Brasil: Auxiliar de contabilidade possui uma Ferrari em seu nome

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A Polícia Federal investiga o uso de dinheiro público na compra de uma Ferrari, avaliada em R$ 1,7 milhão, que era usada pelo prefeito de Itaguaí, Luciano Mota. O veículo estava em nome de um homem suspeito de ser o laranja do prefeito num esquema de desvio de verbas da prefeitura.

A reportagem do RJTV conseguiu localizar este homem. Marcos José dos Santos mora nos fundos de uma casa em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. Uma pessoa que o conhece disse que ele leva uma vida simples. Mas, para a PF, Marcos é personagem central de fraudes supostamente promovidas pelo prefeito de Itaguaí.

Marcos é suspeito de ser laranja do prefeito Luciano Mota, do PSDB, na compra da Ferrari ostentada pelo prefeito. O veículo foi apreendido durante uma operação em dezembro do ano passado e hoje está estacionado no pátio da sede da Polícia Federal, no Centro do Rio.

Marcos era sócio da Tristars Controle Ambiental, quando a empresa fechou um contrato com a prefeitura, em janeiro de 2014. No primeiro ano de serviço, a empresa recebeu do município mais de R$ 31,5 milhões para fazer o serviço de coleta de lixo na cidade.

Atualmente, Marcos é auxiliar de contabilidade na Dalmac Contabil, em Niterói. A firma pertence ao cunhado dele, Eudes Alberto de Andrade, também dono da MOV Cargos, que aluga carros para a prefeitura de Itaguaí e que, no ano passado, recebeu cerca de R$ 3,2 milhões pelos serviços prestados ao município.

Uma nota fiscal a qual o RJTV teve acesso mostra que Marcos comprou, em 2014, a Ferrari no valor de R$ 900 mil da Paulimar, empresa com sede em São Paulo. A compra ocorreu quatro meses depois que a Tristars, que tinha Marcos como sócio, assinar o contrato com a prefeitura.

De acordo com a Polícia Federal, a Ferrari foi comprada para o prefeito Luciano Mota que, segundo testemunhas ouvidas na investigação, era quem usava o carro. Ele chegou a ser flagrado em vídeo lavando o veículo.

Segundo a PF, documentos desmontam a versão do prefeito. Luciano Motta ainda não foi ouvido no inquérito, mas a assessoria dele disse que o prefeito pegou a Ferrari emprestada de um amigo empresário. Sem saber que estava sendo filmado, Marcos admitiu que emprestou o nome para a compra do veículo.

“Só para constar para você, eu era chefe de uma firma. E nós compramos uma Ferrari, não para a firma, para um amigo. Para fazer um favor a um amigo, porque estava vendendo. Então, eu emprestei na confiança, porque eu conheço ele desde criança”, disse Marcos ao comentar a compra da Ferrari.

O prefeito é suspeito de comandar uma quadrilha que desviava verbas dos royalties do petróleo e do Sistema Único de Saúde.

Marcos José dos Santos não quis dizer quem seria o amigo para quem emprestou o nome para comprar a Ferrari. Em nota, o advogado João Lima Arantes, que representa Marcos dos Santos, Eudes Alberto de Andrade e as empresas Mov Cargo, Dalmac Contábil e Tristars, informou que a Ferrari foi paga com recursos de uma empresa onde Marcos fazia assessoramento contábil, sem qualquer relação com a prefeitura de Itaguaí, e que Marcos foi sócio da Tristar em um período anterior à compra. Na Paulimar, ninguém comentou o caso.

Luciano Mota também está sendo investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara de Vereadores. Ele foi localizado para comentar as denúncias. A prefeitura de Itaguaí declarou que aguarda a conclusão das investigações da Polícia Federal e que toda a documentação referente aos royalties do petróleo e ao repasse de verbas do SUS estão à disposição das autoridades. (Com G1)

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