As necessárias medidas de isolamento para conter novos casos de covid-19 impactaram profundamente as dinâmicas sociais e a economia mundial.

Bilhões de pessoas ainda enfrentam algum nível de restrição de circulação e muitas atividades profissionais e comerciais pararam parcial ou integralmente.

Ainda em março, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu o espalhamento global do vírus, previsões da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad) apontavam para perdas econômicas globais de US$ 1 trilhão no ano de 2020.

Os Estados Unidos, por exemplo, registra sua maior taxa de desemprego desde a década de 1970.

Neste delicado equilíbrio para salvar vidas, abastecer a população e manter as atividades econômicas essenciais funcionando, alguns segmentos seguem estáveis e outros se expandiram graças às mudanças comportamentais e às novas necessidades impostas pela pandemia.

Veja, neste artigo, quais são esses setores que resistem à pandemia.

A todo vapor: 5 setores que seguem de pé em meio à pandemia

Insumos químicos

O setor de insumos químicos é um dos que seguem firmes em meio à pandemia.

A indústria química é considerada um serviço essencial por fornecer matéria prima para diversas outras indústrias como a farmacêutica, de produtos de limpeza, de alimentos, entre outros.

Um exemplo é o da Oxiteno, gigante da indústria química e líder na produção de surfactantes e outros compostos essenciais para a produção de produtos de limpeza e higiene — armas indispensáveis na luta contra o vírus. 

Além da continuidade operacional, a empresa também está realizando doação de matérias-primas, como as 2 toneladas de glicerina doadas ao Senai Cimatec para produção de álcool glicerinado para higiene das mãos.

O material será distribuído para o combate da covid-19. 

E-commerce

Desde o início dos primeiros casos de covid-19 no Brasil, as compras online cresceram consideravelmente, e os varejistas que já estavam adaptados ao comércio eletrônico saíram na frente para abastecer seus consumidores em isolamento social.

Segundo levantamento realizado pelo Ebit/Nielsen, houve um crescimento acima da média nas compras online de produtos de higiene pessoal e limpeza, como álcool em gel (+310%) e de limpeza (+65%), desinfetantes (+14%), água sanitária (+41%), entre outros.

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Delivery

A grande demanda pelas entregas em domicílio vem impulsionando os aplicativos de delivery por todo o país.

Os apps já famosos pela entrega de refeições também estenderam sua atuação para compras de supermercado, farmácia e produtos pet, levando aos confinados praticamente tudo o que é necessário durante o isolamento social. 

De acordo com uma pesquisa feita pela OnYou, restaurante, farmácia e supermercado estão entre os tipos de estabelecidos mais requisitados por meio do delivery.

O app mais utilizado é o iFood.

Tecnologias e equipamentos para home office

A tendência do trabalho remoto já existia, mas foi acelerada e amplamente adotada por inúmeras empresas e trabalhadores autônomos para dar continuidade às suas atividades.

A necessidade por home office aqueceu as vendas de computadores e outros periféricos, além de itens e móveis necessários para uma melhor ergonomia durante a jornada de trabalho em domicílio e de pacotes mais robustos de internet para suportar o tráfego das demandas remotas. 

De acordo com um levantamento do Nexo a partir de dados do Google Trends, cadeira de escritório e fone de ouvido estão entre os itens mais procurados.

Ensino online

O fechamento das redes públicas e privadas de ensino levou muitas instituições a adaptarem seus conteúdos para atender seus alunos através do ensino a distância.

A medida de caráter excepcional teve a autorização do Ministério da Educação (Portaria número 343, de 14 de março de 2020) para viabilizar o andamento do cronograma letivo de 2020.

O impulsionamento do ensino a distância levou inúmeras instituições de ensino a oferecerem cursos online gratuitos a quem deseja aprender mais ou mesmo se capacitar durante o isolamento social, como Udemy, USP, Senai, Harvard, entre outros. 

Incertezas devem persistir

Mesmo com o destaque de alguns setores, potências econômicas e países emergentes ainda calculam os impactos dessa pandemia sem precedentes na história moderna.

O FMI alerta que os resultados dessa paralisação global podem levar a um encolhimento de 3% na economia global ainda em 2020.

Até o momento, não há uma projeção exata para o final da pandemia do novo coronavírus.

Soumya Swaminathan, cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), declarou em uma videoconferência ao Financial Times que o controle total da pandemia do novo coronavírus pode levar até cinco anos.

O cenário ainda é extremamente desafiador e exige transformações rápidas, com tomadas de decisões estratégicas por parte de governantes, cientistas, órgãos de saúde e setores econômicos.

A batalha continua.