Tendências do mercado de crédito brasileiro de 2021

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Com o término de 2020, o Banco Central divulgou os indicadores de crédito de dezembro, encerrando um dos anos mais monitorados dos últimos tempos.

Após todos os impactos gerados pela crise da Covid-19, encerramos o ano com uma sensação de alívio no crédito.

Os volumes praticamente voltaram aos patamares dos anos anteriores, a inadimplência que foi tão temida no início da crise permanece em baixa, e temos alguns pontos de observação importantes para 2021.

Vamos aos números.

Relação Crédito X PIB

A relação Crédito X PIB continua em crescimento e atingiu 54,2%, o maior número desde o início da série histórica.

Com o Produto Interno Bruto (PIB) em processo de retomada, vemos um interessante crescimento das linhas de crédito de recursos livres, que nas linhas de PF e PJ cresceram respectivamente 3 e 4 pontos percentuais nos últimos 2 anos.

Mercado de Crédito

Como mencionado no início, o mercado de crédito retomou o crescimento a partir de julho, com ascensão similar aos anos anteriores.

Abaixo vemos que o mês de dezembro foi ainda inferior ao ano de 2019.

Mas o que pode ser visto com preocupação pelo comércio e mercado financeiro em geral, acaba sendo um fator positivo pelo controle do endividamento para os próximos meses.

Dentro dos produtos que compõem a carteira, temos 4 destaques.

Tanto o Cartão de Crédito como o Crédito Pessoal se recuperaram da queda ocorrida no início da pandemia, tendo um dezembro similar ou em patamares inferiores a 2019.

Destaque para as operações de veículos com um dezembro de quase 15% de crescimento em relação a 2019.

O produto que merece a maior atenção é o de renegociações de dívida, que teve um crescimento acelerado no início e sem dúvidas foi o protagonista no apoio para a redução da inadimplência.

Importante perceber que em dezembro a carteira de renegociação ainda apresentou crescimento, sendo 7,44% frente a novembro e 40,94% frente a 2019.

No mercado dedicado a pessoas jurídicas, a carteira de crédito mostrou-se ainda em crescimento e a de pessoas físicas mostrou um dezembro igualmente mais conservador, fator este indicado como positivo dado o risco de endividamento para 2021.

O grande destaque entre os produtos de PJ ainda é o Capital de Giro, que sem dúvida será o protagonista em termos de gestão de carteira em 2021 dado o crescimento ocorrido em 2020.

O segundo produto em termos de representatividade é o Financiamento a Exportações, que após o crescimento no início da pandemia retornou aos patamares dos anos anteriores.

Com relação aos recursos direcionados vale destaque em dois produtos.

Em Pessoas Físicas o destaque vai para o Crédito Imobiliário, com um crescimento de 11,68% de carteira e de 50,42% em relação à concessão frente a 2019.

Para Pessoas Jurídicas, o destaque vai para o produto Outros, que engloba o PRONAMPE, produto de crédito do governo de incentivo a pequenas e médias empresas, que teve um crescimento de destaque por conta da pandemia.

Indicadores de Cobrança

A cobrança, que trouxe calafrios no início da pandemia, fechou o ano com o menor percentual dos últimos 5 anos em todos os 4 segmentos, PF e PJ recursos livres e em PF e PJ recursos direcionados.

A notícia positiva dos indicadores de cobrança não deve ser motivo de relaxamento.

O cenário do início de ano sempre traz os desafios de sempre e aumentos de inadimplência.

Isso tudo em um momento que não há previsão de uma grande vacinação para o primeiro semestre.

É fundamental que as empresas revisem suas políticas de crédito e principalmente suas políticas e produtos de cobrança, visando ofertar planos de negociação que atendam as necessidades dos seus clientes.

Por: Eduardo Tambellini, Consultor de Negócios da FICO