Startups que já podem ser consideradas de médio e grande porte, com um número maior de funcionários, processos mais complexos e alto investimento, precisam incluir um programa de compliance na sua lista de prioridades.

A iniciativa é especialmente importante para as empresas que atuam em segmentos fortemente regulados, como o mercado financeiro. Porém, deve ser considerada em todos os casos, principalmente pela necessidade de se adequar à LGPD, a Lei Geral de Proteção de Dados.

Diferencial para obter financiamento e evitar prejuízos

Startups maiores enfrentam processos altamente rigorosos para obter aportes financeiros, pois os valores envolvidos podem chegar à casa dos bilhões.

Ter um programa de compliance já implementado durante a captação de recursos é um diferencial fundamental, que agrega credibilidade.

Do ponto de vista do investidor, significa que a startup age de maneira proativa para evitar corrupção e afastar o risco de sanções pelo descumprimento de normas legais. Resumindo, é mais seguro colocar seu capital ali. 

Supondo que uma startup não implemente um programa de compliance e acabe violando alguma norma jurídica em suas operações, ela estará sujeita às sanções cabíveis.

Essas sanções frequentemente ocorrem na forma de multas. Sem mencionar, ainda, os gastos com ações judiciais. 

Isso se torna ponto critico se for considerado que, mesmo as startups mais robustas, podem ainda não gerar lucro suficiente para ter as reservas necessárias para arcar com despesas como essas sem prejudicar suas operações.

Desta maneira, um programa de compliance também ajuda a evitar prejuízos associados à desconformidade.

Reputação preservada

O processo de consolidação da marca de uma startup é longo, e precisa estar em constante manutenção junto ao público geral.

A última coisa que qualquer empresa precisa é de um escândalo que prejudique sua reputação no mercado.

As questões que envolvem atendimento à LGPD são exemplos de potenciais problemas nesse sentido.

Até mesmo gigantes como o Facebook tornaram-se alvo de discussões e críticas severas pela tratamento inadequado dos dados de seus clientes. As startups não estão livres desse tipo de cobrança.

O Facebook já era uma empresa consolidada quando o escândalo de dados envolvendo a Cambridge Analytica começou.

Mesmo assim, muitos usuários perderam a confiança na empresa, que precisou rapidamente tomar medidas para evitar a perda de clientes.

Para uma startup, os efeitos de estar associada a práticas inadequadas no tratamento de dados pessoais podem ser muito mais graves e mais difíceis de contornar.

Da mesma forma que o programa de compliance tende a evitar prejuízos financeiros decorrentes de desconformidade legal, também atuará contra danos à reputação.

Em outras palavras, contribui para proteger a marca, fazendo com mantenha uma imagem positiva frente a clientes, investidores, parceiros e fornecedores. É investimento que garante retornos imediatos e futuros.