Criada pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, a campanha Setembro Amarelo acontece desde 2014.

O dia 10 deste mês é oficialmente o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas essa é uma campanha que ocorre durante todo o ano.

Todos os anos são registrados aproximadamente 12 mil suicídios no Brasil e, no mundo, esse número chega a 1 milhão de ocorrências.

Por volta de 96, 8% dos casos estão relacionados a transtornos mentais, sendo a depressão a primeira causa, seguida do transtorno bipolar e do abuso de substâncias químicas.

O suicídio é considerado um problema de saúde pública e segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1 brasileiro tira a própria vida a cada 45 minutos e 1 pessoa a cada 45 segundos em todo o mundo.

É fundamental que se se fale sobre prevenção ao suicídio no ambiente organizacional, assim como nos problemas de saúde mental.

Na Plano Consultoria, apoiamos a causa do Setembro Amarelo e assumimos o compromisso em nossos meios de comunicação para a conscientização sobre a gravidade do problema.

É preciso falar sobre saúde mental nas organizações

Segundo relatório emitido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), entre os anos de 2012 e 2018, o Brasil teve um gasto equivalente a R$ 15, 6 bilhões com despesas de auxílio-doença.

Apenas em 2017, segundo a Previdência Social, os transtornos mentais afastaram mais de 178 mil pessoas do ambiente de trabalho.

Episódios de depressão foram responsáveis pelo índice de 43,3 mil auxílios-doença, sendo considerada a décima doença com mais afastamentos, os transtornos de ansiedade ficaram na décima quinta posição, com 28,9 mil casos.

Sendo a depressão e outros problemas, fatores que podem desencadear no suicídio (razão da campanha Setembro Amarelo), é de suma importância que o tema saúde mental seja pauta recorrente entre as empresas.

Aliás, um ambiente organizacional insalubre pode atuar no desenvolvimento de transtornos mentais entre os colaboradores.

Dentre os fatores que podem levar a problemas mentais, estão:

  • Jornadas de trabalho exaustivas,
  • Metas além do alcance;
  • Falta de reconhecimento;
  • Ausência de autonomia,
  • Entre outros.

As doenças mentais associadas ao trabalho mais comuns são: depressão, síndrome do pânico, ansiedade e síndrome de Burnout ou esgotamento profissional.

Aliás, essa última geralmente afeta profissionais que desempenham trabalhos estressantes, um exemplo, são os profissionais de enfermagem que durante a pandemia, principalmente no início do surto de casos, precisaram se desdobrar na linha de frente dos hospitais.

Quando é o trabalho o fator desencadeante de transtornos mentais, é preciso rever algumas importantes questões como a de como as organizações têm lidado com esse tema.

Até pouco tempo atrás, as pessoas costumavam esconder o diagnóstico de alguma doença emocional, por conta dos preconceitos e julgamentos e, ainda hoje, mesmo com tantas informações e educação sobre o assunto, ainda há julgamentos quanto a pessoas com problemas de saúde mental nas empresas.

Todos no âmbito organizacional estão sujeitos a alguma doença mental, sejam gestores, líderes, colaboradores, parceiros, etc.

A ansiedade, que muitas pessoas afirmam que “todo mundo tem”, é outro problema que pode e afeta diretamente as pessoas na realização de suas atividades profissionais.

Setembro Amarelo – pandemia como fator de risco

Quando se fala na campanha Setembro Amarelo e na importância da conscientização dentro e fora das empresas, não se pode deixar de lado o contexto da pandemia como fator agravante de transtornos mentais que costumam estar associados ao suicídio.

O mundo precisou rever rotinas e comportamentos, o modelo de trabalho home office para muitas pessoas representou um outro problema (ter de lidar consigo mesmas ou com algum contexto familiar que não estavam habituadas, entre outras questões).

Pessoas com algum problema emocional passaram a se sentir pior com o novo cenário por conta da pandemia.

Além disso, nem todas as pessoas se sentiram confortáveis para continuar com as sessões de terapia à distância.

Por essas e tantas outras razões, quando se fala em Setembro Amarelo é preciso literalmente agir com a atenção que a cor amarela impõe.

Ter atenção quanto à realidade do suicídio no mundo, ter atenção de que transtornos mentais acometem milhares de pessoas no mundo e de que precisam ser tratados.

A escuta ativa é essencial – Preste atenção em quem está ao seu lado

E nesse contexto de home office, ainda tão presente em tantas empresas, a escuta ativa é prestar atenção no que é dito, escrito em mensagens e até no que não é dito.

Os colaboradores estão precisando de alguma coisa? De algum apoio? De alguma atenção especial a algo que tem ocorrido em sua vida além do profissional?

Não são só os assuntos relacionados a trabalho que precisam estar em pauta.

Como as pessoas se sentem é tão ou mais importante do que como ou quando realizam as suas atividades.

Uma atenção, uma simples atenção e olhar pode mudar um curso de vida, já pensou nisso?

O Setembro Amarelo é um chamado à atenção.

Fique atento enquanto empresa, enquanto gestor, enquanto colaborador, enquanto parceiro… se atente a si mesmo, às próprias emoções e, sobretudo, se atente ao seu próximo.

Empresas precisam adotar políticas que visem a promoção da saúde mental entre todas as pessoas que compõem a organização.

Não é normal se sentir mal, se sentir desmotivado em excesso, se sentir esgotado, achar que a própria vida não tem valor… é preciso pedir ajuda, mas o que o Setembro Amarelo alerta é que quando alguém não conseguir sequer pedir ajuda, é importante ser o ouvido atento, a fala orientadora e as mãos que se estenderão ao próximo.