não mais no escritório contábil, tem levado as empresas a buscarem soluções capazes de gerenciar todos esses dados de forma eficaz e em conformidade com as inúmeras exigências da Receita Federal. Uma das alternativas é a contratação do serviço in company – modalidade que prevê a ida de um funcionário ou equipe para dentro da organização para a resolução de inconsistências apontadas pela auditoria ou ajudar a sanar dúvidas e dificuldades do departamento tributário e fiscal.

Diferentemente da consultoria contábil e auditoria, o serviço de contabilidade in company pressupõe um vínculo mais estreito com a contratante e um trabalho de imersão nas rotinas contábeis, na dinâmica de produção, amplo contato com os funcionários, diretoria e demais integrantes da contratante. Somado a tudo isso, é preciso que o profissional mantenha distanciamento suficiente para apontar falhas e dificuldades e ajudar a solucioná-las.

O modelo in company, explica o contador Maurício Gatti, é procurado principalmente por empresas de médio porte, já que as grande têm departamentos contábeis bastante robustos, e as pequenas buscam serviços mais simplificados. “Até existem aqueles que buscam esse modelo na expectativa de redução de custo da sua estrutura interna, mas isso não se aplica. Quem contrata o serviço de contabilidade in company está em busca da especialidade”, complementa o também diretor do Sescon/RS e sócio da Gatti Contabilidade.

A necessidade de contratação dessa solução surge normalmente em momentos extremos, como, por exemplo, quando há inconsistências e são requisitadas mais informações pela auditoria ou conselho administrativo da companhia, ou quando há um processo interno de negociação da empresa. A explicação para isso, diz Gatti, está na expertise dos escritórios contábeis em lidar com diferentes tipos de empresas e obrigações fiscais e tributárias. “Na empresa, o contador muitas vezes fica viciado em rotinas sempre iguais e acaba ficando defasado”, diz.

A instalação de uma equipe qualificada e especializada dentro da organização aumenta a chance de resolução do problema com segurança. Entre os grandes empecilhos para que as organizações consigam, sozinhas, dar conta do grande número de obrigações, os especialistas apontam, ainda, a alta rotatividade de auxiliares em cargos técnicos e a defasagem de softwares e ferramentas contábeis.

Para justificar a adesão a esse tipo de serviço, porém, é preciso ter um grande volume de informações circulando diariamente com o os órgãos de fiscalização, por meio de sistemas como EFD (Escrituração Fiscal Digital), Nota Fiscal Eletrônica, eSocial e demais braços do Sped (Sistema Público de Escrituração Digital), que têm trazido cada vez mais o fisco para dentro das empresas. “Quem opta pelo trabalho in company tem outra demanda, precisa de informação mais detalhada. Com isso, temos de atuar não apenas na área contábil, mas também na financeira, em processos internos, controladoria e, principalmente, na gestão do negócio”, afirma o empresário contábil Gumercino Neto, diretor executivo da NTW Contabilidade e Gestão Empresarial, rede hoje presente em 14 estados brasileiros por meio de 32 unidades.



Para o diretor da unidade de Belo Horizonte da NTW Contabilidade e Gestão Empresarial, Frederico Aziz, o mercado contábil tem que acompanhar as novas necessidades. “Não somos mais entregadores de papéis. Acreditamos que a função atual da contabilidade é muito mais consultiva, voltada à gestão, pois a parte fiscal é totalmente informatizada”, ressalta Aziz.

Customização está entre os atrativos

Aziz recomenda a realização de reuniões entre as partes
Por variar de acordo com as necessidades de cada cliente, outro aspecto intrínseco à contabilidade in company que vem despertando o interesse de empresários é a possibilidade de personalização do serviço prestado de acordo com suas necessidades e condições. Aspectos como tempo de duração do trabalho, ferramentas e softwares utilizados para tal, número de componentes da equipe e de qual ramo contábil e especialidade serão necessários, bem como o valor do pacote, são construídos em conjunto com a contratante, variando, é claro, de acordo com seu porte e com a complexidade do projeto a ser realizado.

