As startups estão enfrentando melhor a crise causada pelo coronavírus do que os pequenos negócios convencionais.

Uma pesquisa conduzida pelo Sebrae em parceria com a Finep revelou que, enquanto 87% das micro e pequenas empresas registraram queda no faturamento com as medidas de restrições impostas no período, o número entre as startups foi de 68%.

De acordo com o mesmo estudo, cerca de 13% das startups conseguiram aumentar o faturamento apesar da crise.

Entre as micro e pequenas empresas, o valor é de 4%. Um dos fatores que podem explicar o fenômeno está na capacidade de inovação, normalmente mais acentuada em startups, que são empresas jovens com modelos de negócios de fácil reprodução e com potencial de crescimento. Esse tipo de companhia é, geralmente, criado para solucionar algum problema, e elas existem, justamente, em um cenário de incertezas.

Ligadas à área de tecnologia, o caminho da adaptação foi mais simples, já que essas empresas já lidam com inovação diariamente.

Em questão de manutenção do quadro de funcionários, 76% das startups não fizeram demissões e 16% contrataram mais colaboradores depois do início da pandemia, principalmente para os times de tecnologia, que conseguem auxiliar na digitalização de alguns processos e melhorar a infraestrutura do home office dos demais funcionários, seja com a melhor disponibilização de um notebook para quem precisa ou no aumento de segurança para o compartilhamento de documentos confidenciais da empresa.

Entre as respondentes da pesquisa, 85% necessitam de crédito, principalmente para compor o capital de giro.

Ainda assim, 26% têm caixa para sobreviver por 30 dias e 29% têm caixa para sobreviver por mais de 90 dias.

Para o presidente do Sebrae, Carlos Melles, as informações mostram o quão importante a inovação é em meio ao empreendedorismo e aos cenários de risco.

“A difusão da inovação entre os pequenos negócios tornou-se uma meta do Sebrae. Acreditamos que somente com inovação as micro e pequenas empresas serão capazes de enfrentar os enormes desafios da crise criada pelo novo coronavírus, que acelerou alguns processos que a economia global já vinha sinalizando: a exigência de mais competitividade e produtividade”, comenta Melles.

Apesar disso, o período para essas empresas também não foi fácil, pois 52% das startups já tentaram crédito em intuições financeiras, enquanto 39% dos micro e pequenos negócios fizeram o mesmo.

Entre as empresas de inovação, somente 9% conseguiram, 30% estão aguardando resposta e 61% não conseguiram.

Os principais motivos alegados para a negação de crédito foram falta de garantias e pendências no CPF/CNPJ.

O estudo foi realizado entre os dias 28 de maio e 03 de junho, com a participação de 833 startups.

Entre elas, 58% possuem mais de quatro anos de existência no mercado em segmentos bem variados, como healthtech (11%), martech e edtech (9%), fintech e agritech (8%).