Veja como a pandemia afetou balanços parciais de empresas de tecnologia

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A pandemia do novo coronavírus mudou os hábitos de consumo e entretenimento alavancando os resultados de empresas como Amazon e Netflix no primeiro trimestre

A pandemia do novo coronavírus sacudiu – e ainda está sacudindo – as relações de uma forma geral.

Uma vez que a locomoção está limitada, as pessoas foram obrigadas a mudarem a forma como se comunicam, trabalham, relacionam e entretêm.

Isso porque a contenção da covid-19, síndrome respiratória grave que já dizimou mais de 350 mil pessoas ao redor do mundo, depende do distanciamento social.

Com todas as interações com o mundo externo sendo realizadas dentro de casa, a economia, de um modo geral, sofreu um baque importante.

E, dizem os especialistas, os efeitos serão sentidos ainda pelo próximo biênio.

O mercado de ações ficou muito volátil, o dólar foi nas alturas, permanecendo na casa dos R$ 5 desde que tudo começou. 

No entanto, nem todas as empresas têm motivos para reclamar. O setor de tecnologia, por exemplo, tem conseguido resultados bastante expressivos no meio da crise.

Especialmente as empresas ligadas às comunicações, como as plataformas de videoconferências e as de entretenimento como Facebook e Netflix e vendas on-line como a Amazon e o AliExpress.

Sem poderem fazer aglomerações presenciais, as pessoas estão se valendo dessas ferramentas para aplacarem a saudade, realizarem as reuniões de negócio, consumirem e garantirem alguma diversão no meio do caos.

Resultados da Amazon

Gigante do mercado varejista on-line, a Amazon apresentou resultados de vendas bastante satisfatórios no primeiro trimestre de 2020, dando de ombros à crise gerada pela pandemia.

O lucro do período foi de US$ 75,5 bilhões, o que corresponde a um aumento de 26% no comparativo com o mesmo período do ano passado.

No entanto, o lucro operacional, resultado da equação Lucro Bruto – Despesas Operacionais + Receitas Operacionais, ficou abaixo do registrado no primeiro trimestre de 2019. Foram US$ 3,9 bi contra US$ 4,4 bi do ano anterior.

Para o próximo trimestre, a expectativa é de investir U$ 4 bilhões no combate ao coronavírus. A estratégia da empresa é usar o lucro operacional estimado para o período na aquisição de produtos de combate ao coronavírus para os clientes e também para manter os funcionários seguros.

Desempenho das ações da Amazon

A estratégia é ousada e pode dar certo, mas o mercado não reagiu muito bem ao anúncio.

As ações da Amazon registraram queda de 5% tão logo o dono da companhia, Jeff Bezos, revelou os planos para o futuro próximo.

A reação se justifica porque essa quantia é a projetada para o lucro operacional da empresa em condições normais, o que passa longe de ser o que o mundo está vivendo nesse momento.

Apesar dessa breve queda, até o dia 15 de maio, os papeis da companhia registraram valorização de mais de 30% no ano.

Outras empresas do mesmo grupo, denominado FAANG (Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google) também apresentaram bons resultados, contribuindo para que o Nasdaq Composite, índice que mede as empresas de tecnologia, apagasse as perdas para 2020.

Panorama da Netflix

A Netflix é outra empresa que se beneficiou com as mudanças comportamentais impostas pelas medidas de restrição adotadas pelos governos para a contenção da covid-19.

A gigante de streaming apresentou o melhor resultado de sua história no primeiro trimestre de 2020.

Com quase 16 milhões de novos clientes fisgados durante a pandemia, a Netflix chega a 182,86 milhões de assinantes ao redor do globo.

O número representa um lucro líquido de US$ 709 milhões, deixando o melhor desempenho da empresa comendo poeira. O feito registrado no mesmo período de 2019 foi de US$ 344 milhões.

Apesar do bom resultado, a empresa prefere ser cautelosa em relação ao futuro. Isso porque as medidas de distanciamento social que impulsionaram as vendas tendem a ser relaxadas gradativamente, o que pode impactar no número de assinantes.

Considerando que a pandemia gerou uma onda de desemprego e entretenimento sob demanda não é considerado um item de necessidade básica, muitas pessoas podem optar pelo cancelamento para reduzir gastos.

Outro fator a ser considerado é a desvalorização do dólar em alguns países, que fez com que a companhia ganhar de um lado, mas perder de outro.

Por último, mas não menos importante, é o fato de que muitas produções tiveram que ser canceladas para respeitar as medidas de distanciamento social, garantindo a segurança dos atores e de toda a equipe envolvida no processo, o que contribuiu para a redução dos gastos.

Porém, essa conta vai chegar e é prematuro acreditar que esse desempenho inédito irá se repetir nos próximos trimestres.

A expectativa da companhia para o próximo trimestre é mais realista: espera-se um crescimento de 7,5 milhões de novas assinaturas mundo afora.

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