19°C 32°C
São Paulo, SP
Publicidade

Aposentadoria especial dos Médicos: Saiba o que é, Como conseguir e Para que serve?

Aposentadoria especial dos Médicos: Saiba o que é, Como conseguir e Para que serve?

24/09/2022 às 06h00 Atualizada em 24/09/2022 às 09h00
Por: Leonardo Grandchamp
Compartilhe:

Neste artigo vou esclarecer algumas dúvidas sobre os profissionais da saúde, como médicos, enfermeiros e dentistas, buscarem sua aposentadoriaespecial. Confira!

Os profissionais da saúde, por estarem expostos a agentes agressivos (insalubridade) possuem direito a aposentadoria especial, ou a conversão de período especial em comum. Um direito garantido aos profissionais que diariamente se expõe a agentes biológicos, ainda mais nesse momento de pandemia.

A reforma da previdência, em 2019, modificou as regras de aquisição deste direito e também de cálculo do valor do benefício, porém o direito adquirido para quem já possuía os 25 anos de trabalho especial antes de suavigência será mantido e também a possibilidade da conversão do tempo especial em comum.

Por que solicitar a aposentadoria especial dos médicos

aposentadoria especial dos médicos garante o direito de aposentar-se sem idade mínima e sem a aplicação do fator previdenciário, com apenas 25 anos de trabalho.

Porém é necessário que este enfermeiro tenha cumprido o tempo até 13 de novembro de 2019, mesmo que ainda não tenha pedido o benefício.

Também é muito comum o profissional da saúde que não trabalhou durante toda a carreira na área, convertesse parte deste tempo especial em comum.

Isso não é mais possível para períodos trabalhados após 13 de novembro de 2019, pois a EC 103 vetou tal possibilidade, porém para os períodos trabalhados anteriormente é válido.

Portanto, se você já tinha os 25 anos de medicina (ou outra atividade especial) até 13 de novembro de 2019, possui direito adquirido a aposentar-se por meio da antiga legislação.

Muitas pessoas desconhecem que já possuíam tal tempo, por isso a importância de juntar a documentação e procurar o serviço de planejamento previdenciário, realizado por um especialista em direito previdenciário.

Veja exemplo de conversão de tempo especial para comum

Cito como exemplo a Dra. Maria, que buscou sua aposentadoria em julho de 2020, e trabalhou nos últimos 10 anos e 8 meses como médica e possui o PPP (documento necessário para comprovar ao INSS que esteve exposta a agente insalubre, com habitualidade e permanência).

A Dra. Maria poderá converter por 1,2 o período trabalhado de forma insalubre até 13/11/2019, e o restante entrará como comum, sem qualquer acréscimo de tempo. Neste caso ganhará mais 2 anos, chegando em um total de 14 anos e 8 meses.

Outra dúvida constante: “e se a Dra. Maria já havia trabalhado como médica por 25 anos antes de 13/11/2019 e buscou apenas agora a aposentadoria? Entra na nova regra?”.

Neste caso, como o direito já era adquirido, mesmo pedindo agora a aposentadoria, ela poderá se aposentar de forma especial pela regra antiga.

Não haverá incidência do fator previdenciário e serão excluídas as 20% menores contribuições que ela fez.

Por isso, se antes de 2019 você tinha período trabalhado em atividade especial, poderá converter o tempo especial em comum na busca da sua aposentadoria por tempo de contribuição, por exemplo. Isso pode antecipar a sua aposentadoria e também aumentar o valor mensal do benefício a ser recebido.

As mulheres em regra ganham 1 ano a mais para cada 5 anos trabalhados de forma especial (médicas, enfermeiras, profissionais da limpeza do hospital…) e os homens ganham 2 anos a mais para cada 5 trabalhados de forma especial.

O direito da aposentadoria especial para médicos foi preservado na reforma?

Portanto, todos os direitos dos profissionais da saúde foram preservados, seja o direito a aposentar-se de forma especial se cumpriu os requisitos até 13 de novembro, como a conversão do tempo especial trabalhado até esta data.

A reforma da Previdência tornou mais difícil obter o benefício, hoje passa a ser obrigatória a idade mínima que antes não existia e também não é mais possível converter o período trabalhado após 13 de novembro de 2019 de especial em comum.

A reforma da previdência, trouxe também regras de transição que tornam menos rígidas as regras permanentes para a concessão da aposentadoria especial.

Regras de transição então, são um “meio termo”, nem o melhor dos mundos como a regra anterior e nem tão dura como as regras estabelecidas pela reforma.

