A teoria U é baseada em estudos antigos realizado em 1960 por pesquisadores da área de pedagogia na Holanda.

A partir dos questionamentos gerados, 30 anos depois, Otto Scharmer, Peter Senge e Joseph Jaworski, desenvolveram as principais etapas que consistem na metodologia U, sendo: o começo, o meio e o fim do processo de descoberta. O ‘U’ simboliza todo o processo percorrido.

O método pode ser aplicado em diferentes contextos organizacionais. A Plano Consultoria esclarece quais são as vantagens, por quem pode ser aplicado e porque a Teoria U é uma metodologia extremamente importante em contextos complexos. Para entender com profundidade sobre o tema leia o livro “O Essencial da Teoria U”.  

Processos alteram pessoas, pessoas moldam processos

Antes no ambiente organizacional o entendimento era de que as pessoas precisavam se adaptar às mudanças de maneira prática, ou seja, ‘está aqui a mudança, agora pode executar’.

Será que essa é uma maneira eficiente de ensinar algo? Inclusive, será que de fato o colaborador que irá se deparar com essa mudança está compreendendo o processo por trás e a razão pela qual está seguindo esse caminho?

A Teoria U incentiva enxergar o humano como humano.  

Por que esse é um método de mudança válido e eficiente?

Ao implementar mudanças na empresa é essencial que as razões para a transformação, tal como as percepções de todos os envolvidos, sejam consideradas.

São as pessoas que serão responsáveis por todo o processo, portanto, é uma questão lógica e ao mesmo tempo empática, entender como essa mudança será percebida.  

O método atua na conexão do time com as ideias apontadas. O que ainda faz sentido na execução do trabalho e processos que precisam ser deixados de lado.

No momento de descoberta, questionamento e percepção, insights surgem apontando um novo direcionamento.

É viável a compreensão de que qualquer tipo de mudança deve ser inserida de modo que as pessoas assimilem, pois serão transformadas juntamente com o novo cenário.

Apenas apresentar a mudança sem um contexto e preparo é eliminar o lado humano na empresa, banir qualquer nível de avanço e produtividade.

Os colaboradores ou individualmente ‘o colaborador’, necessita compreender a importância dessa mudança para a sua trajetória profissional, quais serão os benefícios e como a transformação pode auxiliar na jornada interna.

Vale lembrar a frase de Peter Senge “Organizações aprendem apenas através de indivíduos que aprendem”.

Nunca fez sentido enxergar pessoas como engrenagens, pois uma organização depende não só da produção, mas do valor da entrega, engajamento e, muitas vezes, o sentimento de pertencimento do time no local de trabalho.

Exercício da escuta empática

Uma abordagem muito interessante que Scharmer traz é a execução da escuta no dia a dia das organizações, sobretudo por parte da liderança.

Segundo o pesquisador boa parte dos líderes não sabe escutar e carregam mentalmente seus próprios argumentos ‘prontos’.

A Teoria U também sugere uma nova consciência sobre esse comportamento que impede o alcance de novas percepções coletivas e avanço.

Ao ouvir o outro a mente automaticamente acessa as crenças, memórias e experiências prévias. Todas essas respostas são geradas automaticamente. Como evitar reproduzir?

Como evitar esse comportamento automático e trazer uma maior consciência para os diálogos e trocas com o time?

Segundo o autor não há segredo, exceto o exercício da escuta com empatia. No lugar de transferir a mensagem dita para esse processamento automático de crenças e visões já estabelecidas pela mente, o ideal é se colocar no lugar de quem está falando.

O que a pessoa quer dizer, porque diz, o que a levou a essa percepção?

Perceba que para levantar os questionamentos da escuta empática você vai levar um tempo de processamento, para assim gerar uma reflexão.

Será que está permitindo essa pausa no dia a dia?

É essencial que durante as reuniões em que todos ou maioria quer expor as próprias ideias, seja dedicado um tempo necessário para assimilar.

Perceba que esse exercício é fundamental em qualquer construção coletiva e colaborativa.

É preciso que o líder entenda cada vez mais sobre os próprios processos cognitivos automáticos, dominá-los e só assim executar com assertividade o posicionamento na comunicação.

Quando essa consciência é alcançada por parte de quem lidera, todos irão se espelhar e ter maior cuidado ao expor um pensamento automático. O exercício da reflexão será um hábito na equipe, assim como a escuta com empatia.

Exercício para enxergar e perceber

Lidar com crenças, percepções e limitações em um grupo de pessoas não é um processo simples.

A aplicação prática da Teoria U deve ser intermediada por um especialista ou pessoa com alta empatia na liderança.

Governos, Universidades e Organizações distintas podem aplicar a Teoria U. A Natura, por exemplo, convidou Otto Scharmer para conduzir um processo de mudança na empresa.

O autor diz que para usufruir das vantagens da percepção através do método é preciso estar de open heart, (coração aberto).

O que significa estar de coração aberto? Simplesmente estar sensível para observar e dominar o automático que tanto norteia a mente humana.

Dominar a própria personalidade e estar em busca de respostas mais amplas, significativas e transformadoras a partir de si e da integração de todos.