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Seguros de veículos: Seguradoras podem controlar o aumento de preços?

Seguros de veículos: Seguradoras podem controlar o aumento de preços?

26/10/2022 às 14h27 Atualizada em 26/10/2022 às 17h27
Por: Leonardo Grandchamp
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Mesmo com o país em cenário de deflação por cerca de três meses, o setor de seguros de automóveis permanece em uma situação diferente. Segundo um levantamento feito em maio pelo Índice de Preços do Seguro Automóvel (IPSA), os valores dos seguros para veículos, por exemplo, seguiram o cenário inflacionário e encareceram cerca de 28% – em comparação com os sete meses que antecedem a pesquisa.

A inflação é um aumento gradual nos preços, o qual resulta em um declínio no poder de compra do consumidor. Quando se trata das seguradoras, especialmente com foco em veículos, o impacto foi maior devido à queda na produção de carros novos por falta de peças e chips, o que causou um encarecimento mais alto nos preços junto com a inflação.

Alberto Vargas, especialista pós-graduado em administração de empresas pela Universidade de Warwick na Inglaterra, explica que o momento atual cria dificuldades para as empresas manterem os clientes.

“Por um lado, os custos de insumos, incluindo aqueles relacionados a mão de obra e aquisição de bens intermediários começam a aumentar, comprimindo as margens de lucro. Para compensar esses custos mais altos, as empresas precisam equilibrar o aumento de seus próprios preços com a manutenção da competitividade no mercado. Salários mais altos, por exemplo, faz com que as empresas redobrem os esforços para atrair e reter os melhores talentos”, explica o especialista.

Dentre os motivos para o aumento de preços no setor, estão a falta de peças de veículos ocasionada pela as interrupções na cadeia de suprimentos tiveram fortes efeitos em  peças de veículos, que encareceu os veículos e gerou atualizações na Tabela Fipe. Nessas circunstâncias, as estratégias de curto e longo prazo das seguradoras giram em torno da disciplina de gestão de despesas e excelência operacional de sinistros. 

Além disso, ambientes inflacionários normalmente fazem com que os bancos centrais apertem as condições monetárias, o que eleva as taxas de juros reais e exacerba os custos mais altos enfrentados pelos negócios. Com isso, também podem desacelerar o crescimento econômico. 

Todavia, existem alternativas para que as seguradoras possam proteger os ativos durante o fim do ciclo de altas. À medida que as seguradoras planejam sua resposta às pressões inflacionárias, elas devem monitorar quatro medidas importantes: inflação geral, inflação de custos de sinistros, inflação de salários e taxas de juros.

Vargas destaca que desenvolver produtos com coberturas que se adequem à realidade econômica dos clientes para garantir que os bens dos clientes ainda se mantenham seguros é essencial.

“A necessidade de inovar será importante para atrair clientes e os canais digitais são essenciais nesse processo. Embora a cobertura básica/padrão tenha um índice de preferência alto, opções personalizadas farão parte do mercado. A longo prazo, atrair os motoristas mais cuidadosos – com menor probabilidade de se envolver em acidentes, menos multas e registro de reclamações – por meio de uma cobertura mais econômica, será uma alternativa interessante”, comenta Vargas.

Segundo o especialista, várias estratégias serão úteis independentemente de como a inflação evolua, como criar maneiras de reduzir custos e interrupções nas operações, estão  entre os mais importantes. Investir em sistemas, recursos de treinamento, pipelines de talentos e automação que economiza mão de obra pode facilitar as operações durante esses períodos. 

Como reinventar-se no longo prazo?

A previsão é que o atual aumento da inflação global seja temporário e provavelmente diminua até o final de 2023. Embora a trajetória da inflação varie de país para país, e a inflação possa permanecer elevada em algumas economias, o padrão provavelmente será consistente na maioria das grandes economias do mundo. 

De acordo com Vargas, as seguradoras devem investir na reinvenção:

- Aumento da inflação, taxas de juros,  junto com as ameaças iminentes de recessão, mudanças climáticas e problemas geopolíticos, as seguradoras que investem em sua resiliência operacional e financeira hoje quase certamente ficarão mais fortes e serão mais capazes de resistir no futuro.

- A inflação também pode aumentar devido à desvalorização da moeda, o que aumenta os preços das importações, e devido ao aumento dos preços das commodities. Para gerenciar esses custos de forma eficaz, as seguradoras precisarão se concentrar em aumentar a produtividade e automação.

- Mudanças rápidas nas condições de oferta e demanda que resultam em escassez e interrupção de várias partes das principais cadeias de suprimentos também podem impulsionar a inflação. Isso significa manter a disciplina e a transparência no gerenciamento de despesas, além de investir no aumento da produtividade e no autoatendimento digital. Além da inovação de produtos, as seguradoras também devem estar acelerando a transformação da tecnologia iniciativas para melhorar a eficiência operacional, gerenciamento de reclamações e experiência do cliente - isso com ajuda do potencial de todos os dados, ferramentas analíticas, e tecnologias - desde inteligência artificial até a nuvem.

Em toda a cadeia de valor, as seguradoras podem gerenciar as despesas e reavaliar os níveis de serviço e expandir a adoção do autoatendimento, especialmente porque os clientes mostram cada vez mais preferência por ferramentas digitais. As seguradoras devem ser capazes de se adaptar e inovar de forma rápida e eficaz experimentando novas formas de fornecer cobertura e servir os clientes.

“No geral, as seguradoras podem precisar expandir seu foco além dos produtos comoditizados comercializados principalmente com base no preço para coberturas com serviços trasparentes explicando claramente as condições da apólice em um pacote mais holístico e personalizado de coberturas e serviços que pode aumentar a diferenciação e melhorar o relacionamento com o cliente”, finaliza ele.

As opiniões expressas neste conteúdo não substituem a consultoria financeira de um profissional nas empresas.

Por Jorge Alberto Vargas, formado em Master Business Administration pela Universidade de Warwick na Inglaterra.

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