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44% dos brasileiros já sofreram bullying no ambiente de trabalho - Pesquisa Completa

No home office, 45% dos entrevistados admite que a prática do bullying apenas se modificou, passando a se apresentar de outras formas

22/04/2024 às 09h45
Por: Ricardo de Freitas Fonte: Redação
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44% dos brasileiros já sofreram bullying no ambiente de trabalho - Pesquisa Completa
44% dos brasileiros já sofreram bullying no ambiente de trabalho - Pesquisa Completa

O bullying já é um tema amplamente discutido, especialmente quando se fala de ambiente escolar. No entanto, a prática do bullying extrapola os limites das escolas, sendo os espaços de trabalho um dos grandes exemplos de locais em que o comportamento é propagado. 

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Enquanto se caminha para um avanço da conscientização sobre o assunto, no Brasil, desde o dia 15 de janeiro de 2024, o bullying e o cyberbullying são considerados como crimes, previstos por lei e com diferentes punições, de acordo com o devido julgamento dos casos. Em relação ao ambiente de trabalho, a discussão sobre bullying segue em evolução, mas sem deixar de ser encarada como um tabu e ou mesmo com negação por muitas instituições. No entanto, pelo menos 44% dos brasileiros entrevistados afirmam já terem sofrido bullying no trabalho e 71% disseram já terem presenciado ou saber de agressões pelas quais os colegas passaram. 

A pesquisa é da Onlinecurriculo, plataforma de currículos online que investigou a presença do bullying nas empresas, buscando entender se o comportamento está sendo praticado no ambiente de trabalho, o que leva os membros de uma equipe a propagarem o comportamento e como as instituições lidam com as situações internamente. 

Vamos falar sobre bullying?

Para que a discussão sobre bullying se popularize, é preciso que o tema chegue ao alcance de cada vez mais trabalhadores. Desta forma, é possível que muitas pessoas que passam pela situação consigam entender e classificar as agressões como o crime que são. Uma forma de tornar o assunto acessível, é falar sobre os casos conhecidos e as próprias experiências. 

Dentre os entrevistados que já sofreram bullying no trabalho, 33% disseram que as agressões aconteceram no passado, enquanto 10% relataram que ainda passam pelos ataques atualmente. Reforçando a importância da disseminação da informação, 15% dos respondentes ficam em dúvida se foram vítimas, pois não sabem avaliar se as situações pelas quais passaram podem ser classificadas como bullying.

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Em relação aos outros membros da equipe, 34% já presenciaram os colegas sofrendo bullying mais de uma vez; 20% testemunharam uma vez; 17% não presenciaram, mas sabem de situações que aconteceram com os colegas; 7% não sabem avaliar se as situações podem ser caracterizadas como bullying, e 21% disseram nunca ter presenciado.

Quem é o agressor?

Quando se problematiza um assunto, especialmente aqueles delicados que envolvem o ataque ao outro, e que podem trazer consequências severas à saúde mental e ao bem-estar das vítimas, pode ser difícil reconhecer as pessoas que estão no papel de agressor. No caso do bullying, em que os ataques podem ser sutis, estando disfarçados de piadas ou brincadeiras, muitas vezes é necessário que seja feita uma autocrítica para se entender se é apenas o outro que está disseminando o comportamento.

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Neste sentido, colocando o olhar sobre as próprias atitudes, 27% dos entrevistados reconhecem que já praticaram bullying com seus colegas de trabalho; 15% não sabem avaliar se seu comportamento poderia ser avaliado como bullying, e 4% admitem que praticam a agressão atualmente. Em contrapartida, trazendo um panorama mais positivo, 55% dos participantes do estudo acreditam que nunca tenham praticado. 

Em relação a quem reproduz o comportamento dentro das empresas, os colaboradores aparecem em primeiro lugar, sendo indicados por 40% dos entrevistados como os que mais praticam bullying com os colegas. Na sequência, aparecem os cargos superiores, como CEOs e diretores, com 24% das respostas; os líderes aparecem na terceira colocação, apontados por 23%, e, em última colocação, ficam os estagiários e trainees, apontados por 13% dos respondentes.