Para que a execução saia de acordo com o planejado, é preciso, ainda, um sistema contábil minimamente consolidado e transparente. O fato de as informações contábeis estarem, cada vez mais, em ambiente digital também facilita o trabalho em todos aspectos.

O primeiro passo, diz o contador e advogado tributarista Frederico Aziz, sempre é fazer reuniões para alinhamento das expectativas. “Cada empresa tem necessidades diferentes e nesses encontros tratamos de identificar as insatisfações e ‘gargalos’ onde podemos atuar de forma imediata”, salienta Frederico Aziz, diretor executivo da NTW Contabilidade e Gestão Empresarial Pampulha, de Belo Horizonte.

Aziz comenta que a segurança de ter alguém com conhecimento técnico “auditando” os processos diretamente na empresa é algo que todo empresário sonha. “A simples presença de nosso pessoal já dá novo ambiente de trabalho, ajudando até mesmo os funcionários da empresa, que têm uma fonte de recursos sempre à mão, seja para uma simples dúvida, ou até mesmo para fazer uma relação entre a empresa e o escritório sobre um assunto mais complexo”, destaca.

Os dois lados saem ganhando, reflete Aziz. “Ganham o escritório contábil, que para de perder tempo corrigindo informações erradas enviadas ao fisco, e o cliente, por não precisar contratar mão de obra especializada e ainda ter um profissional especialmente qualificado para atuar com as suas ferramentas de gestão”, analisa.

Nível de exigência é maior

Gatti destaca a necessidade de conhecer o histórico da empresa
Diretor de um dos mais tradicionais escritórios de contabilidade do Estado e oferecendo há aproximadamente 15 anos a modalidade in company aos seus clientes, Maurício Gatti sublinha que, antes de lançar o serviço personalizado no mercado, o empresário contábil deve avaliar se está disposto e preparado para o aumento das cobranças. A explicação é simples. Ao decidir investir na contratação de um escritório contábil para desempenhar uma função que não foi capaz de executar, a empresa acaba depositando a expectativa de um trabalho acima da média.

O investimento em pessoal, sempre importante, independentemente do trabalho desenvolvido, tornar-se crucial. É preciso ter bons profissionais para ter qualidade melhor do que o apresentado pela equipe da contratante. “Para oferecer uma equipe com serviço adequado, tenho de ter um bom horário de cobrança. Por isso, esse modelo sai mais caro. Em contrapartida, é mais seguro”, resume.

O trabalho não é simples, destaca Gatti. “Para entrar em uma organização, mesmo falando daquelas com estrutura de médio porte, tenho que conhecer sua história, estrutura, politica, negócio, o que produz, onde compra. Tenho que evitar qualquer risco de incorrer no erro”, alerta o empresário.

Ao gerenciar de perto as informações relativas ao negócio, a empresa contábil passa a ter um papel fundamental em reuniões estratégias e tomadas de decisão que podem definir o rumo da organização. O nível de exigência do cliente, por outro lado, torna-se ainda maior, pois ele acompanha diariamente o desenrolar das atividades contábeis e pode confrontar de maneira ágil e direta os seus dados com os colhidos pela contabilidade.

O lado bom da cobrança, diz o empresário contábil Frederico Aziz, diretor executivo da NTW Contabilidade e Gestão Empresarial Pampulha, é que o contador é levado a buscar sempre um novo horizonte e nunca se acomodar. “Não posso chegar lá apenas com números debaixo do braço, mas trazendo acompanhamentos capazes de ajudar o empresário a compreender melhor o seu negócio. O nosso trabalho acaba sendo mais consultivo do que operacional”, diz, entusiasmado.

Matéria: Roberta Mello – http://jcrs.uol.com.br/