Regras de transição na aposentadoria especial após a reforma da previdência

Se o profissional da saúde já estava filiado no Regime Geral da Previdência Social até a entrada em vigor da Reforma, porém não havia completado os requisitos até 13/11/2019, pode requerer a aposentadoria especial dos médicos e profissionais da saúde, quando preencher as seguintes condições:

Art. 21. O segurado ou o servidor público federal que se tenha filiado ao Regime Geral de Previdência Social ou ingressado no serviço público em cargo efetivo até a data de entrada em vigor desta Emenda Constitucional cujas atividades tenham sido exercidas com efetiva exposição a agentes químicos,

físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes, vedada a caracterização por categoria profissional ou ocupação, desde que cumpridos, no caso do servidor, o tempo mínimo de 20 (vinte) anos de efetivo exercício no serviço público e de 5 (cinco) anos no cargo efetivo em que for concedida a aposentadoria,

na forma dos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, poderão aposentar-se quando o total da soma resultante da sua idade e do tempo de contribuição e o tempo de efetiva exposição forem, respectivamente, de:

I – 66 (sessenta e seis) pontos e 15 (quinze) anos de efetiva exposição;

II – 76 (setenta e seis) pontos e 20 (vinte) anos de efetiva exposição; e

III – 86 (oitenta e seis) pontos e 25 (vinte e cinco) anos de efetiva exposição.

Conheça as 3 regras de transição:

  1. 1. 66 pontos nos casos de trabalho em minas subterrâneas;
  2. 2. 76 pontos nos casos de trabalho em contato com amianto ou trabalho em minas;
  3. 3. 86 pontos (somatória da idade, com o tempo laborado na atividade especial) para atividade especial de 25 anos de tempo de contribuição – nos demais casos de trabalho com agentes prejudiciais à saúde. Nesta 3a regra se enquadram os enfermeiros, médicos e dentistas, devendo atingir 86 pontos.

A reforma trouxe a regra de pontos, que ainda permite a aposentadoria especial sem a obrigatoriedade de idade mínima, porém, é necessário cumprir o tempo de 25 anos trabalhados de forma especial para os profissionais da saúde.

Regra Permanente da reforma da previdência para a aposentadoria especial dos médicos

Antes da reforma não era necessário ter uma idade mínima para aposentar-se, bastando o tempo de serviço exposto a agente nocivo à saúde, porém a reforma trouxe este agravante, passando a estipular:

Art. 19. Até que lei disponha sobre o tempo de contribuição a que se refere o inciso Ido § 7º do art. 201 da Constituição Federal, o segurado filiado ao Regime Geral de Previdência Social após a data de entrada em vigor desta Emenda Constitucional será aposentado aos 62 (sessenta e dois) anos de idade, se mulher, 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, com 15 (quinze) anos de tempo de contribuição, se mulher, e 20 (vinte) anos de tempo de contribuição, se homem.

§ 1º Até que lei complementar disponha sobre a redução de idade mínima ou tempo de contribuição prevista nos §§ 1º e  do art. 201 da Constituição Federal, será concedida aposentadoria:

I – aos segurados que comprovem o exercício de atividades com efetiva exposição a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes, vedada a caracterização por categoria profissional ou ocupação, durante, no mínimo, 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, nos termos do disposto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, quando cumpridos:

a) 55 (cinquenta e cinco) anos de idade, quando se tratar de atividade especial de 15 (quinze) anos de contribuição;

b) 58 (cinquenta e oito) anos de idade, quando se tratar de atividade especial de 20 (vinte) anos de contribuição; ou

c) 60 (sessenta) anos de idade, quando se tratar de atividade especial de 25 (vinte e cinco) anos de contribuição;

Portanto, a regra permanente prevê que será concedida a aposentadoria especial (para quem não atingiu os requisitos das regras antigas e nem as regras de transição):

  1. 1. 55 anos de idade para atividade especial de 15 anos de tempo de contribuição – nos casos de trabalho em minas subterrâneas;
  2. 2. 58 anos de idade para atividade especial de 20 anos de tempo de contribuição – nos casos de trabalho em contato com amianto ou trabalho em minas ;
  3. 3. 60 anos de idade para atividade especial de 25 anos de tempo de contribuição – nos demais casos de trabalho com agentes prejudiciais à saúde. Nesta 3a regra se enquadram os enfermeiros, médicos e dentistas, devendo cumprir a idade mínima de 60 anos e 25 de contribuição.

Agora, para a obtenção da aposentadoria especial, caso não tenha direito adquirido a regra da lei anterior (9.876/99 que estava em vigor até a reforma) e também a regra de transição, será necessário cumprir a idade mínima exigida.

