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I-doser: drogas sonoras ou não passam de mito?

I-doser: drogas sonoras ou não passam de mito?

04/05/2023 às 15h32 Atualizada em 04/05/2023 às 18h32
Por: Ana Luzia Rodrigues
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Imagem: freepik
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Drogas virtuais prometem recriar sensações auditivas no cérebro para imitar o efeito de drogas tradicionais. Mas será que isso funciona? A polêmica gira em torno do assunto.

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Você já ouviu falar nessa palavra em inglês chamada I-Doser? Se não sabe do que se trata, preste muita atenção e fique de olho em seus filhos.

O I-Doser é um programa de computador que, ao fazer com que o usuário ouça, por um tempo pré-estabelecido, determinados ruídos, com auxílio de fone de ouvido, altera suas ondas cerebrais de acordo com os efeitos diversos que ele escolher. Todavia, alguns edendem que pode ser alucinógeno.

A busca na internet por essas “drogas sonoras” ou “drogas digitais” tem preocupado famílias e chamado a atenção de médicos. Alguns especialistas dizem que esses áudios não trazem risco de dependência, mas recomendam cautela para não prejudicar a audição.

Mas o que são, exatamente, essas “drogas”? São áudios, com frequências e intensidades variadas, vendidos online, em sites ou aplicativos. Há também músicas do tipo gratuitas no You Tube. Elaborado com base em uma técnica conhecida como binaural beats, descoberta no fim do século 19, esse tipo de conteúdo não é novo, mas ganhou impulso com as redes sociais.

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Origem do I-doser

Nick Ashton criou um site do I-Doser onde oferece, por US$ 12, um pacote com uma série de sons que simulam o efeito de substâncias como absinto, cocaína e ecstasy. 

Mais de 2 milhões de pessoas já baixaram as drogas digitais, propagadas principalmente pelas redes sociais. Contudo, uma parte dessas pessoas afirmou não ter sentido absolutamente nada. 

I-doser: efeito alucinógeno ou somente auto sugestão?

Ainda faltam evidências científicas para descrever consequências do consumo desses sons no organismo. Não é possível dizer que um adolescente que já ouviu esses áudios tenha sofrido algum dano cerebral. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomendou cuidado, no entanto, pelos riscos ao aparelho auditivo.

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De acordo com psiquiatras da UNIFESP, acreditam que esses sons podem mesmo ter eficácia, podendo inclusive ser utilizados no tratamento de pessoas dependentes de outros vícios, substituindo-os pelo uso deste simulador.

Entretanto, como ainda é desconhecido se este programa é capaz de viciar, e pelo fato de que o mesmo altera a consciência, seu uso pode ser muito perigoso, principalmente para pessoas mais suscetíveis a estes problemas. Além disso, este pode ser um fator que estimula a curiosidade e a vontade de se utilizar drogas reais.

Adeptos das batidas binaurais dizem ouvir os sons para relaxar, trabalhar melhor ou ter experiências sensoriais novas. As batidas oferecem sons de frequências diferentes para cada ouvido — o que torna a experiência diversa da de ouvir uma música comum.

Um estudo australiano publicado em março de 2022 identificou, pela primeira vez, que parte das pessoas que escutam esse tipo de som busca obter efeito semelhante ao de outras drogas.

Na I-doser, uma das plataformas que vende as batidas, os nomes de alguns desses áudios fazem referência ao de drogas já conhecidas, como a maconha. Muitos especialistas defendem que não passa de uma auto sugestão. Ou seja, a pessoa já escuta com a pré-disposição de que terá efeito de uma droga.

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Batidas Binaurais

A pesquisa, publicada no periódico Drug and Alcohol Review, aponta que 5,3% dos entrevistados escutaram batidas binaurais para vivenciar estados alterados nos 12 meses anteriores.

Desses, a maioria usou o recurso para relaxar ou dormir, mas 11,7% relataram usar os sons para simular a experiência com drogas. A pesquisa ouviu 30,8 mil pessoas em 22 países.

Aqueles identificados com maior prevalência de uso das batidas foram Estados Unidos, México, Brasil, Polônia, Romênia e Reino Unido. A frequência de consumo desses sons é maior na faixa etária entre 16 e 20 anos.

A pesquisa não investigou se houve alteração cerebral entre quem relatou escutar essas batidas. “Não está claro se batidas binaurais são semelhantes em efeito às drogas psicoativas que buscam simular”, ponderam os cientistas, ligados ao Instituto Real de Tecnologia de Melbourne, na Austrália.

Especialista afirmam que tem crescido a preocupação sobre esse tipo de consumo, mas o risco pode ser até inverso: ao experimentar essas batidas sonoras, vendidas como semelhantes a drogas, e identificar que parecem inofensivas, os jovens podem se sentir encorajados a buscar entorpecentes de verdade — esses, sim, com efeitos nocivos.

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Danos auditivos

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)  tem preocupação com danos aos ouvidos de crianças e adolescentes e com a estimulação auditiva exagerada. “A estimulação exagerada e contínua pode ocasionar a perda da neuroplasticidade e assim, afetar as conexões necessárias para o desenvolvimento cerebral e mental saudável”, aponta a nota de alerta da SB

O documento da SBP destaca que o uso indiscriminado de fones de ouvido, em volumes acima do tolerável “vem repercutindo negativamente na audição, configurando um modismo que merece a atenção especial na era digital”.

A sociedade médica esclarece que o nível de intensidade de ruído de fones de ouvido varia entre 60-70 decibéis e 110-120 decibéis. Entre crianças e adolescentes, o nível seguro de ruído é de 70 decibéis. Para tentar obter o efeito alucinógeno prometido, é provável que adolescentes escutem essas batidas em níveis de intensidade superiores à recomendada.

Segundo especialistas, a nova moda ressalta a necessidade de que as famílias acompanhem a vida digital dos filhos e o uso que fazem dos eletrônicos. Toda atenção é necessária. Seus filhos podem estar em seus quartos, seguros da violência externa. Contudo, podem estar se auto prejudicando. 

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