Em relação a quem reproduz o comportamento dentro das empresas, os colaboradores aparecem em primeiro lugar, sendo indicados por 40% dos entrevistados como os que mais praticam bullying com os colegas. Na sequência, aparecem os cargos superiores, como CEOs e diretores, com 24% das respostas; os líderes aparecem na terceira colocação, apontados por 23%, e, em última colocação, ficam os estagiários e trainees, apontados por 13% dos respondentes.

Sobre o assunto, é importante perceber que, para muitos, a ideia de bullying no ambiente de trabalho ainda é distante. Muitas vezes, as agressões acontecem e não são percebidas como bullying, por isso a importância de se trazer o tema para o conhecimento geral. Saber reconhecer um comportamento contra si ou contra um colega de trabalho é essencial para que atitudes sejam tomadas e que possam ser corrigidas.

 

Como se dá a agressão

Mais do que saber quem pratica o bullying, para compreender todo o cenário é fundamental perceber aspectos como a motivação e o caráter dos ataques. O ambiente profissional é, muitas vezes, fortemente competitivo, o que pode despertar comportamentos de rivalidade entre os colegas. O desejo de aceitação também pode ser motor para que algumas práticas tóxicas sejam reproduzidas sem um posicionamento crítico e de denúncia.

Segundo os entrevistados, preconceitos pessoais ainda é a maior motivação para a prática do bullying, com indicação de 63% dos respondentes. Na sequência, aparecem o sentimento de superioridade (57%); a reprodução de um comportamento (40%); aceitação por parte do grupo (38%), e possibilidade de crescimento dentro da empresa (18%).

Já em relação ao teor das agressões, muitas são as formas de ataque. Liderando as respostas significativamente, aparecem as piadas sobre características físicas, com 71% das respostas; a criação de apelidos aparece em segunda colocação, indicadas por 56% dos respondentes, e fofocas e rumores está em terceiro lugar para 52% dos entrevistados.

Com números também relevantes, aparecem as importunações em relação à orientação sexual (46%); piadas sobre gênero (46%); humilhações em frente à equipe (43%); implicância por erros no trabalho (36%); excesso de críticas em relação ao desempenho (33%); exclusão e isolamento pelos colegas (33%), e piadas sobre a condição social (31%).

Posicionamento da empresa e da equipe

Se o ambiente de trabalho é espaço de perpetuação do comportamento dos bullers, também é crucial que se saiba os locais ou meios pelos quais a prática é reproduzida. Neste sentido, é relevante considerar os diversos formatos de trabalho atuais, sejam eles presenciais, híbridos ou remotos. 

Espaços em comum da empresa, como escritório, refeitório e locais de convívio, são onde o comportamento mais acontece, conforme 74% dos entrevistados. Encontros fora da empresa, como eventos, almoços e confraternizações, também apresentam dados expressivos, sendo citados por 47% dos respondentes. Na sequência, aparecem reuniões presenciais em grupos (31%); trocas de mensagens em grupos via plataforma de comunicação da empresa (25%); reuniões presenciais individuais (16%), e reuniões remotas em grupos (16%).

Quando uma situação de desconforto ou violência acontece, independentemente do nível da agressão, existem diferentes formas de reação para quem está presenciando a atitude. De forma geral, o que se percebe é que os colegas não se posicionam, se calando frente a casos de bullying, segundo 49% dos entrevistados. 21% recriminam, interferindo no momento em que o bullying está sendo praticado. Outros 21% denunciam as ações posteriormente de forma particular ou anônima, e 8% reforçam o comportamento, contribuindo com a atitude do agressor.

