Desde o ano de 1999 o Brasil adotou o chamado tripé econômico, sendo que uma das bases deste tripé consiste no câmbio flutuante.

Em poucas palavras, o câmbio flutuante é um regime cambial caracterizado pela liberdade das cotações que são constantemente atualizadas de acordo com as variações da oferta e demanda de moeda no mercado.

Sendo assim, quanto maior for a procura de uma moeda e menor a sua oferta, maior será o seu preço, ou sua valorização, já se a oferta for maior que a procura, menor será seu preço e mais desvalorizada será sua cotação.

Partindo desse princípio, na prática, quanto mais dólares entram no país mais valorizado o real se torna e quanto menos dólares entram, mais desvalorizado ele fica. Logo, como não há interferência governamental no câmbio há uma certa volatilidade na cotação da moeda.

Por isso, empresas exportadoras, importadoras bem como investidores com ativos no exterior precisam criar uma proteção contra a volatilidade do câmbio, e é aí que entre o Hedge cambial.

O que é o Hedge Cambial?

Hedge cambial é um conjunto de instrumentos financeiros, que são utilizados para diminuir o risco de operações que envolvem duas ou mais moedas diferentes.

O risco acontece em virtude da flutuação do câmbio. Logo, se há uma procura muito grande por dólar em um curto período de tempo, o real se desvaloriza abruptamente, e sem que haja uma intervenção do BC, alguns contratos cambiais podem ser afetados, prejudicando assim empresas que operam com duas ou mais moedas.

Quando isso acontece, a volatilidade da moeda pode simplesmente esmagar todos os retornos financeiros que um empreendimento até então lucrativo poderia proporcionar.

Por isso, empresas que estão mais expostas à variação cambial precisam abrir mão de instrumentos derivativos para realizar o hedge cambial como o swap e diminuir ou até mesmo dizimar esses riscos.

Entendendo como a volatilidade do câmbio prejudica uma empresa

Para entender como a volatilidade cambial atrapalha uma empresa, é necessário acima de tudo criar um exemplo prático para facilitar a compreensão.

Vamos imaginar um exemplo de uma empresa exportadora de soja. Essa empresa realizou uma exportação no valor bruto de US$ 10 milhões em sacas deste produto. Contudo, o prazo para pagamento é de 90 dias.

Consideremos que no dia da realização dessa exportação a cotação do real frente ao dólar seja de R$ 4,00 para US$ 1,00. Logo a receita bruta estipulada seria de R$ 40 milhões. Imaginemos também que o custo dessa produção seja de R$ 30 milhões, sobrando R$ 10 milhões líquidos para o produtor.

Passados 3 meses, nesse exemplo hipotético, houve um grande aumento na oferta de dólar e uma diminuição na sua procura fazendo com que a cotação despencasse. O novo câmbio portanto passou a ser R$ 2,50 para US$ 1,00.

Desse modo, no dia do recebimento, o produtor somente recebeu R$ 25 milhões, considerando um custo de R$ 30 milhões, a operação antes lucrativa acabou dando um prejuízo de R$ 5 milhões por conta da volatilidade do câmbio.

A aplicação do Hedge cambial como forma de proteção

Ficou claro que a volatilidade do câmbio pode, portanto, prejudicar a exportação de uma empresa. Por essa razão é necessário adotar algumas ferramentas de Hedge que auxiliam na estratégia de proteção cambial como:

  • Fundo cambial – Nessa modalidade de Hedge, a empresa ou investidor coloca seus recursos em um fundo, acompanhando a cotação do mercado em tempo real;
  • Contrato a termo de moeda – Aqui é criado um contrato onde é fixado um preço de cotação para que o valor de recebimento de uma venda seja previsto pela empresa;
  • Mercado futuro – As negociações são feitas através da bolsa de valores, onde o investidor acompanha as variações de preço em tempo real;
  • Compra e venda – Estipula o câmbio atual para uma determinada compra e venda futura. Em outras palavras é como se o câmbio fosse congelado, favorecendo a negociação.

Sendo assim, tanto para investidores com concentração em ativos internacionais nos mercados de capitais quanto para empresas exportadoras e importadoras, o uso do Hedge é extremamente essencial em economias que adotam o câmbio flutuante

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