A importância da educação financeira no mercado

Além de Banco Central, iniciativa privada e associações do setor devem levar conscientização aos usuários, aponta especialista

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O Sistema Financeiro Nacional passará por uma revolução a partir de novembro.

Inovações tecnológicas como o open banking e o Pix (pagamento instantâneo) já estão regularizadas pelo Banco Central (Bacen) e trarão uma gama de produtos e serviços.

Contudo, consumidores e empresas precisam compreender sua potência facilitadora e revolucionária.

É o que explica José Luiz Rodrigues, especialista em regulação e sócio da JL Rodrigues, Carlos Átila & Consultores Associados.

“A grande defasagem do mercado hoje é de educação financeira, é preciso ensinar as pessoas que estão acostumadas a lidar apenas com o físico. E não são poucas essas pessoas. As dimensões do País e a grande diferença social fazem com que a experiência de pessoas de classe social mais alta seja completamente diferente daquele usuário de baixa renda que reside em locais menos centrais. O entendimento sobre o que é um banco digital, sua segurança, como o dinheiro fica em um banco digital e como são realizados os pagamentos por meio dessas instituições ainda é algo difícil para essa população. E esse cenário de dúvidas pode se intensificar quando mais inovações chegarem, se de fato não forem disponibilizadas interfaces de fácil acesso”, afirma José Luiz.

José Luiz reforça que este movimento de ensinamento deve envolver todas as entidades do mercado.

“Essa não é apenas uma responsabilidade do Bacen, envolve também sindicatos, associações e a própria iniciativa privada. Afinal, para que os produtos e serviços sejam bem aceitos e amplamente utilizados, é necessário que o consumidor os compreenda”.

De acordo com o especialista, o Bacen está preparando o cenário para que essas facilidades tragam mais usuários para o mercado.

“O incentivo ao uso das inovações acontece quando o órgão regulador coloca à disposição do consumidor ferramentas mais intuitivas que possibilitem uma experiência única para fazer várias transações”.

José Luiz também destaca algumas vantagens que vão além da acessibilidade: “Ao balizar os custos das transações para patamares muito baixos, o Bacen também proporciona condições para que aquelas pequenas transações típicas de prestadores de serviços autônomos possam ser realizadas neste novo ambiente digital. Outro benefício virá para os gestores de e-commerce, que contarão com uma redução no índice de desistência nos pagamentos via boleto, o que trará uma melhora no fluxo de mercadorias e na gestão de estoque”.

Bacen segue acompanhando novas inovações 

Criada em 2016, a Agenda BC+, hoje BC#, é um conjunto de ações do Bacen em prol da modernização do mercado financeiro.

Por meio dela, vem sendo construído um importante debate sobre inovações no sistema financeiro, incluindo as plataformas que entrarão em vigor até o final do ano. 

“A cada dia surgem inovações pensadas para facilitar a vida do consumidor e do empreendedor. Então, o que o órgão regulador pode fazer? Conhecer, analisar e ponderar, ou seja, determinar o que e como pode ser implementado. Dificilmente o Bacen vai assumir uma postura de colocar barreiras, dizer ‘isso não pode’, porque o fluxo das inovações num mundo digital é incontrolável”, detalha Rodrigues.

“Visando a implementação dessas inovações, precisamos entender que esse novo modelo de mercado exigirá educação financeira e novas perspectivas de todos os envolvidos. As empresas também precisarão reaprender a lidar com o consumidor e com suas novas demandas, já que, com o mercado mais digital, teremos um ambiente de negócios mais inclusivo – que, por sua vez, tende a aumentar a competição entre instituições participantes e a oferta de serviços aos consumidores”.

O especialista em regulamentação detalha que tecnologias como o Pix e o open banking crescerão na medida em que os players do mercado se desenvolverem.

“O público geral só consome serviços mais tecnológicos quando compreende seus benefícios e esse é o desafio das prestadoras de serviços: elas precisarão mostrar aos clientes como as tecnologias facilitarão suas rotinas. E, assim, ao se tornarem indispensáveis aos olhos do consumidor, elas farão o mercado crescer. Um ponto muito favorável no Brasil é que o nosso povo está bastante aberto a novas experiências tecnológicas, basta que sejam dadas condições para a população ter acesso a dispositivos e redes a custos menores”.

Há vinte e dois anos no mercado, a JL Rodrigues, Carlos Atila & Consultores Associados é uma consultoria especializada em regulação, organização, supervisão e acesso ao Sistema Financeiro e ao Mercado de Capitais, com foco no atendimento a empresas e instituições financeiras brasileiras e estrangeiras, que atuam ou pretendem atuar nesses ambientes.