Temos aqui 4 casos para os enfermeiros, médicos e dentistas:

  • Conversão de período especial em comum trabalhado antes de 13 de novembro de 2019;
  • Aposentadoria especial para quem trabalhou por 25 anos exposto ao agente nocivo à saúde antes de 13 de novembro de 2019;
  • Aposentadoria especial para quem começou a trabalhar antes de 13/11/2019 e ainda não cumpria os requisitos da legislação anterior, mas cumpre a somatória de idade mais tempo trabalhado de forma especial atingindo 86 pontos (regra de transição);
  • Aposentadoria especial com as regras novas, onde nenhuma das 3 acima foram cumpridas, necessitando por isso de idade mínima de 60 anos e 25 anos de contribuição.

O aposentado de forma especial pode trabalhar após a sua aposentadoria?

“Doutor, se eu me aposentar de forma especial, vou ter que parar de trabalhar?”

Para essa pergunta o Supremo Tribunal Federal trouxe a resposta, no julgamento do Tema 709 no ano de 2020:

“i) É constitucional a vedação de continuidade da percepção de aposentadoria especial se o beneficiário permanece laborando em atividade especial ou a ela retorna, seja essa atividade especial aquela que ensejou a aposentação precoce ou não.

ii) Nas hipóteses em que o segurado solicitar a aposentadoria e continuar a exercer o labor especial, a data de início do benefício será a data de entrada do requerimento, remontando a esse marco, inclusive, os efeitos financeiros. Efetivada, contudo, seja na via administrativa, seja na judicial a implantação do benefício, uma vez verificado o retorno ao labor nocivo ou sua continuidade, cessará o benefício previdenciário em questão. ”

Assim, o segurado que se aposentar de forma especial não poderá continuar trabalhando em função que exponha sua saúde a risco. Ai temos algumas questões:

1- poderá continuar trabalhando, desde que não seja mais como enfermeiro, médico ou dentista (e se exponha de forma habitual e permanente ao risco) ou em outra atividade que garanta uma aposentadoria especial.

Aqui vale um adendo: se este profissional se aposentar especial, e quiser continuar trabalhando como médico, por exemplo, porém em atividade que não o exponha sempre ao risco, poderá continuar. Em muitos casos o médico continua administrando seu consultório, atende esporadicamente, presta consultoria em empresas…

2- se a aposentadoria é por tempo de contribuição ou idade, e teve conversão de uma parte do período especial em comum, poderá normalmente continuar, inclusive como enfermeiro, por exemplo. Esta também é uma alternativa para quem ainda não se aposentou, pretende se aposentar, e quer continuar trabalhando em sua mesma função na enfermagem, odontologia ou medicina.

A revisão das atividades concomitantes para profissionais da saúde em 2022

Nas aposentadorias já concedidas é interessante que busquem um profissional para realização de análise da revisão na aposentadoria, pois na maioria dos casos não foram somadas as contribuições, podendo o benefício ser aumentado judicialmente.

O tema foi julgado de forma favorável para os aposentados pelo Superior Tribunal de Justiça, porém a ação ainda não foi finalizada.

Caso ainda tenha alguma dúvida sobre a aposentadoria especial e deseja falar com um advogado especialista em direito previdenciário, entre em contato conosco.

A ABL Advogados possui setor especializado em aposentadorias especiais, e atua em todo o território nacional, buscando o melhor benefício do INSS para médicos, enfermeiros, dentistas, fisioterapeutas, profissionais do setor de limpeza de hospitais e clínicas, dentre outros profissionais da área da saúde.

Original de ABL Advogados

Dica Extra do Jornal Contábil: Compreenda e realize os procedimentos do INSS para usufruir dos benefícios da previdência social. 

Já pensou você saber tudo sobre o INSS desde os afastamentos até a solicitação da aposentadoria, e o melhor, tudo isso em apenas um final de semana? Uma alternativa rápida e eficaz é o curso INSS na prática

Trata-se de um curso rápido, porém completo e detalhado com tudo que você precisa saber para dominar as regras do INSS, procedimentos e normas de como levantar informações e solicitar benefícios para você ou qualquer pessoa que precise. 

Não perca tempo, clique aqui e domine tudo sobre o INSS.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
São Paulo, SP
21°
Tempo limpo

Mín. 19° Máx. 32°

21° Sensação
2.06km/h Vento
83% Umidade
40% (1.91mm) Chance de chuva
06h03 Nascer do sol
06h32 Pôr do sol
Ter 31° 20°
Qua 26° 20°
Qui 27° 20°
Sex 28° 21°
Sáb 29° 21°
Atualizado às 07h08
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 4,95 -0,06%
Euro
R$ 5,38 +0,13%
Peso Argentino
R$ 0,01 -0,26%
Bitcoin
R$ 342,114,84 +3,67%
Ibovespa
129,180,37 pts 0.12%
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade