O nível de emprego na construção civil brasileira registrou variação negativa de 0,33% em março na comparação com fevereiro de 2019. Foram fechados 7.490 postos de trabalho no período.

No acumulado dos três primeiros anos de 2019 a variação é positiva em 1,02%. Na comparação do primeiro trimestre de 2019 com o mesmo período do ano passado, a variação é de 0,93%.  Ao final de março, o setor empregava 2.295.637 trabalhadores.

Ao se dessazonalizar* os dados, o emprego na construção civil brasileira teria registrado queda de 0,54% em março (-12.648 postos de trabalho). Os dados são da pesquisa mensal do SindusCon-SP realizada em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), com base em informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do governo federal.

“A queda do emprego em março, mês em que o indicador normalmente cresce na construção, representa o enfraquecimento da possibilidade de a atividade do setor crescer neste ano”, afirma o presidente do SindusCon-SP, Odair Senra.

Segmentação 
No acumulado do ano, comparado com o mesmo período do ano anterior, o emprego na maioria dos segmentos da construção registrou queda, sendo as mais significativas: Infraestrutura (-2,16%), Obras de acabamento (-1,81%), Incorporação de imóveis (-1,61%), Preparação de terreno (-0,68%) e Imobiliário (-0,78%). As que tiveram maiores altas foram Serviços de Engenharia e Arquitetura (+7,61%) e Obras de instalação (+6,56%).
Na comparação de março com o mesmo mês de 2018, apresentaram crescimento Serviços de Engenharia e Arquitetura (+7,39%), Obras de instalação (+6,50%) e Outros Serviços (1,66%). Os demais mostraram declínio, especialmente: Infraestrutura (-2,59%), Obras de acabamento (-1,89%), Incorporação de imóveis (-1,50%) e Imobiliário (-1,02%).

Regiões e estados do Brasil
Nos resultados de março, todas as regiões apresentaram variações negativas.

Emprego por Regiões do Brasil (março de 2019)
RegiãoVariação Mensal (%)Número de Vagas
Norte-2,04121.574
Nordeste-0,35434.056
Sudeste-0,111.174.542
Sul-0,48381.649
Centro-Oeste-014181.816
Brasil (Total)-0,332.295.637



Estado de São Paulo
O emprego na construção paulista em março registrou variação negativa de 0,24%, comparado a fevereiro, resultando em menos 1.499 postos de trabalho.
Desconsiderando efeitos sazonais, teria havido queda de 0,39% (-2.497) em março. Na comparação com o primeiro trimestre de 2019 com o mesmo período do ano anterior, a variação é de 0,26% (+1.668 empregados). Ao final daquele mês, a construção paulista empregava de 632.323 trabalhadores.
No acumulado do trimestre, somente o segmento Outros Serviços apresentou variação negativa de 0,27%. Todos os demais foram positivos.  Na comparação com o primeiro trimestre de 2018, apresentaram as maiores quedas os segmentos de Infraestrutura (-3,53%), Obras de Acabamento (-3,45%) e imobiliário (-2,18%); entre as maiores altas nesta comparação estão Obras de instalação (7,21%) e Engenharia e Arquitetura (3,50%).

Município de São Paulo
Na capital paulista, que respondeu por 42,59% do total de empregos no setor no estado, houve uma queda de 0,28% (-746 vagas) no primeiro trimestre. Entretanto, houve queda de 1,62% no primeiro trimestre de 2019 (-4.438 vagas), na comparação com o mesmo período de 2018. Na comparação de março com o mesmo mês do ano anterior, São Paulo registrava retração de -2,02% (-5.548 vagas).
Entre as regionais do SindusCon-SP, somente São José dos Campos (2,61%), Sorocaba (0,46%) e Bauru (0,35%) registraram aumento no mês de março na comparação com fevereiro.  No acumulado de 2019 todas as regionais do SindusCon-SP registraram altas em suas medições.
 

Emprego por regiões do Estado de São Paulo (março de 2019)
RegiãoVariação Mensal (%)Número de Vagas
Sede (capital)-0,28-746
Santo André-0,26-102
Campinas-0,04-31
Ribeirão Preto-2,81-1.371
Santos2,61522
Sorocaba0,46319
São José dos Campos-0,10-51
Bauru0,35115
São José do Rio Preto-0,12-30
Presidente Prudente-1,62-124

 
*A dessazonalização é um tratamento estatístico que tem como objetivo retirar efeitos que acontecem tipicamente em um mesmo período do ano.

Nota Metodológica emprego 2017/2018
Com a publicação da RAIS 2017, a série do emprego da construção passou por sua revisão anual que consiste em consolidar as estatísticas de 2017, de maneira a respeitar o estoque de dezembro daquele ano apresentado por este último relatório de informações sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS-MTE).
A consolidação do estoque de 2017 mostrou, por exemplo, que, no estado de São Paulo, a queda observada no ano pela RAIS foi muito próxima do que vinha indicando o acompanhamento mensal do CAGED: pelo cálculo anterior a queda no ano em relação a 2016 havia sido de 11,1%, agora corrigida para 11,8%. O estoque em dezembro de 2017 da série atualizada é 1,9% inferior à anterior estimada a partir do Caged. Essa alteração também afetou os números de 2018: a taxa acumulada no ano passou de -2,57% para -3,65%.
 
Para a construção no país, as estatísticas da RAIS também ficaram próximas dos números do CAGED. A diferença alcançou 1,4% em dezembro de 2017 como se pode observar na tabela seguinte. A taxa acumulada em 2017 passou de -12,4% para -12,9%. Em 2018, a variação acumulada que antes era de -1,53% foi para -2,29%.
Estoque de trabalhadores na construção, Brasil

O SindusCon-SP é a maior associação de empresas do setor na América Latina. Congrega e representa mais de 2.000 construtoras associadas de diferentes portes em todo o estado. A construção paulista representa 27,6% da construção brasileira, que por sua vez equivale a 4% do Produto Interno Bruto do Brasil.