Como fazer a analise de empresas pagadoras de dividendos?

0

Grande parte dos investidores têm como foco obter renda passiva por meio do recebimento de dividendos de ações.

Como um dos apoiadores dessa filosofia, busco sempre novos conhecimentos para trazer reflexões importantes a respeito dessa estratégia, e gostaria de compartilhar algumas no texto de hoje.

Nos dias passados, estive relendo novamente um livro bastante marcante e recomendado chamado “Dividend Investing: Simplified”, de Mark Lowe.

De forma bem resumida, este é basicamente um guia para a criação de renda passiva no mercado de ações, através da compra de boas ações que distribuem dividendos aos seus acionistas.

O livro gira em torno de seis fatores cruciais na análise de empresas pagadoras de proventos.

Dividend Yield (DY); Taxa de evolução dos lucros; Balanço Patrimonial; Nível de endividamento; Performance de vendas e; Regulamentação.

Apesar de todos serem igualmente importantes, hoje estudaremos e dissertaremos a respeito dos quatro primeiros.

DY – Dividend Yield

O DY, ou Dividend Yield, é um indicador fundamentalista bastante importante nessa análise.

Sua fórmula consiste em aplicar uma divisão entre o quanto de dividendo é distribuído em relação ao preço atual da ação.

De acordo com as afirmações do autor acerca do dividend yield, a consistência no pagamento de dividendos indica que, provavelmente, as condições financeiras da companhia de estudo são saudáveis.

Apesar de não ser uma regra, utilizar tal premissa pode ser um bom farol para guiar sua análise.

Sempre cabe a ressalva de que os investidores não devem analisar apenas este indicador de forma isolada.

Isso porque algumas empresas podem pagar dividendos enquanto estão passando por dificuldades, o que geralmente não é sustentável no longo prazo.

Outras companhias ainda podem pagar proventos tão elevados a ponto de não conseguir reinvestir lucros para seu crescimento.

Dessa forma, a empresa perderá força competitiva em troca da satisfação momentânea de seus acionistas, o que se transformará em um problema seríssimo no futuro.

O ideal é, portanto, comparar o dividend yield com os lucros totais da empresa, pois estes são capazes de conferir uma boa noção da sustentabilidade dos proventos, sobretudo quando se busca um investimento de longo prazo.

Além disso, também é interessante comparar o yield da companhia com o de seus pares de mercado para escolher, de maneira assertiva, onde realizar um novo aporte.

Grau de endividamento e balanço patrimonial

Como já é de conhecimento da maioria, o balanço patrimonial é um dos documentos mais importantes a respeito das finanças de uma companhia.

A partir desse documento, é possível entender as estruturas dos ativos e dos passivos de uma companhia.

Analisando o balanço de vários períodos, também é possível entender a evolução das finanças e do patrimônio da empresa.

Designed by @pressfoto / freepik

Além disso, o investidor também pode observar o nível de dívidas através do balanço patrimonial.

Trata-se de um dos passivos que podem ser encontrados no documento.

O autor do livro, Mark Lowe, recomenda o mesmo que Warren Buffett: evite empresas que possuem um endividamento excessivo.

É preferível estar em uma posição sólida, trazendo as chances a seu favor.

Nesse viés, é preciso entender se a empresa é capaz de sustentar suas dívidas com as receitas e lucros gerados no momento.

Outro fator é o propósito da dívida que, se forem boas, podem ser utilizadas para projetos com alto potencial de geração de retornos.

Taxa de evolução dos lucros

Como a taxa de crescimento dos lucros vem se mostrando ao longo do tempo? Eles estão crescendo? Ou a empresa está perdendo força competitiva e, consequentemente, com lucros em queda?

Quando se trata de empresas pagadoras de dividendos, este é um dos fatores mais importantes.

Tal métrica é capaz de dar noções a respeito do potencial incremento dos dividendos da companhia.

Os proventos pagos poderão crescer à medida que os lucros sobem.

É raro encontrar uma empresa que sustente bons dividendos se suas receitas e seus lucros não apresentam crescimento.

A tendência natural, nesses casos, é que a empresa pare ou reduza o pagamento de dividendos para investir em suas operações.

O acionista, portanto, terá seus proventos prejudicados uma hora ou outra.

O investidor deve prestar bastante atenção a esses pontos antes de tomar uma posição.

Estes fatores servem para quaisquer tipos de ação, não apenas para as ações focadas em dividendos, na minha visão.

Foco em empresas sólidas, com lucros crescentes e um bom balanço patrimonial.

Dessa forma, a empresa continuará a ganhar market share e aumentar o seu dividend yield.

Artigo produzido pela Suno Research.