Em 2020 as startups brasileiras tiveram o melhor ano de todos captando mais de US$ 3,5 bilhões

Setor bate recorde, mesmo diante da pandemia; transformação digital é acelerada e empresas de base tecnológica atraem capital de risco.

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As startups brasileiras tiveram o melhor desempenho da história no que diz respeito à captação de investimentos ao longo de 2020.

De acordo com o Inside Venture Capital Brasil, levantamento mensal realizado pelo Distrito Dataminer, braço de inteligência de mercado da empresa de inovação aberta Distrito, as jovens empresas de base tecnológica receberam mais de US$ 3,5 bilhões entre janeiro e dezembro de 2020 — volume 17% superior aos US$ 2,97 bilhões aportados em 2019. 

O acumulado anual ganha destaque também em número de rodadas, o maior da história até então.

No período destacado, foram 469 aportes realizados, ante 408 efetivados em 2019, até então o ano com volume mais expressivo.

Somente em dezembro deste ano, foram US$ 580 milhões, distribuídos em 33 rodadas de investimento. 

“Diante do cenário social e econômico que tivemos em 2020, sem dúvida alguma, tivemos um ano surpreendente para as startups.

2019 foi espetacular e as expectativas para 2020 eram muito positivas.

O ano começou aquecido com a Loft se tornando unicórnio e os meses de janeiro e fevereiro quebraram recordes para o período.

Em março e abril, no entanto, acompanhamos uma pequena desaceleração, em meio a um cenário de extrema incerteza por parte de investidores e empreendedores”, comenta Gustavo Gierun, cofundador do Distrito.

“Com o passar do tempo, os investidores retomaram a confiança e as grandes empresas aceleraram  a busca por soluções digitais criando um ambiente fértil para novos negócios.

Startup

Mais uma vez o mercado de tecnologia e inovação comprovou sua resiliência e visão de longo prazo.

Tivemos um recorde em volume e número de transações em 2020 e acreditamos que 2021 será ainda maior”, completa. 

Entre os principais investimentos realizados ao longo de dezembro estão as mega rodadas destinadas às fintechs Creditas e C6, no valor de US$ 200 milhões cada.

O montante fez do último mês de 2020 o segundo maior da história em volume de aportes, perdendo apenas para setembro de 2020, quando Neon e VTEX receberam investimentos de US$ 300 milhões e US$ 225 milhões, respectivamente. 

Em uma análise quanto à maturidade das startups no momento da captação, nota-se que, naturalmente, a maioria dos aportes está concentrada nos estágios iniciais (Anjo, Pré-Seed e Seed).

Nessas categorias, são 337 no total.

Porém, a maior parte do volume investido (US$ 3,2 bilhões) se concentra em rodadas de Série A a G e em Private Equity. 

Entre as rodadas em estágios iniciais realizadas em dezembro de 2020, ganharam destaque no estudo os aportes recebidos pela foodtech Floki, que captou US$ 630 mil  em uma rodada liderada pela Iporanga Ventures; e a fintech Conta Simples, que recebeu um montante de US$ 2,5 milhões em uma rodada liderada pela Quartz. 

Fusões e Aquisições   

Ao todo, 163 fusões e aquisições de startups foram realizadas ao longo dos últimos doze meses, volume que faz de 2020 o maior ano em número de transações deste tipo no mercado brasileiro.

O montante é 154% superior ao registrado em 2019, quando ocorreram 64 aquisições. 

As startups dos setores de financeiros (fintechs), de TI e de marketing e propaganda (adtechs) foram as que mais atraíram interesse de grandes companhias em 2020.

Em cada destes segmentos, foram adquiridas 22, 22 e 20 startups, respectivamente.