Nos últimos anos, vimos um aumento expressivo no número de pessoas começando um negócio no país. Dentre as muitas etapas para um empreendimento prosperar e gerar valor, seja qual for o ramo escolhido, é certo que a empresa vai precisar de recursos financeiros para seguir adiante. E é nesse momento que duas alternativas de financiamento se revelam possíveis: o uso de capital próprio ou de terceiros.

Capital Próprio vs Capital Emprestado

Quando uma empresa opta por captar recursos dos sócios, ela não se compromete a pagar juros regulares sobre o dinheiro levantado. Os sócios assumem o risco da operação e serão remunerados apenas no caso da empresa dar lucro. Quando a operação tiver prejuízos, os sócios o assumem.

Por outro lado, quem faz uso de capital de terceiros opta por pegar recursos emprestados em troca de remuneração acordada em contrato. Quando um banco oferece um financiamento empresarial, por exemplo, mesmo que a operação não seja lucrativa, a empresa terá de arcar com o custo da dívida. Por qual motivo, então, muitos empresários preferem seguir por esse caminho? A resposta é que a dívida pode trazer rentabilidade maior para os acionistas quando bem gerida.

Pense no seguinte exemplo: uma empresa possui um projeto cuja rentabilidade estimada é de 20% ao ano e, para executá-lo, são necessários R$ 100 mil. Sem os recursos disponíveis, a administração da empresa vai ao banco buscar uma linha de crédito que permita a execução do projeto. Negociando com o gerente da agência, a companhia consegue uma proposta de empréstimo de R$ 100 mil com pagamento de juros de 10% ao ano. Tendo em vista que a rentabilidade estimada para o projeto é de 20%, a companhia decide aceitar a proposta.

Após um ano, os lucros do projeto são suficientes para arcar com os custos da dívida e o excedente pode ser reinvestido em outros projetos ou mesmo distribuído para os acionistas. Neste caso, a dívida é interessante, pois traz um retorno que não seria possível sem esse recurso.

Cuidados ao utilizar capital de terceiros.

A utilização de capital de terceiros pode dar muito certo. No entanto, é preciso ter cuidado com a contração excessiva de dívidas. Uma vez tomada, o pagamento periódico de juros não pode ser adiado. Na recente crise econômica brasileira, vimos empresas terem problemas por ter uma dívida muito alta em relação às suas capacidades (isto é, com grande alavancagem financeira). Elas acabaram apresentando geração de caixa insuficiente para arcar com os custos da dívida e acabaram sem saída. Oi, Avianca, Saraiva são exemplos recentes desse comportamento mal administrado. É preciso estar atento, porque caso a alavancagem se torne excessiva, os custos da dívida comprometerão os fluxos de caixa da empresa de modo a inviabilizar a operação.

Sobre Tiago Reis
Formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas, Tiago Reis é Fundador e CEO da Suno Research, consultoria de análise financeira voltada para investidores individuais. Analista de Investimentos com certificação da CNPI (Certificação Nacional dos Profissionais de Investimento), Tiago iniciou sua carreira na Set Investimentos e é especialista em assuntos como mercado financeiro, bolsa de valores, investimentos, fraudes corporativas e finanças corporativa.