Vai investir no exterior? O que você precisa saber em 2024

Rendimento dos títulos do Tesouro americano em patamar recorde e perspectiva de valorização da moeda favorecem investimento em renda fixa em dólar

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A dica de ouro para quem investe sempre foi diversificar o portfólio, mas até pouco tempo atrás essa diversificação era restrita a ativos brasileiros.

Aplicar os recursos lá fora era tão caro e complexo que só investidores de alta renda tinham essa possibilidade.

Nos últimos anos, com plataformas de investimento mais acessíveis, menos burocracia e custos mais baixos, o cenário mudou. 

Ativos estrangeiros

Ao mesmo tempo, em que está mais fácil ter acesso a ativos estrangeiros, a conjuntura econômica também favorece esse tipo de investimento.

A taxa de juro americana está no maior patamar dos últimos 20 anos (entre 5,25% e 5,5%) e a expectativa é que os juros só comecem a cair no final do próximo ano.

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A perspectiva de valorização do dólar também beneficia quem investe no exterior, já que, se a moeda americana se valoriza, o investidor ganha mais. A projeção do C6 Bank é que o dólar chegue a R$ 6 no fim de 2024. 

Confira as dicas para investir no exterior

Reserva de emergência

Antes de se jogar em ativos internacionais, é preciso que o investidor faça o dever de casa, a começar pela reserva de emergência — aquele montante reservado para arcar com despesas extraordinárias.

O ideal é que a reserva de emergência seja feita em real e em investimentos que permitam resgate imediato.

“O valor não pode estar preso em uma alocação sem liquidez ou em outra moeda, pois o investidor não pode correr o risco de não conseguir resgatar o investimento na hora da emergência ou acabar perdendo dinheiro porque o dólar se desvalorizou, por exemplo”, explica planejadora financeira do C6 Bank Larissa Frias.

Após construída a reserva de emergência, é o momento de pensar em outros ativos que possam oferecer bons rendimentos. 

Cenário macro favorável 

Alguns investidores preferem alocar seus investimentos em moedas estrangeiras por considerá-las mais fortes e seguras.

Outros usam investimentos estrangeiros como mais uma opção de diversificação, sendo sempre bem-vinda.

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 E ainda há aqueles que deixam para investir no exterior quando o cenário parece oportuno, como agora. 

Brasil

No Brasil, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central cortou a Selic, a taxa básica de juros brasileira, para 12,25% e sinalizou novas reduções à frente.

Já nos Estados Unidos, o Fed (Federal Reserve) manteve os juros americanos no intervalo de 5,25% a 5,5% ao ano.

“Conforme a distância entre os juros dos EUA e os juros brasileiros diminuem, a tendência é que o dólar se valorize e que os ativos atrelados ao câmbio também fiquem mais interessantes”, explica Larissa.  

Além dessa diferença cambial, a sinalização do Fed de manter a taxa de juro americana elevada por longo período favorece produtos de renda fixa americana, como TDs (Time Deposit), Treasuries e bonds. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos, por exemplo, atingiram o maior patamar desde 2007. 

Oscilação cambial 

Ao investir no exterior, o investidor precisa saber que seus investimentos sofrerão o impacto da valorização ou desvalorização do câmbio.

O que pode ser visto como um risco, porém, também pode ser um grande atrativo. Isso porque, assim como a desvalorização da moeda pode prejudicar o rendimento da carteira, a valorização pode compensar eventuais perdas ou até potencializar ganhos.

Prazo

Outra coisa que o investidor precisa ter em mente na hora de investir fora do Brasil é o prazo.

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“Investimento no exterior não é para curto prazo. Tem que ter planejamento. Além da própria oscilação dos ativos, existe o fator cambial envolvido, especificidades e até ativos para os quais não existe paralelo no Brasil”, explica Larissa.

Para ela, um bom prazo de retorno para ativos internacionais é um horizonte a partir de três anos.

“Mas caso o investidor tenha um objetivo específico, como uma viagem ao exterior marcada, ele também pode deixar um dinheiro aplicado em renda fixa americana, com o prazo adequado. Assim, ele pode se proteger da oscilação da moeda e resgatar o dinheiro na ocasião desejada”, afirma.

Veículos e tipos de ativos 

Atualmente, é possível investir tanto em ativos internacionais listados na bolsa brasileira, como ETFs e BDRs, quanto diretamente em ativos estrangeiros, por meio de corretoras ou contas internacionais de investimento.

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“O investidor precisa saber o que faz sentido para ele. ETFs e BDRs são ativos listados na bolsa local que permitem ao investidor acessar alguns ativos estrangeiros daqui com menor custo, mas também com menor diversidade e possivelmente com menos liquidez comparado a ativos locais”, explica Larissa.

“Caso a pessoa tenha objetivos de longo prazo, ter uma conta internacional de investimentos pode fazer mais sentido, pois ela permitirá acessar ativos muito mais diversos. Cada opção tem seus prós e contras.”

Impostos

A escolha de qual veículo escolher para investir no exterior também causa um impacto tributário.

Investindo diretamente do Brasil, os investidores terão que observar apenas as regras brasileiras de declaração e recolhimento de impostos.

No entanto, investindo no exterior, existem veículos que permitem adiar o pagamento do imposto, deixando para recolher o tributo apenas no momento de trazer o dinheiro de volta para o Brasil, assim o investidor pode reinvestir o lucro obtido e potencializar os ganhos.

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