Tão importante quanto a reação dos profissionais perante situações de ataque entre os membros da equipe, é o posicionamento da empresa em relação ao comportamento. A cultura das empresas têm influência direta na atitude de seus colaboradores, desde o momento da candidatura em uma vaga até a conduta do time do convívio diário. Segundo 37% dos entrevistados, as empresas onde atuam condenam o bullying, mas não tomam atitudes reais para diminuir a prática na instituição; de acordo com 35%, a empresa tem realmente um local de escuta significativo e realiza ações que diminuem ou acabam com o comportamento; conforme 20%, as empresas em que estão se omitem para o comportamento, e para 8%, as instituições fomentam ou incentivam a atitude.

Fica claro que a reação mais comum em relação ao bullying é o silêncio. E, quando a denúncia acontece, em grande parte dos casos, ela é feita de forma anônima. A situação fica ainda mais delicada quando se leva em consideração que muitos dos agressores são líderes ou superiores. Se por um lado, há o desejo de justiça, por outro, existe o risco das consequências de se expor alguém que esteja em cargos superiores, o que traz receios como não ser levado a sério, ser vítima de exclusão ou punição, ou mesmo, em casos extremos, a demissão. Por isso, é extremamente necessário que as empresas possuam canais de escuta que realmente funcionem e que preservem o espaço dos membros da equipe.

 

As consequências

Para situações que envolvam bullying nos mais diversos espaços, a partir de agora os brasileiros podem contar com ações legais junto à justiça. De qualquer forma, a denúncia nem sempre é fácil ou chega a se concretizar, e existem outras reações que as vítimas podem tomar para se defender. Dentro do ambiente de trabalho, uma delas é a demissão.

Neste contexto, mesmo que a grande maioria dos entrevistados afirme que o tema nunca foi motivação para a saída de uma empresa (71%), pelo menos 29% já pediram ou gostariam de pedir demissão em função do comportamento dentro das empresas. Entre os respondentes, 15% afirmam que já saíram de instituições por sofrer bullying; 7% já saíram de empresas por ver os colegas sofrendo bullying; 8% gostariam de sair da empresa em que se encontram atualmente por serem alvo de bullying, e 7% gostariam de sair do emprego em que se encontram por verem os colegas serem vítimas de bullying.  

 

É relevante observar que quase um terço dos respondentes já saiu ou considera sair de seus empregos em função do bullying, trazendo uma dimensão do problema. Neste contexto, pode-se entender que o trabalhador se viu ou se vê em um ambiente tão tóxico, que precisa abrir mão da estabilidade do seu trabalho em prol da de seu bem-estar e de sua saúde mental e psicológica.

E no home office?

Com a popularização do home office nos últimos anos, não se pode deixar de analisar a reprodução do bullying nesse formato de trabalho, uma vez que a prática também pode ser propagada através de meios digitais. Com uma comunicação feita quase totalmente de forma online, as interações, e consequentemente os possíveis ataques entre os colegas, acontecem via plataformas digitais. Neste contexto, algumas das principais formas de reprodução do bullying acontecem em trocas de mensagens em grupos da empresa em que todo o time está inserido (25%); reuniões remotas em grupos (16%); trocas de mensagens individuais (15%); trocas de e-mails em grupos (14%), e reuniões remotas individuais (11%).

Em relação ao bullying em trabalhos remotos, 45% dos entrevistados entende que a prática apenas se modificou, passando a se apresentar de outras formas; 40% entende que o bullying nas empresas diminuiu; 20% acredita que as agressões se mantiveram as mesmas, e 14% entende que a prática aumentou.

Em relação ao home office, é importante evidenciar que as empresas também precisam oferecer o suporte e apoio para esses colaboradores. O fato do trabalhador remoto não estar diariamente no espaço físico da instituição, não impede que ele sofra as agressões. Nesses casos, as empresas precisam criar estratégias específicas para esse formato de trabalho e estarem muito próximas de sua equipe mostrando todo o apoio e suporte. O home officer pode trabalhar se sua casa, mas não pode estar isolado da empresa.

Metodologia

Entre os dias 25 e 27 de março de 2024, a Onlinecurriculo ouviu 500 pessoas de diversos segmentos produtivos, faixas etárias, classes sociais e regiões do país. Mulheres e homens foram entrevistados individualmente, respondendo as perguntas através de questionário estruturado em formato online.

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