Suporte psicológico para a funcionária com câncer de mama pode ser essencial no tratamento

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No mês de outubro de 2019, o câncer se tornou o principal tema de diversos noticiários após o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), ter sido diagnosticado com um tumor no estômago.

E mesmo com a rotina intensiva de sessões de quimioterapia seguidas por algumas internações, o político decidiu dar sequência aos trabalhos.

Este é apenas um exemplo de como a conciliação da doença junto ao mercado de trabalho já se tornou uma realidade bastante comum no Brasil e no mundo. 

Um ano antes (2018), a mesma doença foi a segunda que mais resultou em mortes por todo o planeta, ficando atrás somente das cardiovasculares.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 9,6 milhões de pessoas foram atingidas por este mal.

O cenário em território brasileiro não é muito diferente, sendo que, entre 2018 e 2019, 600 mil casos de câncer foram notificados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). Este, também prevê que, dentro de dez anos a neoplasia poderá ser o principal fator causador de mortes no Brasil. 

Ao analisar estes números que correspondem somente à uma parcela da realidade de muitas pessoas, é possível observar que a doença é mais comum do que se pensa.

E tendo em vista não somente o impacto inicial do diagnóstico, outros fatores também são influenciados pela doença.

Além do apoio familiar que é essencial neste momento, um fator que também é de grande importância se trata do suporte psicológico à funcionária no ambiente de trabalho. 

Isso porque, atualmente as pessoas passam mais tempo na empresa do que em casa. E a compreensão perante a situação a ser enfrentada pode ser um gancho para um tratamento bem-sucedido, ao amenizar a preocupação da funcionária sobre os empecilhos que a doença pode causar na produtividade laboral.

Entretanto, muitas companhias ainda não estão totalmente preparadas para auxiliar as funcionárias nesta condição. 

De acordo com o levantamento “Como as empresas lidam com o câncer?”, realizado em 2019 pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), em conjunto com o movimento sem fins lucrativos, Go All, os gestores apresentaram dificuldades em promover algum suporte para os colaboradores enfermos (68%), bem como, na questão de ressocialização do colaborador que venceu o câncer no ambiente de trabalho (35%).

Ainda que 58% das empresas realizam campanhas sobre a prevenção ao câncer através da divulgação de informações sobre a doença, práticas genéricas e desarticuladas, entre outros aspectos, apenas 9% se mostraram aptas mediante as ações propostas.

Além disso, somente 20% realmente contam com programas na área da saúde, as quais concentram os esforços em serviços que não estão diretamente relacionados ao câncer, como check-ups (73%) e educação para a saúde (72%).

Fatima Rodrigues de Barros foi diagnosticada com câncer de mama e, teve um histórico de saúde complicou que afetou a recuperação, mas que, foi primordial para superar a situação.

Depois de uma série de cirurgias e radioterapia, ela passou por uma operação devido a um tumor benigno no revestimento cerebral, além de precisar retirar pedras nos rins. Em meio à todas essas dificuldades, ainda foi diagnosticada como uma pessoa depressiva. 

Considerando o quadro geral de saúde, a consultora de vendas precisou se afastar do trabalho por algum tempo, para focar em realizar todos os tratamentos necessários para a recuperação.

Além do apoio familiar, contou com orientações da equipe de assistência social integrada à empresa que trabalho, o que, segundo ela, foi fundamental. 

“Eu senti segurança, principalmente na indicação dos médicos que eles procuravam para eu passar.

Esse apoio, eu achei fundamental, saber que se você precisar de alguma coisa ou tiver algum problema, você pode ligar e a pessoa pode correr atrás.

A assistente social ligava para a gerente para explicar meu caso, para ela ter paciência”, contou. 

Especialistas na área da saúde e no meio corporativo afirmam que, principalmente no caso das mulheres com câncer de mama, este tipo de acolhimento é uma atitude positiva.

Considerando uma extensa e complexa rotina que pode durar meses ou até anos, com sessões de quimioterapia, radioterapia e cirurgias em casos mais graves, todas as circunstâncias resultando sintomas desagradáveis, ter uma válvula de escape e se sentir segura no ambiente em que se encontra, ajudam a equilibrar o emocional da pessoa. 

Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, mostrou a dificuldade de retorno ao trabalho após o diagnóstico ou tratamento da doença.

Somente 30,3% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama voltam a trabalhar um ano depois de tomar ciência do quadro de saúde.

Ainda que 73% recebam o apoio do empregador, apenas 29% relataram ter recebido alguma oferta para reajustar a rotina laboral.

Já ao analisar outra pesquisa, esta executada pelo LinkedIn em parceria com a Fundação Laço Rosa, no ano passado, o cenário foi exposto mediante uma outra perspectiva.

Isso porque, apenas 31% das colaboradoras que têm ou que já enfrentaram a doença continuaram exercendo a atividade profissional após receberem o diagnóstico.

Além disso, mesmo empregadas, 28% relataram dificuldades em conciliar a rotina trabalhista com os efeitos colaterais do tratamento. Outras 19% indicaram a falta de políticas de apoio e, 12% não tiveram a oportunidade de trabalhar de casa. 

Por Laura Alvarenga