Fundador do Nubank encerra acordo de remuneração extra milionária

Fim do polêmico pagamento em ações a fundador tira US$ 70 milhões de despesa anual do balanço

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Em abril deste ano, o Nubank informou ao mercado uma previsão de pagamento total de até 816 milhões de reais aos diretores e conselheiros em 2022.

Tal anúncio deu o que falar, gerando discussões nas redes sociais. Com isso, nesta terça-feira, o banco anunciou há pouco que foi encerrado o contrato de pagamento baseado em ações que havia sido firmado no fim de 2021 entre a empresa e seu fundador e CEO, David Vélez.

A decisão de Vélez também ocorre após queda no valor das ações do Nubank ante o IPO. A remuneração era baseada na performance das ações do banco em bolsa.

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O que dizia o contrato?

Pelo contrato, ele poderia, se as ações do banco disparassem, receber até 2% do capital do banco a título de remuneração de longo prazo e retenção, adicionalmente à fatia de cerca de 20% que ele já possui.

O prêmio de incentivo de longo-prazo chamado Contingent Share Award (CSA) foi estabelecido em 2021, antes de uma oferta pública inicial de ações (IPO) do Nubank em Nova York.

Segundo seus termos, Vélez ganharia 1% do total de ações caso os papéis Classe A do banco ficassem, em média, a US$ 18,69 na bolsa por 60 dias consecutivos, e teria direito a mais 1% caso o mesmo ocorresse a US$ 35,30.

Acontece que as ações do Nubank, que saíram a US$ 9 dólares cada no IPO e chegaram a US$ 12,24 na estreia, fecharam na última terça-feira a US$ 4,26. Ou seja, teriam que subir em mais de quatro e oito vezes, respectivamente, para a ativação do pagamento.

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Contrato encerrado!

Com o encerramento, o executivo e principal acionista acaba abrindo mão de receber as novas ações. Mas, na prática, esse era um objetivo distante, especialmente no cenário de alta de juros internacionais que se tornou realidade após a abertura de capital do banco, e que colocou à prova o valor atribuído a empresas classificadas como “de crescimento”.

O principal efeito prático do encerramento do contrato será, que a empresa vai retirar de sua demonstração de resultados dos próximos anos uma despesa contábil anual de US$ 70 milhões entre 2023 e 2026, e de valores menores entre 2027 e 2029, perfazendo um total de US$ 356 milhões no total, sempre sem considerar os tributos.

O Nubank estimou o valor justo da remuneração em US$ 423 milhões, um cálculo que, entre outras especificidades, tem como base números da época do acordo. Na prática, o valor recebido por Vélez seria maior, já que implicaria uma avaliação mais alta da empresa.

A desistência da remuneração também evitará potencial diluição dos outros acionistas, em até 2% do total de ações ordinárias, disse o Nubank.

Na avaliação do Itaú BBA, a notícia é positiva para os acionistas porque reduzirá as despesas em US$ 356 milhões até 2029 (US$ 70 milhões em 2023), o que aumenta em 15% a previsão dos analistas do banco de lucro líquido de US$ 485 milhões para 2023.

“Todos os esforços contam para o objetivo mais amplo de melhorar a eficiência. A não diluição também envia uma mensagem positiva a todos os acionistas, incluindo executivos, de que Vélez pratica o pensamento de parceria. Ele receberá basicamente um salário fixo até o final de 2023, quando os termos serão novamente discutidos”, avaliou.

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