Rotulada apenas para algumas profissões, essa habilidade tem se tornado essencial até para engenheiros ou cientistas

Hoje, a criatividade ainda é vista como um dom natural e necessária apenas para algumas profissões, como um publicitário ou cineasta, por exemplo. Mas muito se engana quem pensa que a criatividade não pode ser exigida de um engenheiro ou médico. Mário Rosa, sócio da Echos, laboratório de inovação que utiliza Design Thinking, pontua que essa teoria não é válida e que criativo é fundamental para qualquer profissão. “Ao contrário do que muitos pensam, não nascemos com o ‘dom’ da criatividade, ela é uma habilidade que pode ser adquirida, mais do que isso, deve ser sempre exercitada, assim como exercitamos músculos ao ir à academia”.

O Design Thinking é um modelo mental com abordagens de aprendizado, prática, colaboração e empatia, que pode auxiliar a romper as amarras e estimular a criatividade em qualquer pessoa. De acordo com Rosa, o design thinking colabora para a inovação e criatividade surgirem porque seu funcionamento prevê a desconstrução das barreiras da hierarquia e do pensamento exclusivamente cartesiano, oferecendo espaço para as ideias emergirem sem pré-julgamentos.

Mario Rosa listou algumas dicas para estimular a criatividade:

– Experiências diferentes e inovadoras: se mantenha fora da rotina e busque experiências que agreguem valor, um banho de mar a noite ou pessoas que não façam parte do ciclo de convivência;

– Leia muito: livros técnicos, revistas e jornais aumentam o conhecimento em sua área, mas as leituras ficcionais estimulam a criatividade e fazem o leitor viajar;

– Ouça música: isso diminui a ansiedade, o nível de estresse e melhora o humor. A música clássica melhora o nível de concentração;

– Jogos de estratégia: são ótimos para exercitar o raciocínio, seja de tabuleiro ou videogame;

– Não julgue suas ideias: escreva o maior número de soluções possíveis, mesmo que não façam o menor sentido;

– Perca o medo de errar: criatividade é sair do senso comum e, para isso acontecer, precisamos sair da zona de conforto. Você também precisa ir fundo nas falhas para que possa melhorar;

– Use a mão que não costuma usar: isso traz benefícios ao cérebro. Pode começar escovando os dentes, por exemplo;

– Seja otimista: há uma grande diferença em ser infantil e ser como uma criança. Ser otimista e brincalhão não significa não ter seriedade;

– Peça, co-crie e participe: Certifique-se de que você também está fazendo os outros se sentirem bem-sucedidos;

– Diversidade: ao montar uma nova equipe de projeto, seja qual ele for, sempre priorize pela diversidade de ideias e repertórios pessoais. Procure por pessoas completamente diferentes que possuem potenciais.

“Vivemos num mundo do qual a educação formal valoriza o pensamento analítico, a racionalidade, somos criados a analisar o que aconteceu no passado e a chegarmos em conclusões, pontos finais. Pouco exploramos nossa intuição e habilidade de abstrair, criando novos caminhos e novas soluções. Ser criativo é resolver problemas, seja o seu problema uma geladeira vazia na hora do jantar ou a estratégia de um
negócio de milhares de dólares. Para ambas acontecerem é preciso superar o pensamento analítico e a racionalidade tão comum no modelo mental que aprendemos na escola e consequentemente aplicamos no mundo do trabalho”, finaliza Rosa.

Fonte: Echos